quarta-feira, fevereiro 08, 2017

É INTOLERÂNCIA, MAS PODE CHAMAR DE HOMOFOBIA POR MARTHA PESSOA CORTES



É INTOLERÂNCIA, MAS PODE CHAMAR DE HOMOFOBIA


           Pelo menos 312 gays, lésbicas e travestis brasileiros foram assassinados em 2013, média de um homicídio a cada 28 horas, revela pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). A entidade estima que 99% dos crimes foram motivados por homofobia. Apesar de apontar uma queda de 7,7% em relação a 2012, quando foram registradas 388 mortes, a pesquisa destaca          que o número de assassinatos de homossexuais cresceu 14,7% nos últimos quatro anos.
          Segundo o estudo, o Brasil segue como campeão mundial em homicídios de homossexuais: de cada cinco gays ou transgêneros assassinados no mundo, quatro são brasileiros. E os dados reunidos neste começo de ano apontam tendência de piora no quadro: em janeiro, 42 homossexuais foram assassinados, ou seja, um a cada 18 horas.¹
          (...) os responsáveis por acompanhar esse tipo de crime, que ocorre em todo o Brasil, mas principalmente no Norte e Nordeste, já conseguiam traçar uma espécie de perfil dos agressores dos gays. A maioria tem formação cultural conservadora. “Eles vêm de famílias autoritárias”, afirma Luiz Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GBB). Muitas vezes agem grupo. E atacam conhecidos – o vizinho, o parente... Nos últimos quatro anos, o número de denúncias relacionadas à homofobia cresceu 460%, segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A cada hora, um homossexual sofre algum tipo de violência no Brasil.²
          Embora o crime de homofobia seja crime bem específico, vale ressaltar que toda intolerância esbarra na dificuldade em se praticar o respeito. E assim não fosse, qual a dificuldade em não aceitar a prática do outro? Quando se reivindica o direito de ser homossexual não significa que todos devam ser, mas que quem o é quer sê-lo livremente, sem a interferência do outro.
          Não existe crime na prática homossexual. Ainda assim dia após dia a intolerância aumenta e com isso as barbaridades contra gays, lésbicas e bissexuais. De acordo com alguns grupos homossexuais, parte da intolerância e violência está ligada a não aceitação da própria sexualidade, já que segundo eles os homofóbicos sejam na maioria, homossexuais que não “saíram do armário”, por questões religiosas ou de família ou de não saber encarar as críticas sociais.
          Nota-se, no entanto, ser essa violência típica do nosso novo modelo de sociedade, fundamentalista, intolerante, egoísta e mimada. Fundamentada num povo que concebe o corpo e o comportamento alheio como extensão de sua existência. Grupos cada vez mais crescentes querendo cooptar o outro para o seu modo de vida, considerando o único aceitável.
          Um grupo que atribui diversas dificuldades do mundo como resultado de relações homossexuais, exemplo dessa falácia é de que o número de mulheres solteiras seja fruto do aumento da prática homossexual, sem levar em conta o nascimento de um número ínfimo de homens em relação ao de mulheres e que ainda há mulheres lésbicas.
          Outra falácia que mais revolta, que intriga é de que casais gays não devem adotar por causa da pedofilia, ora, desde que o mundo é mundo, meninas são estupradas pelo próprio pai, ou padrasto que praticam, exclusivamente, relações não homossexuais. E ainda são culpadas por esse crime, quando dizem que elas provocam e seduzem, afirmam os defensores da Síndrome de Adão, já que o pobre coitadinho fora seduzido pela vilã, a Eva.    
            O fim da homofobia, racismo, machismo só será possível se a prática do respeito passar a compor as relações intersociais, é a partir do respeito que se dialoga e se compreende o outro, não que haja necessidade de compreensão nas práticas de nossas vidas, contudo o conhecimento quebra barreiras...
















*Martha Pessoa Cortes.
-Professora em Armação dos Búzios-RJ.
-Estudante de Geografia pelo CEDERJ/UERJ.

Referências:

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