sexta-feira, março 20, 2026

Entrevista com Ashraf Al Bardisy por Anthony Rasib

 



ENTREVISTA EXCLUSIVA


Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)


Entrevistador e Tradutor: Anthony Rasib, Diretor de Marketing e Intercâmbio Internacional do GLIP


Convidado: Ashraf Al Bardisy País: Egito


Perfil: Criador de Conteúdo, Influenciador Cultural, Empresário com uma Agência de serviços turísticos no Egito.


É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Ashraf Al Bardisy, uma das vozes mais autênticas na divulgação da cultura egípcia para o mundo. Empresário e influenciador, Ashraf rompe fronteiras digitais para levar a essência de sua terra natal ao público global.


1. Anthony Rasib: No cenário atual da globalização, qual é o papel de criadores de conteúdo e guias profissionais na preservação da imagem de uma nação? Como você enxerga a responsabilidade de ser a "voz" de um país com uma história tão vasta e significativa para a humanidade?


Ashraf Al Bardisy: Na condição de criador de conteúdo e guia, atuo como um embaixador da vasta história do Egito. Meu papel é estabelecer uma ponte entre nossa herança milenar e o mundo contemporâneo. Ao mesmo tempo em que exalto a beleza de nossos sítios icônicos, mantenho-me justo, realista e íntegro. A verdadeira credibilidade é construída ao apresentar o que nossa nação tem de melhor, sem abdicar de uma perspectiva autêntica. Dedico-me também a revelar as inúmeras preciosidades ocultas que, atualmente, são negligenciadas. A honestidade garante que os visitantes confiem em minha voz, respeitem nossa cultura e descobram nossa total profundidade.


2. Anthony Rasib: Por que a comunicação direta e o intercâmbio cultural digital são fundamentais para que a verdadeira história e a cultura egípcia cheguem ao público mundial com autenticidade, sem os filtros de narrativas externas ou estereótipos?


Ashraf Al Bardisy: Historicamente, a imagem do Egito foi moldada por filtros externos e estereótipos que limitam nossa identidade. Ao dialogar diretamente com um público global, ofereço uma narrativa autêntica e de primeira mão. Tenho a liberdade de evidenciar preciosidades ocultas, como a Pirâmide Vermelha, a Bayt Al-Suhaymi e a Cidade dos Mortos, que a mídia convencional frequentemente negligencia. Esta ponte digital garante que o mundo contemple a profundidade total de nossa herança através de um olhar local, permitindo que os visitantes respeitem nossa cultura viva e descobram a real magnitude histórica de nossa nação.


3. Anthony Rasib: Como um egípcio que comunica sua cultura para o exterior, como você percebe o fascínio global pelo Egito? Houve algum momento ou feedback específico em que você sentiu que seu conteúdo estava quebrando barreiras geográficas e unindo pessoas de diferentes continentes?


Ashraf Al Bardisy: Percebo o fascínio global pelo Egito como um elo universal; pessoas de todas as partes do mundo reconhecem nossa história como um legado compartilhado da humanidade. Em meu trabalho, observo que o conteúdo referente ao Egito Antigo gera o maior índice de engajamento, superando o alcance global das narrativas islâmicas, coptas ou da história moderna. Um momento emblemático em que senti o rompimento das barreiras geográficas foi ao compartilhar conteúdos sobre Tutancâmon. Este tema unificou pessoas de diferentes continentes, provando que a Egiptologia é, de fato, uma linguagem universal. Ao difundir sua trajetória, testemunhei como nossa herança pode verdadeiramente servir de ponte entre culturas e aproximar o mundo sob uma mesma identidade histórica.


4. Anthony Rasib: Você já guiou turistas brasileiros? Se sim, como foi essa experiência? Existe algo no jeito brasileiro de conhecer o Egito que te chame a atenção ou que facilite essa troca cultural e humana?


Ashraf Al Bardisy: Curiosamente, ainda não tive a oportunidade de guiar brasileiros em solo egípcio, mas tive encontros memoráveis com eles em outras partes do mundo, como durante a Copa do Mundo na Alemanha, e também em destinos como Tailândia e Indonésia. Notei que o público brasileiro possui um espírito explorador notável.


5. Anthony Rasib: Como especialista, você conhece algum local, templo ou experiência que poucos agentes turísticos divulgam em pacotes convencionais, mas que proporciona uma visita inesquecível ao turista? Qual seria esse "tesouro escondido" que você recomendaria para quem busca o Egito autêntico?


Ashraf Al Bardisy: Recomendo enfaticamente o Templo de Dendera. Embora frequentemente excluído dos pacotes convencionais, é um dos sítios mais bem preservados do Egito. Seus tetos ainda conservam cores vibrantes e originais, além de raros zodíacos astronômicos que trazem a história à vida. Os visitantes podem explorar criptas estreitas ou subir ao terraço onde ocorriam rituais ancestrais, desfrutando de uma atmosfera espiritual e serena, longe das multidões. Para quem busca o Egito autêntico, Dendera oferece uma ponte singular entre a ciência antiga e a arte, proporcionando uma experiência inesquecível que parece intocada pelo comercialismo moderno.

Para uma jornada verdadeiramente memorável, recomendo explorar os Desertos Branco e Preto; suas formações de calcário que lembram paisagens lunares e suas colinas vulcânicas oferecem uma experiência de acampamento surreal sob as estrelas. O Oásis de Siwa é outra joia essencial, famoso por seus lagos de sal e pela cultura berbere única. Já no Mar Vermelho, enquanto El Gouna oferece um estilo de vida moderno e sofisticado, Dahab proporciona uma vibração boêmia e relaxante, e Marsa Alam permanece um paraíso intocado para mergulhadores. Esses locais revelam o "Egito Real": uma fusão de tranquilidade ancestral, beleza natural bruta e uma vida moderna vibrante que as excursões convencionais muitas vezes deixam de notar. Para finalizar, também indico o Cruzeiro no Nilo entre Luxor e Aswan.


6. Anthony Rasib: Como foi crescer cercado por uma história que o mundo inteiro estuda nos livros? Conte-nos um pouco sobre a sua cidade natal e a sua infância: qual é a sua lembrança mais antiga de olhar para um monumento e perceber que aquilo não era apenas "pedra", mas parte viva de quem você é?


Ashraf Al Bardisy: Eu cresci na Rua Al Ahram (a rua das pirâmides), e as Grandes Pirâmides eram a minha paisagem cotidiana. Embora minha formação acadêmica tenha sido em Contabilidade, minha trajetória como Comissário de Bordo Chefe (Flight Purser) na Kuwait Airways permitiu-me contrastar diversas culturas globais com a minha própria. Essa perspectiva internacional inspirou-me a retornar e fundar minha própria agência de serviços turísticos em El Gouna. Ao estabelecer uma ponte entre minhas raízes locais e minha experiência global, hoje compartilho a história viva do Egito através das minhas lentes, garantindo que nossas narrativas alcancem o mundo com autenticidade e um rigoroso toque profissional.


7. Anthony Rasib: Qual o maior diferencial que você busca trazer para que o público mundial entenda a complexidade e a beleza da vida árabe moderna, transformando sua identidade local em uma narrativa que faça sentido para qualquer pessoa no mundo?


Ashraf Al Bardisy: Meu principal diferencial é demonstrar que o Egito é uma sociedade viva, e não apenas um museu de antiguidades. Eu estabeleço uma ponte entre nossas raízes históricas e a vida árabe moderna ao focar em conexões humanas universais. Seja ao destacar o esmero de um artesão local ou a hospitalidade encontrada em El Gouna, apresento valores como a generosidade e a resiliência, que ecoam globalmente. Ao compartilhar nossa música contemporânea, nossa gastronomia e nossas tradições ao lado de nossos monumentos, supero estereótipos limitantes. Transformo minha identidade local em uma narrativa que permite ao mundo enxergar o Egito como uma nação vibrante, complexa e profundamente conectada com a realidade de qualquer pessoa.


8. Anthony Rasib: Qual é a missão essencial que te move ao mostrar o "Egito real"? O que você mais gosta de revelar sobre o cotidiano do seu povo que as câmeras de cinema e os grandes documentários de história raramente mostram?


Ashraf Al Bardisy: Minha missão essencial é reivindicar nossa narrativa, demonstrando que o Egito é uma nação viva, e não apenas um museu. Enquanto os documentários focam em pedras silenciosas, sinto prazer em revelar o calor e o humor do nosso cotidiano. Amo mostrar a hospitalidade "oculta" — o chá compartilhado com um estranho, a energia pulsante de um mercado local ou o espírito moderno e criativo em lugares como El Gouna. Esses momentos humanos, que as câmeras de cinema frequentemente ignoram, provam que nosso maior tesouro não é apenas o nosso passado ancestral, mas a alma resiliente e acolhedora do povo egípcio de hoje.


9. Anthony Rasib: Como você percebe o movimento atual da juventude egípcia em relação à manutenção de suas raízes e tradições?


Ashraf Al Bardisy: Percebo um poderoso "Despertar Digital" entre a juventude egípcia. Hoje, os jovens não são apenas consumidores passivos da história; eles são seus protetores ativos. Estamos testemunhando uma mudança massiva, onde a Geração Z e a Geração Y utilizam plataformas como TikTok e Instagram para reivindicar nossa narrativa — distanciando-se das "pedras silenciosas" dos antigos documentários em direção a uma celebração vibrante e viva de nossas raízes.


Ashraf Al Bardisy agradece o espaço ao público do Brasil e países da lusofonia, via Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP).

Seus trabalhos estão acessíveis neste link:

👉 TikTok - @red.sea.guide2

Ashraf também é muito ativo no Facebook, participando de grupos da cultura libanesa e egípcia.

sábado, janeiro 17, 2026

Querida Cidade: Reminiscências de Tontonhim por Rodrigo Poeta

 


Foto enviada pelo escritor 
Antônio Torres. 


Querida Cidade: Reminiscências de Tontonhim 

*Capa do romance Querida Cidade
 de Antônio Torres. 


       "A palavra triste pintava-se de crepúsculo na fronteira da nostalgia", assim é Das Dores (Tontonhim) o narrador-personagem de Querida Cidade entre a personificação da vida em palavras numa síntese de acontecimentos no "reino do silêncio."

      A sua estampa de vencedor passa pela Rua dos Covardes, através de uma maleta cheia de culpas, onde a pausa é um artifício do autor no "limite do indizível."

       Querida Cidade vive no "alforjes cheios de metáforas ali desconhecidas" pelo leitor entre alegorias num "naufrágio da ilusão" ao paradoxo das cidades dentro da Querida Cidade maior entre "pinceladas febris,  que mais parecem chamas de desespero."

       Afinal, "esqueça o ouvinte, o leitor, o espectador, o interlocutor,  o cara que você foi" e "considera-se uma página virada, uma fita arquivada, um argumento,  uma ideia, um pensamento com prazo de validade vencida, o outro lado de um disco que já não existe."

      O enigma é um jazz a soar entre o filósofo alemão Arthur Schopenhauer,  onde "a noite finalmente lhe sorria."

       "Das Dores (Tontonhim), zanzara sobre paralelepípedos até ficar de pé redondo" em "léguas tiranas" num Grêmio Literário absorvido pela sede de leitura. 

        Querida Cidade do "solene cheiro franciscano de incenso", do "doentio ar impregnado do éter", do "egoísmo acomodatício e pusilâmine" aos olhos do leitor entre a prosa do El perseguidor de Julio Cortazar a definir que o "nada torna as pessoas melhores do que a prática da virtude."

       Assim é o romance de Antônio Torres (Tontonhim), onde "triste mesmo foram os sinos da sua infância", pois Querida Cidade personificada, paradoxal, metafórica e alegórica são marcas de um testemunho testamento  de fluídas palavras entre o acadêmico e o "matuto", do literário e do sertanejo brasileiro dos ditados populares de um Brasil dentro do Junco ao sol da imaginação de Sátiro Dias.


🖋Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta)

Professor,  escritor,  acadêmico,  pesquisador e palestrante. 

Presidente do Grêmio Literário Internacional Poesiarte

Cabo Frio, 16 de janeiro de 2026.

terça-feira, dezembro 23, 2025

GLIP recebe homenagem!


Grêmio Literário Internacional Poesiarte recebeu da nossa Diretora de Pesquisa e acadêmica  Renata Barcellos, que é também fundadora da BarcellArtes, o Certificado de Incentivo Cultural. A BarcellArtes é presidida pelo acadêmico Raimundo  Campos Filhos, que também é presidente da AOL de São Luís/MA. O GLIP agradece o carinho da confreira,  que homenageia todos da entidade. Afinal este é nosso objetivo como entidade incentivar cultura sem fazer acepção  de ninguém. 

#GLIP 
#Poesiarte 

quinta-feira, dezembro 18, 2025

POEMA DE RODRIGO POETA NO ZERO HORA



*O poema "Na janela" de Rodrigo Poeta foi publicado no jornal de maior circulação do Rio Grande do Sul,  o jornal Zero Hora.

 

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Artigo de Anthony Rasib - Entre o Pão e a Política: A Mão que Cala a Caridade no Natal


Entre o Pão e a Política: 

A Mão que Cala a Caridade no Natal


​       Lamentável como neste mundo temos mais mãos para tirar o pão do que mãos para ajudar e não seria diferente dentro da administração política da Igreja Católica. Em vez de dar luz às boas ações e incentivar a caridade, é mais fácil amarrar as mãos de quem faz ou colocar um saco preto de escuridão na cabeça daquele que tenta caminhar nas doutrinas ensinadas pelas bases da caridade cristã. Este "período de recolhimento temporário" determinado no dia 14 de dezembro de 2025 pelo Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, ao Padre Júlio Lancellotti é uma prisão com nome bonito.

​       E não é apenas a administração da Igreja Católica que merece nossa crítica, mas também os políticos que, ao invés de fazer seu trabalho em ajudar a população, apenas fazem o trabalho do maligno em roubar os direitos dos cidadãos. Seria mais fácil ao Padre Júlio Lancellotti trocar de Igreja, e com certeza ele seria aceito em outras ordens, seja na Ortodoxa ou na Católica Brasileira, para continuar seu trabalho sem ser calado.

           ​Vale lembrar que ele recebe pressão política e ataques diretos em São Paulo. Independentemente de crença, pois devemos incentivar as boas obras de cada ser humano e deixar o julgamento para Deus, aquele que julga o padre não levanta todo dia de manhã para dar um café com leite ao irmão necessitado, mas se diz defensor da família e das doutrinas de Deus. O nível de loucura chegou ao ponto de políticos, como o deputado Junio Amaral, entregarem documentos à Embaixada do Vaticano pedindo o afastamento do padre.

​         A Igreja Católica perde novamente na história e justamente no Natal,  uma data tão importante para a crença de fazer o bem. Ao acatar a decisão de Dom Odilo Scherer, a instituição deixa de divulgar sua imagem e de incentivar as boas ações nas redes sociais, como a maioria das religiões faz para alcançar outras pessoas. Vale ressaltar que todas as vezes na história que a Igreja perseguiu uma pessoa, apenas deu mais visibilidade para ela.


Anthony Rasib

quinta-feira, novembro 27, 2025

Entrevista com o escritor angolano Domingos Chipunducua por Anthony Rasib

 



ENTREVISTA EXCLUSIVA


Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)

Convidado: Domingos Chipunducua Cutala Chavola

País: Angola.

Entrevistador: Anthony Rasib.

Cargo: Diretor de Marketing e Intercâmbio Internacional do GLIP.


1. No cenário da literatura lusófona hoje, qual é a função das Academias de Letras e Associações Culturais (Angola e Brasil), e por que a força e o impulso criativo de grupos como o Grêmio Literário Internacional Poesiarte são essenciais para que a nova literatura ganhe o mundo?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: As Academias de Letras e Associações Culturais desempenham um papel fundamental no fortalecimento da literatura lusófona contemporânea. Elas funcionam como espaços de preservação da memória literária, promoção de novos talentos e incentivo à produção intelectual. Em Angola e no Brasil, essas instituições são responsáveis por fomentar o diálogo intercultural, valorizar as línguas nacionais e regionais, e criar pontes entre gerações de escritores.

Grupos como o Grêmio Literário Internacional Poesiarte são essenciais porque trazem uma energia criativa renovada, conectam autores emergentes com o público global e promovem a literatura como ferramenta de transformação social. O impulso desses coletivos permite que a nova literatura ultrapasse fronteiras, ganhe visibilidade internacional e dialogue com outras culturas, sem perder suas raízes.


2. Como poeta e pensador em Angola, qual foi o seu primeiro contato significativo com a literatura brasileira? Houve algum autor ou livro específico que teve um impacto ousado na sua formação ou que o senhor considera essencial para a ponte cultural entre os dois países?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Houve sim um autor que me impactou profundamente: Mara Regina. Embora eu não consiga identificar um livro específico, tive contato com alguns de seus textos poéticos que me marcaram de forma significativa e ousada. Suas palavras despertaram reflexões sobre a cultura brasileira e angolana, revelando conexões profundas entre os dois universos literários. A escrita de Mara Regina Ferreira tem um impacto notável sobre mim sempre que a leio. (DOURADO E SOMBRA, CASA DOS POETAS).

Trechos das obras mencionadas, respeitando os direitos autorais:

Dourado e Sombra

"Sou feita de luz e sombra,

de silêncio e tempestade.

Carrego o dourado dos dias bons

e a sombra dos que me moldaram."

Esse poema reflete a dualidade da existência, com uma linguagem poética que mistura força e vulnerabilidade.

Casa dos Poetas (trecho do áudio-poema)

"Na casa dos poetas,

cada palavra tem alma,

cada verso é abrigo,

e cada silêncio, um grito contido."

Esse trecho celebra o espaço simbólico da poesia como lar e resistência, onde a palavra é sagrada.


3. Natural do Chinguar, Bié, como a sua origem e a rica cultura dessa região de Angola moldaram a sua perspectiva como poeta e pensador? De que forma essa identidade local se torna o seu cenário literário global?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Desde muito cedo, entre os anos de 2006 a 2010, comecei a lidar com a literatura por meio da composição de músicas locais. Mais tarde, fui me apaixonando pela poesia, especialmente ao ter contato com pessoas que já atuavam nesse campo. Em 2020, ingressei na Associação de Jovens do Sul (AJE-SUL), graças ao incentivo do meu irmão mais velho, Júlio Chavola, que sempre acreditou no meu potencial. Ele me ajudou a aprimorar minhas escritas e me impulsionou a fazer parte de uma das Academias de Literatura do Brasil. Hoje, ele é autor do e-book "Actos da Igreja em Marcha", uma obra bastante interessante. Essa trajetória moldou minha visão poética e filosófica, transformando minha identidade local em uma voz literária com alcance global.


4. Sua trajetória abrange poesia, pensamentos filosóficos e palestras motivacionais. Qual a missão essencial que move o senhor na comunicação cultural através dessas diferentes mídias e qual o maior diferencial que busca trazer ao seu público em Angola, com foco na sua visão ousada?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Viva! Essa é uma pergunta profunda que toca na linha tênue entre cultura, tradição e literatura. Gosto de citar Rick Warren, que diz: "Os homens têm identidade e valor sem iguais, e sobre esse fundamento podem estruturar sua autoestima." Ele nos lembra da importância de termos alta consideração por nós mesmos, sem nos julgarmos superiores aos outros.

Infelizmente, tenho observado líderes religiosos abandonando suas responsabilidades durante cultos, o que revela uma falta de zelo e dedicação. Minha missão é usar as mídias para propagar mensagens de reflexão, incentivando o temor a Deus e o reconhecimento de Sua eternidade, independentemente das circunstâncias da vida. Esse é o diferencial que busco: uma comunicação que une fé, cultura e literatura com ousadia e propósito.


5. Como você, enquanto poeta e observador social, percebe o sentimento atual da África e de Angola em particular em relação à manutenção de suas raízes e cultura? Você vê um movimento mais ousado de resgate e valorização das identidades tradicionais, como a da sua terra natal, Bié?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Nem tanto assim, né? Mas digo sim! Há um esforço crescente por parte de algumas organizações que têm se dedicado ao resgate e valorização das identidades tradicionais. Esse movimento envolve apoio moral, ético e cultural, e tem contribuído para fortalecer as raízes locais e promover o orgulho da nossa herança.


6. Na sua opinião, qual é o valor estratégico de projetos de comunicação como esta entrevista para Grêmios Literários Internacionais e Academias? De que forma você acredita que essa divulgação beneficia e incentiva novos talentos na literatura lusófona?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Projetos como esta entrevista têm um valor estratégico imenso. Eles promovem uma interação direta, seja por interfaces digitais ou por meios auditivos, permitindo maior fluidez nas abordagens. Criam espaços online onde participantes podem interagir, aprender e se inspirar. Essa divulgação amplia o alcance das ideias, incentiva novos talentos e fortalece a literatura lusófona como um campo de expressão plural e vibrante.


7. Seu projeto OB/JUDEC atua em alfabetização e doações. Como a sua visão de poeta e professor teológico influencia a forma como o projeto atua, e qual é o impacto mais profundo que você observa nessas atividades de ação social com crianças e adultos no Bié?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Exatamente! O impacto mais profundo é a transformação de vidas para Cristo. Levamos bens materiais às famílias vulneráveis e às crianças fora do sistema escolar, com o pouco que conseguimos arrecadar. Mas, acima de tudo, mostramos o caminho que leva ao Céu. Essa missão é guiada pela fé e pela convicção de que a educação e a espiritualidade caminham juntas.


8. Em sua experiência com o OB/JUDEC, você observou uma carência de incentivo à leitura e à literatura na comunidade do Chinguar? Como você avalia a importância da alfabetização e da arte para a dignidade e o bem-estar dos cidadãos?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Sim, observei essa carência e temos criado métodos para enfrentá-la. Embora ainda não esteja em prática, temos a perspectiva de abrir uma biblioteca comunitária até 2026, em parceria com o governo local. Queremos incentivar estudantes de escolas públicas e privadas, pois a literatura tem um papel essencial na formação da juventude. Mesmo que nem todos tenham acesso imediato, muitos colherão os frutos no futuro. A literatura forma o homem novo.


9. Sendo poeta e professor, qual a sua opinião sobre o poder da poesia e do pensamento filosófico como ferramentas para a saúde mental e o bem-estar da comunidade? De que forma a sua escrita oferece alívio e reflexão?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: Ehhh! Quanto a essa questão, digo o seguinte: podemos estar no mesmo ramo, mas há quem floresça antes dos outros. A vida é cheia de desafios, e chega um momento em que começamos a questionar seu verdadeiro valor. Quando percebemos para onde estamos indo, a vida se torna nosso melhor professor.

Sucesso não é apenas perder, como muitos pensam, mas saber ganhar o dobro. Às vezes, preferimos não ter razão só para ter paz. Algumas coisas acontecem por propósito, e somos acusados sem que saibam nosso verdadeiro foco. Chamam-nos de irracionais, mas nossos pensamentos filosóficos e poéticos carregam sentido. Eu sempre digo: as palavras têm poder porque carregam significados. Deixe que eles se acostumem.


10. Qual é o papel atual do Estado angolano no apoio à cultura e à literatura, e quais mudanças você sugere? Além disso, você vê o surgimento de novos poetas e escritores na sua comunidade? Qual é a maior dificuldade que esses jovens e crianças enfrentam hoje para desenvolverem e divulgarem suas obras?


Domingos Chipunducua Cutala Chavola: O Estado angolano está a apoiar mais a cultura e a literatura com novos planos, mas ainda há desafios para os jovens escritores. Eles enfrentam falta de apoio, divulgação e acesso a livros.

O governo Angolano criou um Plano de Apoio e Promoção da Cultura (PLANACULT), aprovado em abril de 2025. Esse plano tem como objetivo:

Melhorar o ensino artístico nas áreas de música, dança, teatro, literatura, artes visuais e cinema.

Apesar disso, muitos artistas e escritores ainda sentem que o apoio não chega até às comunidades mais pequenas ou zonas rurais. Há muitos jovens com talento que escrevem poemas, contos e até livros. Eles usam redes sociais, grupos escolares e eventos locais para mostrar o seu trabalho. Mas nem todos conseguem ser vistos ou reconhecidos. A falta de bibliotecas e livros acessíveis está na base, poucas oportunidades de formação artística, dificuldade em publicar e divulgar suas obras, falta de apoio financeiro ou incentivo nas escolas.

Contudo, quero dizer com isso: melhorar, seria bom:

Criar mais bibliotecas comunitárias e clubes de leitura, apoiar editoras locais para publicar obras de jovens, promover concursos literários nas escolas e não só, dar formação gratuita em escrita criativa e literatura... Enfim, né!

Agradeço sinceramente por esta oportunidade. Esta entrevista foi mais do que uma conversa, quanto a mim foi uma experiência marcante, daquelas que ficam na memória. Raramente me senti tão inspirado e acolhido. Muito obrigado por esse momento tão especial. Grato de coração Nobre Poeta Anthony pelo convite e pelo Grêmio.


Quem é Domingos Chipunducua Cutala Chavola


Casado, 31 anos de idade,

Pai de 2 filhos (Josué e Avelinda).

Natural de Chinguar, Bié, em Angola.

Instrutor de Autoescola, Professor Teológico na Academia de Pregadores do Chinguar, Vice-Presidente da Organização Bethel/JUDEC, e desenvolvedor do Projeto Organização Bethel/JUDEC (OB/JUDEC), onde realiza atividades de ação social com crianças e adultos.

O projeto é constituído por uma equipe que atua em diversas áreas, como: Alfabetização, doações, e realização de eventos, tais como workshops, Simpósios, Fóruns e outras mais.

É Poeta da ALB, uma Academia de Literatura do Brasil, e em Angola, da AJE-SUL.