sexta-feira, outubro 30, 2026

Entrevista exclusiva com a acadêmica Creny Pereira por Anthony Rasib




 ​​​ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A POETISA CRENY PEREIRA POR ANTHONY RASIB 


​Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)

Entrevistador: Anthony Rasib Secretário-Executivo do Grêmio

​Convidada: Creny Pereira (Creni da Silva Pereira)

Qualificação: Membro acadêmico

País de Origem: Brasil (Rio Grande do Sul)

Perfil: Escritora, Poetisa, Agente Cultural, Gestora Pública e Colunista

​É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Creny Pereira, membro acadêmico do GLIP, escritora, agente cultural e uma das vozes femininas que representa o sul do Brasil. Nascida em Encruzilhada do Sul e atualmente residente em Taquari, Creny acumula uma vasta trajetória marcada por mais de 400 poesias escritas desde 1985, livros autorais como Conexão e Fragmentos do Tempo, além de forte presença no audiovisual cultural e em premiações literárias. Em uma conversa afetiva e reflexiva sob a ótica do jornalismo psicanalítico, exploramos a sua história, o compromisso social e a sensibilidade de sua escrita.


​1. Anthony Rasib


​As cidades onde construímos nossa história deixam marcas profundas em nossa sensibilidade. Natural de Encruzilhada do Sul e hoje fincando suas raízes em Taquari, de que maneira a vivência durante a sua adolescência e a passagem por essas duas cidades moldaram a sua identidade e marcaram o início da sua trajetória com a escrita em 1985?


​Creny Pereira:


Nasci em Encruzilhada do Sul e hoje tenho minhas raízes em Taquari. Cada lugar faz parte da minha história, e as experiências vividas ao longo dos anos contribuíram para a pessoa e a escritora que me tornei. Comecei a escrever em 1985, ainda jovem, e encontrei na escrita uma maneira de expressar sentimentos e colocar em palavras aquilo que nem sempre conseguimos dizer em voz alta.


​2. Anthony Rasib


​Sua obra revela uma capacidade singular de conectar a poesia tradicional a outras linguagens artísticas, especialmente no audiovisual e nas artes visuais. Como a sua vivência no Rio Grande do Sul moldou esse olhar atento, e como nasceu o desejo de transformar seus poemas em videoclipes e experiências sensoriais completas?


​Creny Pereira:


Viver no Rio Grande do Sul faz parte da minha maneira de observar o mundo, as pessoas e suas experiências. Gosto de explorar outras possibilidades para a poesia, porque acredito que um poema pode alcançar o público de diferentes maneiras. Ao unir versos, imagens e sons, procuro oferecer ao leitor uma experiência diferente, sem perder aquilo que considero mais importante: o sentimento e a mensagem que deram origem ao texto. Comecei com audiovisual quando fiz um projeto através da Lei Rouanet; o edital exigia acessibilidade para deficientes, então pensei que o audiovisual facilitaria.


​3. Anthony Rasib


​Sua poesia engajada aborda temas de grande relevância social e ambiental, como no poema premiado "Sob as águas da Amazônia" e na marcante obra "Enchente 2024", que retrata a tragédia vivenciada no Rio Grande do Sul. Como a dor e as causas sociais moldam sua sensibilidade artística, e qual é o papel do poeta diante das crises do nosso tempo?


​Creny Pereira:


Sou sensível ao sofrimento das pessoas e às questões que afetam a sociedade. A tragédia das enchentes de 2024, no Rio Grande do Sul, deixou marcas profundas, e escrever sobre esse acontecimento foi uma maneira de registrar a dor vivida por tantas pessoas. Em "Sob as águas da Amazônia", a questão ambiental também encontra espaço na minha poesia. Acredito que o poeta precisa olhar para a realidade e não se omitir diante do que acontece. A escrita não resolve tudo, mas pode despertar a consciência e ajudar a manter viva a memória de acontecimentos que não devem ser esquecidos.


​4. Anthony Rasib


​Observando sua sensibilidade artística voltada para a natureza e a preservação presente em projetos como o seu livreto de poesias ambientais e em obras que dialogam com a floresta e as águas, como você enxerga a questão ambiental no Brasil de hoje e qual é o papel da poesia e da cultura na conscientização e defesa do nosso ecossistema?


​Creny Pereira:


Acredito que a preservação ambiental precisa ser uma preocupação permanente, pois dependemos da natureza para viver. Ainda há muito a ser feito para proteger nossas florestas, nossos rios e os animais. A poesia pode contribuir para essa conscientização, porque nos permite olhar para essas questões de uma maneira sensível. Quando escrevo sobre a natureza, quero despertar no leitor o desejo de preservá-la, pois cuidar do meio ambiente é também cuidar da vida e das próximas gerações.


​5. Anthony Rasib


​Em seu poema "A Mulher", você traz uma forte mensagem sobre a resistência, a dignidade e a independência feminina. Como sua literatura busca resgatar e valorizar a força das mulheres em uma sociedade que ainda impõe tantos desafios e preconceitos?


​Creny Pereira:


Em minha escrita, procuro valorizar a mulher, sua dignidade e seu direito de fazer as próprias escolhas. Apesar dos avanços, ainda existem preconceitos e desigualdades que precisam ser enfrentados. Acredito que nenhuma mulher deve precisar abrir mão de sua identidade para ser aceita. Por meio da literatura, quero contribuir para que cada uma reconheça seu valor e tenha liberdade para construir a própria história.


​6. Anthony Rasib


​Sua escrita transita com muita naturalidade entre a emoção, o mistério e a introspecção, como vemos na coletânea Conexão e no conto "O Karma". De que maneira a exploração dos dilemas humanos, das escolhas e do autoconhecimento influenciam o seu processo de criação literária?


​Creny Pereira:


Escrever sobre os sentimentos e as experiências faz parte da vida. Tanto no livro Conexão como no livro Fragmentos do Tempo, reúno 404 páginas de poesias escritas em diferentes épocas, abordando as mudanças da vida, desde a intensidade da juventude até a profundidade da maturidade. Quero que o leitor encontre nos versos algo que também faça parte de sua história, reconheça seus próprios sentimentos e perceba que não está sozinho. Muitas vezes, lemos um poema e encontramos nele algo que sentimos, mas nunca conseguimos expressar em palavras. Também meu lema é me fazer entender; por isso uso palavras simples do cotidiano, para que todas as classes consigam entender o que quero expressar, desde o ensino fundamental até o superior. Acredito que o escritor tem que ter essa ponte com o leitor; faço questão de escrever bonito, mas que compreendam o que escrevo.


​7. Anthony Rasib


​Sua formação acadêmica é extremamente diversificada, passando pela Gestão Pública, Serviço Social, Administração, Contabilidade e Licenciatura em Português. De que forma essa síntese entre o rigor técnico, o compromisso social e a intuição poética se reflete na organização e na mensagem dos seus projetos culturais?


​Creny Pereira:


Minha formação em diferentes áreas me proporcionou conhecimentos que se complementam. A parte técnica contribui para o planejamento e a organização dos projetos, enquanto o Serviço Social amplia meu olhar para as necessidades das pessoas e para as questões sociais. Já a formação em Português fortalece minha relação com a linguagem. Procuro reunir esses conhecimentos para desenvolver projetos culturais com responsabilidade, sem deixar de lado a criatividade e a liberdade artística.


​8. Anthony Rasib


​A literatura tem o poder de unir povos e cultivar a solidariedade internacional. Como membro acadêmico do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP), o que você busca transmitir aos leitores e autores ao redor do mundo sobre a riqueza da alma e da literatura brasileira?


​Creny Pereira:


Como escritora brasileira e membro acadêmico do GLIP, considero importante compartilhar minha produção literária e participar desse encontro entre autores de diferentes lugares. A literatura brasileira é rica em experiências, sentimentos e formas de expressão. Por meio dos meus textos, levo um pouco da minha maneira de enxergar a vida, das minhas referências. Acredito que a literatura aproxima as pessoas porque muitos sentimentos são comuns, mesmo quando vivemos em países e culturas diferentes.


​9. Anthony Rasib


​Vivemos em uma era de intensa inovação tecnológica. Na sua opinião, qual é o papel da Inteligência Artificial no cenário literário atual? Ela realmente ajuda os escritores em seu processo criativo e produtivo ou representa um desafio à essência da arte humana?


​Creny Pereira:


A Inteligência Artificial pode ajudar na pesquisa, na revisão e na organização de ideias, desde que seja utilizada com responsabilidade. No entanto, considero importante preservar a autoria e respeitar o trabalho de outros escritores. A ferramenta pode auxiliar, mas cabe ao autor decidir o que deseja expressar e responder pelo texto que publica. A tecnologia oferece possibilidades, porém não deve servir de justificativa para o plágio nem para o abandono da identidade literária de cada escritor.


​10. Anthony Rasib


​Para encerrar nossa conversa, existem muitas meninas e mulheres espalhadas pelo Brasil com um talento imenso para a literatura, mas que, por medo, falta de oportunidade ou insegurança, guardam suas vozes e não escrevem. Que mensagem ou conselho você deixaria para todas as "Crenys" que têm o potencial para transformar o mundo através das palavras, mas ainda não deram o primeiro passo?


​Creny Pereira:


Eu diria que comecem, mesmo que ainda tenham dúvidas sobre a própria capacidade. Nunca é tarde para estudar e escrever; eu sou um exemplo vivo, me formei com 54 anos. Tudo tem seu tempo: quando jovem não pude estudar e, adulta, tive um único filho e criei sozinha — primeiro quis formar ele em medicina. Então só tive recursos financeiros aos 50 anos para poder estudar, mas isso nunca foi motivo para eu deixar de escrever. Nem sempre haverá reconhecimento imediato, mas isso não deve impedir ninguém de tentar. O mais importante é não deixar que o medo silencie uma voz que ainda tem muito a dizer.


​11. Anthony Rasib


​Creny, conduzir esta conversa sob a ótica do jornalismo psicanalítico nos levou muito além dos fatos, mergulhando nas camadas mais profundas da sua memória, das suas raízes e da sua essência enquanto artista e mulher. Olhando para todo esse percurso que revisitamos agora, o que você sentiu ao ser provocada a pensar tão profundamente sobre a sua trajetória, e qual foi a sua impressão sobre a experiência de participar desta entrevista?


​Creny Pereira:


Foi interessante parar para pensar na minha trajetória e recordar o quanto a escrita está presente na minha vida desde 1985. Muitas vezes, seguimos escrevendo, estudando e desenvolvendo projetos sem parar para olhar o caminho que percorremos. Esta entrevista me deu a oportunidade de falar sobre minhas obras, minhas ideias e os assuntos que considero importantes. Gostei da experiência porque pude compartilhar um pouco de quem sou por meio da literatura e refletir sobre o significado que a escrita tem para mim. Ainda tenho muito a escrever e aprender, e quero continuar fazendo isso com liberdade e respeito àquilo em que acredito.


​Nota Autoral da Convidada:


"Meus temas preferidos: abandono infantil, depressão, meio ambiente, autismo, perdas e recomeço. Gosto de escrever sobre a realidade, escrevo o que sinto ou já senti; se o tema não combina comigo, dificilmente tenho interesse. Já deixei de participar de vários concursos literários, pois se eu participasse não seria com alma verdadeira, faria apenas para concorrer. Minha escrita é sentida, autêntica, são experiências únicas e todas elas têm uma parte de mim. Agradeço imensamente a oportunidade e coloco-me à disposição do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) para futuros trabalhos e parcerias." — Creny Pereira



​Você pode ver o trabalho e contato dela aqui:


https://www.instagram.com/crenypereirapoesias/


​Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)


Entrevistador: Anthony Rasib Secretário-Executivo do Grêmio


​Convidada: Creny Pereira (Creni da Silva Pereira)


Qualificação: Membro acadêmico


País de Origem: Brasil (Rio Grande do Sul)


Perfil: Escritora, Poetisa, Agente Cultural, Gestora Pública e Colunista


​É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Creny Pereira, membro acadêmico do GLIP, escritora, agente cultural e uma das vozes femininas que representa o sul do Brasil. Nascida em Encruzilhada do Sul e atualmente residente em Taquari, Creny acumula uma vasta trajetória marcada por mais de 400 poesias escritas desde 1985, livros autorais como Conexão e Fragmentos do Tempo, além de forte presença no audiovisual cultural e em premiações literárias. Em uma conversa afetiva e reflexiva sob a ótica do jornalismo psicanalítico, exploramos a sua história, o compromisso social e a sensibilidade de sua escrita.


​1. Anthony Rasib


​As cidades onde construímos nossa história deixam marcas profundas em nossa sensibilidade. Natural de Encruzilhada do Sul e hoje fincando suas raízes em Taquari, de que maneira a vivência durante a sua adolescência e a passagem por essas duas cidades moldaram a sua identidade e marcaram o início da sua trajetória com a escrita em 1985?


​Creny Pereira:


Nasci em Encruzilhada do Sul e hoje tenho minhas raízes em Taquari. Cada lugar faz parte da minha história, e as experiências vividas ao longo dos anos contribuíram para a pessoa e a escritora que me tornei. Comecei a escrever em 1985, ainda jovem, e encontrei na escrita uma maneira de expressar sentimentos e colocar em palavras aquilo que nem sempre conseguimos dizer em voz alta.


​2. Anthony Rasib


​Sua obra revela uma capacidade singular de conectar a poesia tradicional a outras linguagens artísticas, especialmente no audiovisual e nas artes visuais. Como a sua vivência no Rio Grande do Sul moldou esse olhar atento, e como nasceu o desejo de transformar seus poemas em videoclipes e experiências sensoriais completas?


​Creny Pereira:


Viver no Rio Grande do Sul faz parte da minha maneira de observar o mundo, as pessoas e suas experiências. Gosto de explorar outras possibilidades para a poesia, porque acredito que um poema pode alcançar o público de diferentes maneiras. Ao unir versos, imagens e sons, procuro oferecer ao leitor uma experiência diferente, sem perder aquilo que considero mais importante: o sentimento e a mensagem que deram origem ao texto. Comecei com audiovisual quando fiz um projeto através da Lei Rouanet; o edital exigia acessibilidade para deficientes, então pensei que o audiovisual facilitaria.


​3. Anthony Rasib


​Sua poesia engajada aborda temas de grande relevância social e ambiental, como no poema premiado "Sob as águas da Amazônia" e na marcante obra "Enchente 2024", que retrata a tragédia vivenciada no Rio Grande do Sul. Como a dor e as causas sociais moldam sua sensibilidade artística, e qual é o papel do poeta diante das crises do nosso tempo?


​Creny Pereira:


Sou sensível ao sofrimento das pessoas e às questões que afetam a sociedade. A tragédia das enchentes de 2024, no Rio Grande do Sul, deixou marcas profundas, e escrever sobre esse acontecimento foi uma maneira de registrar a dor vivida por tantas pessoas. Em "Sob as águas da Amazônia", a questão ambiental também encontra espaço na minha poesia. Acredito que o poeta precisa olhar para a realidade e não se omitir diante do que acontece. A escrita não resolve tudo, mas pode despertar a consciência e ajudar a manter viva a memória de acontecimentos que não devem ser esquecidos.


​4. Anthony Rasib


​Observando sua sensibilidade artística voltada para a natureza e a preservação presente em projetos como o seu livreto de poesias ambientais e em obras que dialogam com a floresta e as águas, como você enxerga a questão ambiental no Brasil de hoje e qual é o papel da poesia e da cultura na conscientização e defesa do nosso ecossistema?


​Creny Pereira:


Acredito que a preservação ambiental precisa ser uma preocupação permanente, pois dependemos da natureza para viver. Ainda há muito a ser feito para proteger nossas florestas, nossos rios e os animais. A poesia pode contribuir para essa conscientização, porque nos permite olhar para essas questões de uma maneira sensível. Quando escrevo sobre a natureza, quero despertar no leitor o desejo de preservá-la, pois cuidar do meio ambiente é também cuidar da vida e das próximas gerações.


​5. Anthony Rasib


​Em seu poema "A Mulher", você traz uma forte mensagem sobre a resistência, a dignidade e a independência feminina. Como sua literatura busca resgatar e valorizar a força das mulheres em uma sociedade que ainda impõe tantos desafios e preconceitos?


​Creny Pereira:


Em minha escrita, procuro valorizar a mulher, sua dignidade e seu direito de fazer as próprias escolhas. Apesar dos avanços, ainda existem preconceitos e desigualdades que precisam ser enfrentados. Acredito que nenhuma mulher deve precisar abrir mão de sua identidade para ser aceita. Por meio da literatura, quero contribuir para que cada uma reconheça seu valor e tenha liberdade para construir a própria história.


​6. Anthony Rasib


​Sua escrita transita com muita naturalidade entre a emoção, o mistério e a introspecção, como vemos na coletânea Conexão e no conto "O Karma". De que maneira a exploração dos dilemas humanos, das escolhas e do autoconhecimento influenciam o seu processo de criação literária?


​Creny Pereira:


Escrever sobre os sentimentos e as experiências faz parte da vida. Tanto no livro Conexão como no livro Fragmentos do Tempo, reúno 404 páginas de poesias escritas em diferentes épocas, abordando as mudanças da vida, desde a intensidade da juventude até a profundidade da maturidade. Quero que o leitor encontre nos versos algo que também faça parte de sua história, reconheça seus próprios sentimentos e perceba que não está sozinho. Muitas vezes, lemos um poema e encontramos nele algo que sentimos, mas nunca conseguimos expressar em palavras. Também meu lema é me fazer entender; por isso uso palavras simples do cotidiano, para que todas as classes consigam entender o que quero expressar, desde o ensino fundamental até o superior. Acredito que o escritor tem que ter essa ponte com o leitor; faço questão de escrever bonito, mas que compreendam o que escrevo.


​7. Anthony Rasib


​Sua formação acadêmica é extremamente diversificada, passando pela Gestão Pública, Serviço Social, Administração, Contabilidade e Licenciatura em Português. De que forma essa síntese entre o rigor técnico, o compromisso social e a intuição poética se reflete na organização e na mensagem dos seus projetos culturais?


​Creny Pereira:


Minha formação em diferentes áreas me proporcionou conhecimentos que se complementam. A parte técnica contribui para o planejamento e a organização dos projetos, enquanto o Serviço Social amplia meu olhar para as necessidades das pessoas e para as questões sociais. Já a formação em Português fortalece minha relação com a linguagem. Procuro reunir esses conhecimentos para desenvolver projetos culturais com responsabilidade, sem deixar de lado a criatividade e a liberdade artística.


​8. Anthony Rasib


​A literatura tem o poder de unir povos e cultivar a solidariedade internacional. Como membro acadêmico do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP), o que você busca transmitir aos leitores e autores ao redor do mundo sobre a riqueza da alma e da literatura brasileira?


​Creny Pereira:


Como escritora brasileira e membro acadêmico do GLIP, considero importante compartilhar minha produção literária e participar desse encontro entre autores de diferentes lugares. A literatura brasileira é rica em experiências, sentimentos e formas de expressão. Por meio dos meus textos, levo um pouco da minha maneira de enxergar a vida, das minhas referências. Acredito que a literatura aproxima as pessoas porque muitos sentimentos são comuns, mesmo quando vivemos em países e culturas diferentes.


​9. Anthony Rasib


​Vivemos em uma era de intensa inovação tecnológica. Na sua opinião, qual é o papel da Inteligência Artificial no cenário literário atual? Ela realmente ajuda os escritores em seu processo criativo e produtivo ou representa um desafio à essência da arte humana?


​Creny Pereira:


A Inteligência Artificial pode ajudar na pesquisa, na revisão e na organização de ideias, desde que seja utilizada com responsabilidade. No entanto, considero importante preservar a autoria e respeitar o trabalho de outros escritores. A ferramenta pode auxiliar, mas cabe ao autor decidir o que deseja expressar e responder pelo texto que publica. A tecnologia oferece possibilidades, porém não deve servir de justificativa para o plágio nem para o abandono da identidade literária de cada escritor.


​10. Anthony Rasib


​Para encerrar nossa conversa, existem muitas meninas e mulheres espalhadas pelo Brasil com um talento imenso para a literatura, mas que, por medo, falta de oportunidade ou insegurança, guardam suas vozes e não escrevem. Que mensagem ou conselho você deixaria para todas as "Crenys" que têm o potencial para transformar o mundo através das palavras, mas ainda não deram o primeiro passo?


​Creny Pereira:


Eu diria que comecem, mesmo que ainda tenham dúvidas sobre a própria capacidade. Nunca é tarde para estudar e escrever; eu sou um exemplo vivo, me formei com 54 anos. Tudo tem seu tempo: quando jovem não pude estudar e, adulta, tive um único filho e criei sozinha — primeiro quis formar ele em medicina. Então só tive recursos financeiros aos 50 anos para poder estudar, mas isso nunca foi motivo para eu deixar de escrever. Nem sempre haverá reconhecimento imediato, mas isso não deve impedir ninguém de tentar. O mais importante é não deixar que o medo silencie uma voz que ainda tem muito a dizer.


​11. Anthony Rasib


​Creny, conduzir esta conversa sob a ótica do jornalismo psicanalítico nos levou muito além dos fatos, mergulhando nas camadas mais profundas da sua memória, das suas raízes e da sua essência enquanto artista e mulher. Olhando para todo esse percurso que revisitamos agora, o que você sentiu ao ser provocada a pensar tão profundamente sobre a sua trajetória, e qual foi a sua impressão sobre a experiência de participar desta entrevista?


​Creny Pereira:


Foi interessante parar para pensar na minha trajetória e recordar o quanto a escrita está presente na minha vida desde 1985. Muitas vezes, seguimos escrevendo, estudando e desenvolvendo projetos sem parar para olhar o caminho que percorremos. Esta entrevista me deu a oportunidade de falar sobre minhas obras, minhas ideias e os assuntos que considero importantes. Gostei da experiência porque pude compartilhar um pouco de quem sou por meio da literatura e refletir sobre o significado que a escrita tem para mim. Ainda tenho muito a escrever e aprender, e quero continuar fazendo isso com liberdade e respeito àquilo em que acredito.


​Nota Autoral da Convidada:


"Meus temas preferidos: abandono infantil, depressão, meio ambiente, autismo, perdas e recomeço. Gosto de escrever sobre a realidade, escrevo o que sinto ou já senti; se o tema não combina comigo, dificilmente tenho interesse. Já deixei de participar de vários concursos literários, pois se eu participasse não seria com alma verdadeira, faria apenas para concorrer. Minha escrita é sentida, autêntica, são experiências únicas e todas elas têm uma parte de mim. Agradeço imensamente a oportunidade e coloco-me à disposição do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) para futuros trabalhos e parcerias." — Creny Pereira



​Você pode ver o trabalho e contato dela aqui:


https://www.instagram.com/crenypereirapoesias/


​Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)


Entrevistador: Anthony Rasib Secretário-Executivo do Grêmio


​Convidada: Creny Pereira (Creni da Silva Pereira)


Qualificação: Membro acadêmico


País de Origem: Brasil (Rio Grande do Sul)


Perfil: Escritora, Poetisa, Agente Cultural, Gestora Pública e Colunista


​É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Creny Pereira, membro acadêmico do GLIP, escritora, agente cultural e uma das vozes femininas que representa o sul do Brasil. Nascida em Encruzilhada do Sul e atualmente residente em Taquari, Creny acumula uma vasta trajetória marcada por mais de 400 poesias escritas desde 1985, livros autorais como Conexão e Fragmentos do Tempo, além de forte presença no audiovisual cultural e em premiações literárias. Em uma conversa afetiva e reflexiva sob a ótica do jornalismo psicanalítico, exploramos a sua história, o compromisso social e a sensibilidade de sua escrita.


​1. Anthony Rasib


​As cidades onde construímos nossa história deixam marcas profundas em nossa sensibilidade. Natural de Encruzilhada do Sul e hoje fincando suas raízes em Taquari, de que maneira a vivência durante a sua adolescência e a passagem por essas duas cidades moldaram a sua identidade e marcaram o início da sua trajetória com a escrita em 1985?


​Creny Pereira:


Nasci em Encruzilhada do Sul e hoje tenho minhas raízes em Taquari. Cada lugar faz parte da minha história, e as experiências vividas ao longo dos anos contribuíram para a pessoa e a escritora que me tornei. Comecei a escrever em 1985, ainda jovem, e encontrei na escrita uma maneira de expressar sentimentos e colocar em palavras aquilo que nem sempre conseguimos dizer em voz alta.


​2. Anthony Rasib


​Sua obra revela uma capacidade singular de conectar a poesia tradicional a outras linguagens artísticas, especialmente no audiovisual e nas artes visuais. Como a sua vivência no Rio Grande do Sul moldou esse olhar atento, e como nasceu o desejo de transformar seus poemas em videoclipes e experiências sensoriais completas?


​Creny Pereira:


Viver no Rio Grande do Sul faz parte da minha maneira de observar o mundo, as pessoas e suas experiências. Gosto de explorar outras possibilidades para a poesia, porque acredito que um poema pode alcançar o público de diferentes maneiras. Ao unir versos, imagens e sons, procuro oferecer ao leitor uma experiência diferente, sem perder aquilo que considero mais importante: o sentimento e a mensagem que deram origem ao texto. Comecei com audiovisual quando fiz um projeto através da Lei Rouanet; o edital exigia acessibilidade para deficientes, então pensei que o audiovisual facilitaria.


​3. Anthony Rasib


​Sua poesia engajada aborda temas de grande relevância social e ambiental, como no poema premiado "Sob as águas da Amazônia" e na marcante obra "Enchente 2024", que retrata a tragédia vivenciada no Rio Grande do Sul. Como a dor e as causas sociais moldam sua sensibilidade artística, e qual é o papel do poeta diante das crises do nosso tempo?


​Creny Pereira:


Sou sensível ao sofrimento das pessoas e às questões que afetam a sociedade. A tragédia das enchentes de 2024, no Rio Grande do Sul, deixou marcas profundas, e escrever sobre esse acontecimento foi uma maneira de registrar a dor vivida por tantas pessoas. Em "Sob as águas da Amazônia", a questão ambiental também encontra espaço na minha poesia. Acredito que o poeta precisa olhar para a realidade e não se omitir diante do que acontece. A escrita não resolve tudo, mas pode despertar a consciência e ajudar a manter viva a memória de acontecimentos que não devem ser esquecidos.


​4. Anthony Rasib


​Observando sua sensibilidade artística voltada para a natureza e a preservação presente em projetos como o seu livreto de poesias ambientais e em obras que dialogam com a floresta e as águas, como você enxerga a questão ambiental no Brasil de hoje e qual é o papel da poesia e da cultura na conscientização e defesa do nosso ecossistema?


​Creny Pereira:


Acredito que a preservação ambiental precisa ser uma preocupação permanente, pois dependemos da natureza para viver. Ainda há muito a ser feito para proteger nossas florestas, nossos rios e os animais. A poesia pode contribuir para essa conscientização, porque nos permite olhar para essas questões de uma maneira sensível. Quando escrevo sobre a natureza, quero despertar no leitor o desejo de preservá-la, pois cuidar do meio ambiente é também cuidar da vida e das próximas gerações.


​5. Anthony Rasib


​Em seu poema "A Mulher", você traz uma forte mensagem sobre a resistência, a dignidade e a independência feminina. Como sua literatura busca resgatar e valorizar a força das mulheres em uma sociedade que ainda impõe tantos desafios e preconceitos?


​Creny Pereira:


Em minha escrita, procuro valorizar a mulher, sua dignidade e seu direito de fazer as próprias escolhas. Apesar dos avanços, ainda existem preconceitos e desigualdades que precisam ser enfrentados. Acredito que nenhuma mulher deve precisar abrir mão de sua identidade para ser aceita. Por meio da literatura, quero contribuir para que cada uma reconheça seu valor e tenha liberdade para construir a própria história.


​6. Anthony Rasib


​Sua escrita transita com muita naturalidade entre a emoção, o mistério e a introspecção, como vemos na coletânea Conexão e no conto "O Karma". De que maneira a exploração dos dilemas humanos, das escolhas e do autoconhecimento influenciam o seu processo de criação literária?


​Creny Pereira:


Escrever sobre os sentimentos e as experiências faz parte da vida. Tanto no livro Conexão como no livro Fragmentos do Tempo, reúno 404 páginas de poesias escritas em diferentes épocas, abordando as mudanças da vida, desde a intensidade da juventude até a profundidade da maturidade. Quero que o leitor encontre nos versos algo que também faça parte de sua história, reconheça seus próprios sentimentos e perceba que não está sozinho. Muitas vezes, lemos um poema e encontramos nele algo que sentimos, mas nunca conseguimos expressar em palavras. Também meu lema é me fazer entender; por isso uso palavras simples do cotidiano, para que todas as classes consigam entender o que quero expressar, desde o ensino fundamental até o superior. Acredito que o escritor tem que ter essa ponte com o leitor; faço questão de escrever bonito, mas que compreendam o que escrevo.


​7. Anthony Rasib


​Sua formação acadêmica é extremamente diversificada, passando pela Gestão Pública, Serviço Social, Administração, Contabilidade e Licenciatura em Português. De que forma essa síntese entre o rigor técnico, o compromisso social e a intuição poética se reflete na organização e na mensagem dos seus projetos culturais?


​Creny Pereira:


Minha formação em diferentes áreas me proporcionou conhecimentos que se complementam. A parte técnica contribui para o planejamento e a organização dos projetos, enquanto o Serviço Social amplia meu olhar para as necessidades das pessoas e para as questões sociais. Já a formação em Português fortalece minha relação com a linguagem. Procuro reunir esses conhecimentos para desenvolver projetos culturais com responsabilidade, sem deixar de lado a criatividade e a liberdade artística.


​8. Anthony Rasib


​A literatura tem o poder de unir povos e cultivar a solidariedade internacional. Como membro acadêmico do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP), o que você busca transmitir aos leitores e autores ao redor do mundo sobre a riqueza da alma e da literatura brasileira?


​Creny Pereira:


Como escritora brasileira e membro acadêmico do GLIP, considero importante compartilhar minha produção literária e participar desse encontro entre autores de diferentes lugares. A literatura brasileira é rica em experiências, sentimentos e formas de expressão. Por meio dos meus textos, levo um pouco da minha maneira de enxergar a vida, das minhas referências. Acredito que a literatura aproxima as pessoas porque muitos sentimentos são comuns, mesmo quando vivemos em países e culturas diferentes.


​9. Anthony Rasib


​Vivemos em uma era de intensa inovação tecnológica. Na sua opinião, qual é o papel da Inteligência Artificial no cenário literário atual? Ela realmente ajuda os escritores em seu processo criativo e produtivo ou representa um desafio à essência da arte humana?


​Creny Pereira:


A Inteligência Artificial pode ajudar na pesquisa, na revisão e na organização de ideias, desde que seja utilizada com responsabilidade. No entanto, considero importante preservar a autoria e respeitar o trabalho de outros escritores. A ferramenta pode auxiliar, mas cabe ao autor decidir o que deseja expressar e responder pelo texto que publica. A tecnologia oferece possibilidades, porém não deve servir de justificativa para o plágio nem para o abandono da identidade literária de cada escritor.


​10. Anthony Rasib


​Para encerrar nossa conversa, existem muitas meninas e mulheres espalhadas pelo Brasil com um talento imenso para a literatura, mas que, por medo, falta de oportunidade ou insegurança, guardam suas vozes e não escrevem. Que mensagem ou conselho você deixaria para todas as "Crenys" que têm o potencial para transformar o mundo através das palavras, mas ainda não deram o primeiro passo?


​Creny Pereira:


Eu diria que comecem, mesmo que ainda tenham dúvidas sobre a própria capacidade. Nunca é tarde para estudar e escrever; eu sou um exemplo vivo, me formei com 54 anos. Tudo tem seu tempo: quando jovem não pude estudar e, adulta, tive um único filho e criei sozinha — primeiro quis formar ele em medicina. Então só tive recursos financeiros aos 50 anos para poder estudar, mas isso nunca foi motivo para eu deixar de escrever. Nem sempre haverá reconhecimento imediato, mas isso não deve impedir ninguém de tentar. O mais importante é não deixar que o medo silencie uma voz que ainda tem muito a dizer.


​11. Anthony Rasib


​Creny, conduzir esta conversa sob a ótica do jornalismo psicanalítico nos levou muito além dos fatos, mergulhando nas camadas mais profundas da sua memória, das suas raízes e da sua essência enquanto artista e mulher. Olhando para todo esse percurso que revisitamos agora, o que você sentiu ao ser provocada a pensar tão profundamente sobre a sua trajetória, e qual foi a sua impressão sobre a experiência de participar desta entrevista?


​Creny Pereira:


Foi interessante parar para pensar na minha trajetória e recordar o quanto a escrita está presente na minha vida desde 1985. Muitas vezes, seguimos escrevendo, estudando e desenvolvendo projetos sem parar para olhar o caminho que percorremos. Esta entrevista me deu a oportunidade de falar sobre minhas obras, minhas ideias e os assuntos que considero importantes. Gostei da experiência porque pude compartilhar um pouco de quem sou por meio da literatura e refletir sobre o significado que a escrita tem para mim. Ainda tenho muito a escrever e aprender, e quero continuar fazendo isso com liberdade e respeito àquilo em que acredito.


​Nota Autoral da Convidada:


"Meus temas preferidos: abandono infantil, depressão, meio ambiente, autismo, perdas e recomeço. Gosto de escrever sobre a realidade, escrevo o que sinto ou já senti; se o tema não combina comigo, dificilmente tenho interesse. Já deixei de participar de vários concursos literários, pois se eu participasse não seria com alma verdadeira, faria apenas para concorrer. Minha escrita é sentida, autêntica, são experiências únicas e todas elas têm uma parte de mim. Agradeço imensamente a oportunidade e coloco-me à disposição do Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) para futuros trabalhos e parcerias." — Creny Pereira



​Você pode ver o trabalho e contato dela aqui:


https://www.instagram.com/crenypereirapoesias/

terça-feira, outubro 20, 2026

Piano mudo de Rodrigo Poeta



Piano mudo

Homenagem para Benito de Paula

 (1941-2026 )


Nos retalhos de cetim

Chora a noite no surdo

O piano ficou mudo

O silêncio enfim..


Vai Benito de Paula

Brilhar na melodia 

Das estrelas do seu tamborim 

Em verso e prosa assim...


Nos retalhos de cetim

Ah! Como amei escutar 

Do jeito que a vida quer

Estes versos assim...


Charlie Brown recebe você 

De braços abertos,

Hoje o samba é você 

Aos braços dos versos...


Nos retalhos de cetim

Chora a noite no surdo

O piano ficou mudo

O silêncio enfim...


Rodrigo Poeta - 18/10/2026

quinta-feira, outubro 08, 2026

BALA PERDIDA POR RODRIGO POETA & RICARDO FRANÇA

 



Bala Perdida


Voa na direção 

Do inocente 

Em meio ao caos

Da estatística carioca


Voa na direção 

A entorpecer o coração 

Num instante vital

Para morte numa guerra


Voa Bala Perdida

Voa graças a um fuzil

Contrabandeado além mar

Para o caos e o medo prevalecer


Quem, nesse instante, apertou

O gatilho dos tiros intermitentes?

Projéteis sem GPS que matam indiferentes?

O voo das balas perdidas

Balas de chumbo, as bandidas,

Já levaram tanta gente da gente

Trabalhadores, crianças, inocentes


Sonhos interrompidos após

O metralhar dos estampidos

As vidas que sobram desse vazio

Territórios de violência no cio

Sangram traumas em hemorragia,

Talvez retornar às cavernas

Seja a liberdade escondida?


O gatilho foi apertado

Pela desigualdade nos olhos

Fixos de um transeunte 

A escrever na calçada 

Versos aleatórios 

Numa gravata perdida

Na Candelária...


Ponto final do 397,

Que saiu da Zona Oeste

A registrar a pandemia 

Do Silêncio na Avenida Brasil.


Avenida do vai e vem,

Onde banqueiro faz festa

E político faz Carnaval

Para alienar a massa.


Lá, bala perdida não passa

Nem pelo céu, nem pela fresta

A bala bruta e vil doentia

A bala que fere e mata

A bala patológica do sujeito mau

De covarde valentia

Filha do fuzil do mal

E da covardia.


(Rodrigo Poeta & Ricardo França)

23.9.2026

sábado, setembro 26, 2026

POEMA DE RODRIGO POETA EXPOSTO NA ALDEIA MARACANÃ

*Poema "Onde está a Caridade?"
de Rodrigo Poeta. 

*No dia 21 de setembro o poema "Onde está a caridade?" de Rodrigo Poeta foi exposto no evento Um poema em cada árvore. Evento realizado pelo escritor carioca Mário Rezende.  O evento ocorre na Aldeia Maracanã no Rio de Janeiro/RJ em comemoração ao Dia da Árvore. O escritor Mário Rezende é um grande ativista cultural e também defende a causa ambiental com suas fotografias na capital fluminense. O poema do escritor Rodrigo Poeta foi feito no dia 05 de setembro, dia que se comemora a Caridade. O poema é uma forte crítica ao genocídio feito pelas autoridades de Israel ao povo palestino em Gaza.

Segue abaixo outras fotos de Mário Rezende sobre o evento:



sexta-feira, setembro 11, 2026

Entrevista exclusiva com a escritora Mimoza Zymeri de Kosovo por Anthony Rasib

 
ENTREVISTA EXCLUSIVA

Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)


Entrevistador e Tradutor: Anthony Rasib, Secretário Executivo do GLIP


Convidada: Mimoza Zymeri

País de Origem: Kosovo (Residente na Alemanha)

Perfil: Escritora, Poetisa, Economista e Enfermeira


É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Mimoza Zymeri, uma das vozes mais sensíveis da literatura contemporânea kosovar no exterior. Nascida em Ferizaj, Kosovo, e atualmente radicada na Alemanha, Mimoza é autora de obras marcantes como a coletânea de poesias A Força da Gentileza e o livro de prosa Ame a Si Mesmo. Em uma conversa afetiva e reflexiva, exploramos a infância, as primeiras memórias com a palavra escrita, as raízes de sua terra natal e como a sensibilidade cultivada na juventude se transforma em poesia para o mundo.


1. Anthony Rasib: Dizem que a infância é o solo onde nascem os nossos maiores talentos. Ao relembrar seus primeiros anos no Kosovo, em que momento ou situação você percebeu que a poesia e a literatura seriam a sua forma de traduzir o mundo e dar voz aos seus sentimentos mais profundos?


Mimoza Zymeri: Olhando para a minha infância, a memória mais remota que me habita é aos seis anos, quando aprendi a ler. Durante o dia, eu sempre tinha um livro nas mãos em vez de brinquedos, motivada pelo desejo de ler exatamente como um adulto. Sem notar, eu já tecia uma relação singular com o universo das palavras. Naquela idade, eu não sabia qual lugar a poesia e a literatura eventualmente teriam na minha vida. Mas eu sentia que, através das palavras, podia descobrir novos mundos, me compreender mais profundamente e expressar coisas que às vezes eram difíceis de dizer de qualquer outra forma. Um ano mais tarde, aos sete, subi ao palco pela primeira vez para declamar. No Kosovo, ao final de cada ano letivo, era organizado um evento onde toda a escola se reunia com os familiares. Para mim, aquele momento foi muito mais do que uma recitação. Foi a primeira vez que senti que algo vindo do meu mundo interior podia viajar através da minha voz e tocar o coração de outras pessoas. Hoje, quando penso naquela garotinha, parece que a poesia e a literatura me encontraram antes mesmo que eu saísse à procura delas. Talvez alguns dos dons que carregamos dentro de nós não sejam coisas que escolhemos conscientemente; eles se revelam naturalmente e nos convidam a segui-los. Para mim, a poesia e a literatura se tornaram exatamente isso: uma forma de entender o mundo, de me ouvir mais profundamente e de dar voz a sentimentos que muitas vezes não podem ser expressos por palavras comuns. E acredito que aquela garotinha de seis anos, com um livro nas mãos, já estava me mostrando uma parte do meu caminho.


2.Anthony Rasib: Muitas vezes a poesia nasce da capacidade de enxergar o extraordinário nas coisas simples da vida. Como a sua infância em Ferizaj e seus anos de formação em Prishtina moldaram esse seu jeito especial de observar o mundo, e como essa essência dos seus primeiros anos permanece presente no seu processo criativo?


Mimoza Zymeri: Acho que a minha infância em Ferizaj me ensinou a contemplar a vida através do sentir. Eu era naturalmente atraída pelas coisas pequeninas e aparentemente comuns ao meu redor — as pessoas, suas expressões, suas histórias, a atmosfera da vida cotidiana. Mesmo quando criança, eu era sensível ao que acontecia abaixo da superfície, embora ainda não tivesse palavras para explicar. Ao trilhar meus anos de formação em Prishtina, essa sensibilidade gradualmente se tornou uma consciência mais profunda. Fiquei mais consciente de mim mesma, das minhas emoções, das pessoas ao meu redor e do mundo que eu estava descobrindo. Prishtina abriu um espaço mais amplo para eu pensar, questionar, observar e, talvez o mais importante, decifrar o que se passava no meu íntimo. Acredito que isso ainda está presente no meu processo criativo hoje. Muitas vezes encontro inspiração não em eventos extraordinários, mas nos detalhes silenciosos da vida — um olhar, um silêncio, uma memória, um momento simples que carrega uma emoção mais profunda. Talvez tenha sido isso que meus primeiros anos me ensinaram: que sempre há algo mais por trás do que vemos. Quando ficamos calmos o suficiente para ouvir, até os momentos mais simples podem revelar algo significativo. E acho que é aí que minha escrita começa. Observo o mundo, mas, ao mesmo tempo, escuto o que ele desperta dentro de mim. O que antes eu vivenciava intuitivamente quando criança tornou-se, com o tempo, uma parte da linguagem consciente do meu criar.


3.Anthony Rasib: Seu poema premiado traz no título uma linda metáfora: "Kosovo, Filha das Tempestades e do Brilho do Sol". Como essa dualidade entre momentos difíceis e de luz moldou a sua sensibilidade artística, e como é expressar o amor pelas suas raízes vivendo hoje no contexto cultural da Alemanha?


Mimoza Zymeri: Para mim, Kosovo, Daughter of Storms and Sunshine (Kosovo, Filha das Tempestades e do Brilho do Sol) é mais do que um título. Carrega uma parte da minha história pessoal, mas também algo mais profundo sobre o espírito do lugar de onde venho. Eu era muito jovem quando vivenciei parte da destruição causada pela guerra no Kosovo. Aquelas memórias se tornaram parte da minha paisagem interior, mas nunca quis que elas definissem toda a minha história. Ao lado da dor, também me lembro da força das pessoas, da sua coragem, do seu amor e da sua capacidade de continuar acreditando na vida. Talvez seja daí que vem o significado das tempestades e do brilho do sol para mim. A vida pode conter ambos ao mesmo tempo. Podemos carregar memórias difíceis dentro de nós e, ainda assim, escolher a esperança. Podemos reconhecer o que nos feriu sem permitir que isso tire nossa capacidade de amar, de criar e de seguir em frente. Acredito que algumas das formas mais profundas de criatividade nascem quando transformamos o que vivemos em algo que possa trazer significado, conexão ou luz para os outros. Para mim, a escrita se tornou uma dessas formas. Não escrevo para permanecer na dor do passado, mas para dar-lhe voz, para compreendê-la e, às vezes, para transformá-la em algo curativo. Meu amor pelo Kosovo está profundamente conectado às minhas raízes — à minha língua, à minha infância, às minhas memórias, ao meu povo e a tudo o que moldou a pessoa que me tornei. Viver na Alemanha não me fez sentir mais distante dessas raízes. Em muitos aspectos, a distância me permitiu enxergá-las com mais clareza e apreciá-las mais profundamente. Também aprendi que abraçar outra cultura não significa deixar a sua para trás. Podemos abrir nossos corações para um novo mundo enquanto permanecemos conectados de onde começamos. Nossas raízes podem viajar conosco. E talvez seja isso que Daughter of Storms and Sunshine em última análise significa para mim: venho de um lugar que conheceu tempestades, mas também uma luz extraordinária. E carrego ambos dentro de mim — não como opostos, mas como duas partes da mesma história. Hoje, quando crio, escolho dar mais espaço à luz. Não porque esqueci as tempestades, mas porque sei que a luz se torna ainda mais preciosa quando conhecemos a escuridão.


4.Anthony Rasib: Ao longo de sua jornada como escritora, você construiu um acervo literário marcante. Quantos livros você já publicou até hoje e em quais idiomas suas obras e poesias já estão disponíveis para os leitores ao redor do mundo?


Mimoza Zymeri: Até agora, publiquei dois livros, ambos em albanês. Para mim, cada um deles representa uma parte da minha jornada interior e uma forma de compartilhar com os outros o que vivenciei e senti. Também tenho poesias publicadas em inglês, enquanto o meu terceiro livro será publicado em breve. Já comecei a trabalhar nas traduções e, em breve, meus livros também estarão disponíveis em inglês. Estou trabalhando com grande dedicação para permitir que minhas palavras viagem além das fronteiras e alcancem leitores em diferentes partes do mundo. Acredito que quando uma palavra nasce do coração, ela sempre encontra um caminho para alcançar outro coração.


5.Anthony Rasib: Na infância, as histórias e a literatura muitas vezes nos ensinam a cultivar a paz e a gentileza. Como o seu livro A Força da Gentileza (The Power of Gentleness) resgata esse sentimento lúdico e delicado em um mundo que frequentemente nos cobra dureza e pressa?


Mimoza Zymeri: Acredito que The Power of Gentleness (A Força da Gentileza) é um convite para retornar a essa parte pura e sensível de nós mesmos que frequentemente perdemos à medida que envelhecemos. Em um mundo que constantemente nos exige ser fortes, velozes e prontos para lidar com tudo, meu livro lembra às mulheres, em particular, que elas não precisam renunciar à sua gentileza para serem fortes. No poema, eu falo sobre os desafios que as mulheres enfrentam, as expectativas da sociedade, os sacrifícios que fazem, mas também sobre a força que descobrem dentro de si mesmas. Para mim, a gentileza é a luz que nos permite continuar amando, esperando e acreditando, mesmo quando a vida se torna difícil. Talvez seja essa a conexão com a infância: não perder a nossa capacidade de ver a vida com o coração, de acreditar na bondade e de preservar dentro de nós essa luz simples que não pede nada, exceto permanecer verdadeira. Porque, como eu acredito, a gentileza não nos torna mais fracos; ela nos lembra de quem realmente somos.


6.Anthony Rasib: A busca espiritual em Ame a Si Mesmo (Love Yourself) sugere que olhar para dentro é o primeiro passo para a transformação do ser. Como a sua própria busca por autoconhecimento expande a sua compreensão da mente humana e nutre a dimensão terapêutica dos seus versos?


Mimoza Zymeri: Para mim, amar a si mesmo é uma das forças mais poderosas que carregamos dentro de nós. É uma jornada em direção ao conhecimento e à aceitação de quem somos, e acredito que toda transformação real começa aí — quando fazemos uma pausa e começamos a nos ouvir mais de perto. Minha própria busca por autoconhecimento também me ajudou a compreender a mente humana em um nível mais profundo. Passei a entender como nossas experiências, feridas, medos e emoções influenciam a maneira como vemos a nós mesmos e a nossa vida. Mas também aprendi que o nosso passado não precisa determinar o nosso futuro. Mesmo através da dor, podemos aprender, crescer e descobrir uma nova força dentro de nós. Love Yourself (Ame a Si Mesmo) é uma obra em prosa na qual eu quis compartilhar precisamente essa mensagem: voltar-se para dentro, escutar a si mesmo com maior amor e compreender que o amor-próprio é a base de todo relacionamento saudável. Essa forma de ver a vida também influencia a minha escrita. Acredito que as palavras podem nos ajudar a entender melhor o que sentimos, a aceitar o que vivemos e a nos reconectar com a força que existe em nosso interior. Se um poema ou uma página que escrevo trouxer a alguém um pouco de luz, esperança ou coragem para continuar, então sinto que minha escrita encontrou o seu propósito. Em última análise, para mim, amar a si mesmo significa aceitar quem você é, ouvir sua voz interior e confiar que você pode começar de novo sempre que a vida lhe pedir.


7. Anthony Rasib: Em muitas tradições do yoga, o silêncio e a imobilidade do corpo são o espaço onde a verdadeira consciência desperta. Como a quietude alcançada no yoga te ajuda a ouvir a intuição e encontrar as palavras exatas para as suas poesias?


Mimoza Zymeri: Para mim, a quietude que vivencio através do yoga e da meditação cria o espaço onde posso ouvir minha intuição com mais clareza. Quando o corpo se acalma e a mente se afasta, mesmo que por um momento, do ruído da vida cotidiana, me torno mais presente para o que está acontecendo dentro de mim. Nesses momentos, não tento forçar as palavras de um poema. Em vez disso, permito que elas surjam naturalmente. Às vezes é um sentimento, uma memória, uma imagem ou até mesmo um pequeno pensamento que me traz a primeira palavra, e então os versos começam a ganhar forma. Acho que o yoga me ensinou a confiar nesse silêncio e na voz interior que habita em mim. Quando não forço a criatividade, mas me dou tempo e espaço para simplesmente ser, as palavras que vêm são mais honestas e mais precisas. Para mim, essa é a conexão mais bonita entre o yoga e a poesia: a quietude me ajuda a escutar o que minha intuição já sabe, e a poesia me dá as palavras para expressar.


8. Anthony Rasib: Unir áreas aparentemente tão distintas quanto a ciência econômica, a saúde e a literatura revela uma mente multifacetada. De que forma essa síntese entre o método, a compaixão e a intuição poética se reflete na estrutura e na mensagem dos seus livros?


Mimoza Zymeri: Ao meu ver, esses campos nunca estiveram realmente separados. A economia me ensinou a ver a estrutura e as relações entre as coisas, a saúde me ensinou a ver o ser humano com compaixão, enquanto a literatura e a poesia me ensinaram a escutar o que nem sempre pode ser expresso em palavras. Acredito que, quando reunimos método, compaixão e intuição, criamos uma maneira mais completa de compreender a vida. O método nos dá clareza e direção, a compaixão nos lembra de não perder de vista o ser humano, e a intuição nos guia em direção ao que é verdadeiro para nós. Essa síntese naturalmente se tornou parte dos meus livros também. Em sua estrutura, procuro trazer clareza, enquanto em sua mensagem quero criar espaço para reflexão, sensibilidade e mudança interior. Acredito que as palavras têm o poder de nos ajudar a nos ver com mais amor. No fim das contas, estejamos falando de economia, saúde ou poesia, eu sempre retorno ao mesmo princípio: todos nós precisamos ser compreendidos, ouvidos e, acima de tudo, aprender como nos aceitar e nos amar. Quando a forma como nos vemos começa a mudar, a forma como vivenciamos a vida começa a mudar também.


9. Anthony Rasib: A enfermagem coloca o profissional diante da fragilidade, da dor e da superação humana todos os dias. Como enfermeira, você já viveu alguma situação no cuidado com um paciente que te tocou de forma tão profunda a ponto de se transformar diretamente em inspiração para um poema?


Mimoza Zymeri: Sim, já vivenciei situações assim. Ao longo do meu trabalho como enfermeira, passei por momentos com pacientes que me tocaram profundamente, especialmente ao testemunhar de perto o medo, a dor e a incerteza deles, mas também a sua incrível força para continuar. Uma dessas experiências permaneceu particularmente guardada no meu coração. Foi um momento em que percebi que, além dos cuidados médicos, um paciente também precisa de uma palavra de esperança, de alguém que o escute e de alguém que o lembre de que, mesmo nos dias mais difíceis, ainda existe luz. Deste sentimento nasceu o poema Light After Pain (Luz Após a Dor). Eu o escrevi como uma mensagem para pacientes que estão enfrentando a dor, o medo e noites longas, para lembrá-los de que eles não são definidos pela enfermidade que estão vivenciando. Eles são força, são esperança e, mesmo quando parece não restar mais nenhuma luz, ainda pode haver dentro deles um motivo para acreditar. O poema se tornou a minha forma de expressar algo que às vezes não conseguimos colocar em palavras apenas através dos cuidados de enfermagem: que após a dor, a esperança pode emergir, e que cada novo dia é mais uma oportunidade para seguir em frente.


10. Anthony Rasib: A literatura nos permite cruzar oceanos e conectar almas. O que mais te fascina ou chama a atenção na cultura e no povo brasileiro? E o que você gostaria que os leitores do Brasil descobrissem sobre a verdadeira essência, a alma e a poesia do Kosovo — essa riqueza humana e espiritual que raramente é mostrada pela grande mídia?


Mimoza Zymeri: O que mais me atrai na cultura brasileira e em seu povo é o seu calor humano e a forma única como abraçam a vida. Aqui na Alemanha, tenho amigos do Brasil e tive a oportunidade de conhecer pessoas incrivelmente gentis, abertas, alegres e cheias de energia positiva. Eu também amo muito a língua portuguesa. Para mim, soa incrivelmente bela e acolhedora. Talvez seja por isso que me sinto ainda mais conectada à ideia de que a literatura pode criar pontes entre as pessoas, mesmo quando vivem em países diferentes e falam idiomas diferentes. Eu adoraria que os leitores no Brasil descobrissem um lado diferente do Kosovo, além do que costumamos ver na mídia. Gostaria que descobrissem o Kosovo através de seu povo, através de seu coração e sua alma, de suas famílias, do amor, da hospitalidade e da força. O Kosovo vivenciou muita dor, mas essa não é a única história que ele tem a contar. Há também tanta luz, amor e esperança. Acredito que minha poesia também vem desse lado do Kosovo — das experiências humanas, das feridas, mas também do desejo de curar, de amar e de recomeçar. Me deixaria muito feliz se, um dia, meus livros também fossem traduzidos para o português. Seria uma forma linda de fazer minhas palavras chegarem aos leitores brasileiros e de criar uma ponte entre o Kosovo e o Brasil. E claro, eu adoraria visitar o Brasil um dia. Até agora, conheci um pouco através dos meus amigos brasileiros aqui na Alemanha, mas espero que um dia eu possa vivenciar isso por mim mesma — ver, ouvir sua língua bonita e sentir essa energia de perto, essa energia sobre a qual ouvi falar tanto e que já pude vivenciar através do seu povo.


11.Anthony Rasib: Toda região impõe seus próprios desafios para a criação e circulação da arte. Olhando para a sua vivência entre a Europa Ocidental e os Bálcãs, quais são os maiores obstáculos que uma autora enfrenta na Alemanha e no Kosovo para ter sua voz ouvida e respeitada no mercado literário atual?


Mimoza Zymeri: Acredito que um dos maiores desafios para uma autora hoje é encontrar o espaço onde sua voz possa ser ouvida no meio de tantas outras vozes. Isso é verdade tanto no Kosovo quanto na Alemanha, embora os desafios sejam diferentes. No Kosovo, o mercado literário é menor, e as oportunidades de promoção, distribuição e alcance de um público mais amplo são mais limitadas. Na Alemanha, por outro lado, o mercado é muito maior e a competição é extremamente forte. Para uma autora vinda dos Bálcãs, há também o desafio do idioma, da cultura e de encontrar seu lugar dentro de um novo ambiente literário. Mas acredito que as dificuldades nunca devem ser o que nos define. Para mim, o mais importante é não perder a fé na sua própria voz e no que você tem a dizer. Uma autora deve escrever sobre o que sente, o que vivencia e o que acredita que possa tocar outras pessoas também. Acredito fortemente no poder das palavras. Um livro pode viajar para lugares onde a autora ainda não pôde ir. Ele pode atravessar idiomas, fronteiras e culturas, e tocar o coração de alguém que você talvez nunca tenha conhecido. É por isso que, em vez de ver as dificuldades como muros, procuro vê-las como pontes que ainda precisam ser construídas. Quero que minha voz seja ouvida não porque busco atenção, mas porque tenho algo humano para entregar: esperança, amor, dor, cura e fé na vida. Acredito que quando você escreve com o coração e permanece fiel a si mesma, sempre haverá alguém, em algum lugar, que encontrará uma parte de si em suas palavras. E talvez essa seja a forma mais bonita de conquistar o respeito na literatura — não tentando ser a voz mais alta, mas sendo uma voz honesta.

12. Anthony Rasib: Espaços de entrevista como este promovidos pelo GLIP aproximam o público da essência humana por trás dos livros. Para você, qual é a relevância de uma instituição literária brasileira promover esse tipo de acolhimento e destaque para autores internacionais?


Mimoza Zymeri: Acredito que um espaço como o criado pelo GLIP tem um valor extraordinário porque nos permite ver não apenas o livro, mas também a pessoa por trás dele. Cada autor carrega uma história, emoções, experiências e um pedaço de sua alma, e quando recebe a oportunidade de compartilhar tudo isso com o público, cria-se uma conexão muito mais profunda. Para mim, o fato de uma instituição literária brasileira abrir suas portas para autores internacionais é um gesto lindo de respeito e humanidade. A literatura não conhece fronteiras, e as pessoas não precisam falar o mesmo idioma para serem tocadas pela mesma emoção. É por isso que gostaria de agradecer sinceramente ao GLIP por criar este espaço e por me dar a oportunidade de compartilhar minha voz, minha história e um pedaço da minha alma com os leitores brasileiros. Para mim, isto é mais do que uma entrevista; é uma ponte conectando o Kosovo e o Brasil através das palavras e das emoções. Acredito que o mundo precisa de mais espaços como este — espaços onde as pessoas não são julgadas de onde vêm, mas são escutadas pelo que carregam em seus corações. Porque um livro pode começar em um canto do mundo, mas quando é escrito com amor, ele não pertence mais apenas ao seu autor. Ele se torna uma luz que pode alcançar qualquer coração, em qualquer lugar do mundo. E por esta oportunidade, sou profundamente grata ao GLIP, e também a você, por abrir este belo espaço e permitir que eu faça parte dele.


13. Anthony Rasib: Para encerrar nossa conversa, que semente de inspiração você gostaria de plantar no caminho de uma jovem leitora brasileira ou kosovar que deseja contar suas histórias ao mundo e fazer da palavra o seu refúgio?


Mimoza Zymeri: Se eu pudesse plantar uma semente de inspiração ao longo da jornada de uma jovem leitora brasileira ou kosovar que deseja compartilhar suas histórias com o mundo, eu diria a ela primeiro: acredite na sua voz. Não pense que sua história precisa ser extraordinária para ter valor. Às vezes, são precisamente a nossa dor, os nossos sonhos, os nossos medos e os momentos mais simples da nossa vida que podem tocar outro coração de forma mais profunda. Se você deseja fazer da palavra escrita o seu santuário, entre nele sem medo. Escreva para se curar, para se compreender e para compartilhar com os outros o que aprendeu pelo caminho. Não permita que o medo do julgamento ou o pensamento de que "não sou boa o suficiente" silenciem a sua voz. E a cada jovem mulher, seja do Kosovo ou do Brasil, eu gostaria de plantar esta crença: suas palavras têm um lugar neste mundo. Talvez hoje você esteja escrevendo apenas para si mesma, mas amanhã suas palavras podem se tornar esperança, conforto ou luz para outra pessoa. Porque quando você escreve sua verdade com amor, suas palavras não permanecem apenas no papel. Elas viajam. Elas tocam pessoas que você talvez nunca conheça. E, às vezes, uma história escrita a partir do coração de uma jovem no Kosovo ou no Brasil pode lembrar a outra mulher, em algum lugar do mundo, que ela não está sozinha. Essa é a semente que eu gostaria de plantar: acredite em si mesma, não tenha medo de contar sua história e permita que suas palavras se tornem um santuário para você e uma luz para os outros.


Quem é Mimoza Zymeri


Mimoza Zymeri nasceu em 20 de setembro de 1986, em Ferizaj, Kosovo. Ela possui bacharelado em Economia e bacharelado em Enfermagem, ambos concluídos em Prishtina. Atualmente vive e trabalha na Alemanha, onde, ao lado de sua vida profissional, dá continuidade ao seu trabalho criativo e literário.

Desde cedo, Mimoza Zymeri viu-se atraída pelo universo da palavra escrita. A poesia e a prosa tornaram-se sua forma de expressar suas experiências, sensibilidade e observações sobre a vida, o espírito humano e a natureza.

Sua obra literária foi publicada em diversos jornais e revistas literárias, enquanto alguns de seus poemas também foram incluídos na antologia “Anembanë”.

Em 2024, seu poema “Kosovo, Filha das Tempestades e do Brilho do Sol” foi honrado com o Prêmio Jovens Talentos no Encontro de Poesia “Ymer Elshani”.

Uma parte importante do seu mundo criativo está conectada à meditação e à prática do yoga, as quais ela enxerga como caminhos para a paz interior, a autoconsciência e uma conexão mais profunda consigo mesma. Essas práticas são frequentemente refletidas em sua forma de perceber a vida e nos temas que explora através de sua escrita.

Em suas obras, ela explora temas como o amor, a paz interior, o amor-próprio e a beleza silenciosa da vida cotidiana. Para ela, a literatura é uma maneira de adentrar o mundo interior, compreender a si mesma mais profundamente e dar voz àquilo que muitas vezes permanece não dito.

Em 2025, publicou sua coletânea de poesias A Força da Gentileza, sendo Ame a Si Mesmo o seu segundo livro, escrito em prosa.