Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)
Convidada: Amal Mohamed Al Desouky (Acadêmica Honorária do GLIP)
Entrevistador: Anthony Rasib, Secretário Executivo do GLIP
1.Durante sua ilustre trajetória na Rádio Cairo, você foi a voz definitiva que rompeu o silêncio entre o Egito e o mundo lusófono ao traduzir o Alcorão Sagrado e os sermões de sexta-feira. Como é, hoje, olhar para trás e dimensionar o peso literário e espiritual de ter sido, por mais de trinta anos, o único canal de interpretação da fé para milhões de ouvintes em nove países? Qual era o sentimento ao saber que sua voz era o fio condutor que unia o sagrado ao cotidiano de pessoas em terras tão distantes?
Amal: Ao olhar para trás, sinto uma profunda gratidão e também um grande senso de responsabilidade por tudo o que vivi nesse período. Durante mais de trinta anos, tive a honra de contribuir para aproximar o Egito do mundo lusófono por meio do meu trabalho na Rádio Cairo em português, Rádio Difusora da República Árabe do Egito.
Entre aqueles programas que eu apresentava, como você mencionou, a interpretação do Alcorão Sagrado e os sermões de sexta-feira, além de outros programas como Conversando com os ouvintes, A sua voz na Rádio Cairo, Egito maravilhoso, Egito na internet, Canções da semana, O mundo dos esportes, Egito Imortalizado... veredictos internacionais, etc., sempre encarei esse trabalho não apenas como uma função profissional, mas como uma missão de diálogo, compreensão e respeito entre culturas e crenças.
Saber que minha voz chegava a milhões de pessoas em diferentes países era algo que me emocionava e, ao mesmo tempo, me exigia muito cuidado. Eu tinha plena consciência de que cada palavra precisava ser fiel ao significado original e, ao mesmo tempo, acessível ao público. Era como construir uma ponte entre o sagrado e o cotidiano, entre línguas e realidades distintas.
Vale a pena mencionar que o esclarecimento da mensagem moderada do Islã e a correção de concepções equivocadas sobre a religião constituem um dos principais e importantes objetivos das Emissoras Internacionais da República Árabe do Egito há mais de setenta anos.
2. Toda trajetória de sucesso costuma ter um despertar, e a sua carreira é uma prova viva para o público no Brasil de que a mulher no Islã não apenas ocupa espaços, mas lidera frentes intelectuais de prestígio. No seu caso, como foi utilizar sua voz para enfrentar e desmentir preconceitos em solo brasileiro, mostrando que o estudo e a liderança feminina são pilares da sua fé e cultura? Houve alguma influência familiar ou mentoria que a encorajou a seguir esse caminho de sucesso, desde a sua graduação em línguas até se tornar uma referência internacional na comunicação?
Amal: Acredito que, mais do que enfrentar preconceitos diretamente, o meu trabalho sempre foi no sentido de construir pontes por meio do conhecimento e do diálogo. Ao longo da minha trajetória, especialmente na comunicação com o público brasileiro, procurei mostrar, na prática, que o Islã valoriza profundamente o conhecimento, a educação e a participação ativa das mulheres na sociedade.
Usar a minha voz nesse contexto foi, acima de tudo, uma forma de aproximar realidades que muitas vezes são vistas de maneira simplificada ou estereotipada. Em vez de responder apenas com argumentos, eu buscava demonstrar, através do conteúdo que produzia, a riqueza cultural e intelectual da minha formação e da minha fé.
Nós, na Rádio Cairo, temos um programa semanal intitulado “As Mulheres Egípcias” — programa que vai ao ar em diferentes línguas, apresentando as realizações e conquistas da mulher egípcia ao longo das décadas.
Sem dúvida, tive influências importantes nesse caminho. Minha formação acadêmica em línguas foi fundamental, mas também contei com o apoio da minha família, que sempre valorizou o estudo e a dedicação, além de mentores no meu trabalho que acreditaram no meu potencial e me incentivaram a seguir na área da comunicação internacional.
3. Olhando para a sua própria juventude no Cairo, quais são as suas memórias mais remotas com o rádio e os livros? Além dessas lembranças, como foi para você o sentimento de enfrentar o desafio de uma cultura nova ao chegar no Brasil? Quais foram as maiores dificuldades de adaptação que encontrou e, por outro lado, quais similaridades surpreendentes você notou entre o povo brasileiro e o egípcio que ajudaram a construir essa ponte em sua vida?
Amal: Ao olhar para a minha juventude no Cairo, as minhas memórias com o rádio e os livros são profundamente afetivas. O rádio sempre esteve presente no cotidiano, e continua até hoje em dia, como uma janela para o mundo, trazendo vozes, histórias e diferentes culturas para dentro de casa. Já os livros foram, desde cedo, um espaço de descoberta e imaginação, onde comecei a desenvolver o meu interesse pelas línguas e pela comunicação.
No meu caso, a minha aproximação com o Brasil não aconteceu por meio de uma vivência direta no país, mas através do meu trabalho e do contato constante com a língua e a cultura brasileira. Ao longo dos anos, tive a oportunidade de dialogar com diplomatas, visitantes, ouvintes brasileiros e também de traduzir romances brasileiros, o que me permitiu construir uma compreensão muito próxima da realidade cultural do Brasil.
Naturalmente, esse processo também trouxe desafios, especialmente no que diz respeito às nuances da língua e às particularidades culturais que só se revelam no contato contínuo. Foi um aprendizado construído com escuta, atenção e troca.
Por outro lado, algo que sempre me chamou a atenção foram as semelhanças entre os dois povos. Tanto o brasileiro quanto o egípcio valorizam muito as relações humanas, a hospitalidade, a família e o convívio social. Essa identificação facilitou muito essa aproximação cultural, mesmo à distância.
Acredito que essa experiência mostra que o intercâmbio cultural não depende apenas da presença física, mas também da abertura para o diálogo e da disposição para compreender o outro.
4.Suas traduções levaram clássicos e autores contemporâneos do Brasil para o mundo árabe. Como foi transpor a crítica social e o lúdico dessas obras para outro idioma e qual a emoção de ver nomes como Jorge Amado e Raphael Montes ganhando vida em árabe por suas mãos?
Amal: Levar obras brasileiras para o árabe é, antes de tudo, uma grande responsabilidade cultural e humana. Cada texto carrega não apenas palavras, mas também emoções, referências sociais, humor, ironia e formas muito próprias de ver o mundo. O maior desafio é preservar a alma da obra, fazendo com que o leitor árabe sinta o mesmo impacto e a mesma proximidade que o leitor brasileiro.
No caso da crítica social, procuro transmitir o contexto e a intensidade das questões abordadas, respecting as diferenças culturais entre os dois mundos. Já o lado lúdico e criativo exige muita sensibilidade linguística, porque certas expressões ou jogos de linguagem precisam ser recriados para manter o efeito original.
Ver autores contemporâneos como Raphael Montes chegando ao público árabe através das minhas traduções e de outras mais, é uma emoção muito especial. É como construir uma ponte entre culturas distantes e permitir que novas vozes brasileiras sejam descobertas, apreciadas e vividas em outra língua. Isso me dá a sensação de que a literatura realmente ultrapassa fronteiras e aproxima pessoas.
Raphael Montes é um dos autores contemporâneos mais importantes da literatura brasileira, conhecido pelos seus romances de suspense psicológico e narrativa envolvente. Suas obras conquistaram leitores em vários países, despertando grande interesse também no público árabe através das traduções.
5. Na sua opinião, qual é o valor e a importância de projetos de comunicação como esta entrevista para o GLIP? De que forma você acredita que este tipo de divulgação beneficia e incentiva outros Membros e novos talentos que buscam o intercâmbio cultural?
Amal: Boa pergunta. Acredito que projetos de comunicação como esta entrevista têm um valor muito significativo, especialmente no contexto do GLIP, porque ampliam vozes e tornam trajetórias mais visíveis e acessíveis. Muitas vezes, o trabalho realizado por membros e profissionais da área não chega ao público de forma estruturada, e iniciativas como essa ajudam a dar forma e reconhecimento a essas experiências.
Além disso, esse tipo de divulgação tem um papel importante na inspiração de novos talentos. Quando as pessoas têm acesso a histórias reais, com desafios, aprendizados e conquistas, elas conseguem se enxergar nesse caminho e perceber que o intercâmbio cultural é algo possível e enriquecedor.
Também vejo como uma oportunidade de fortalecer redes. Ao compartilhar experiências, criamos pontos de conexão entre diferentes culturas, gerações e áreas de atuação, o que é essencial para o crescimento coletivo.
No fim, acredito que o maior benefício está justamente nisso: transformar experiências individuais em referências que possam motivar, orientar e abrir portas para outros.
6.Com sua vasta experiência no ensino de português para egípcios e árabe para brasileiros, como você acredita que a literatura e o idioma podem transformar a vida de um estudante? O que mais a encanta no contato direto entre o aluno e a descoberta de uma nova cultura?
Amal: Acredito profundamente que a língua e a literatura têm um poder transformador na vida de qualquer estudante, porque vão muito além da comunicação. Aprender um novo idioma é, na verdade, aprender uma nova forma de pensar, de interpretar o mundo e de se relacionar com o outro. Já a literatura permite um mergulho mais profundo, oferecendo ao aluno acesso às emoções, valores e contextos culturais que moldam aquela sociedade.
Ao longo da minha experiência ensinando português para os árabes e a língua árabe para os brasileiros, percebi que esse processo transforma não apenas o conhecimento linguístico, mas também a forma como o aluno enxerga a si mesmo e o outro. Há um ganho evidente em empatia, abertura e curiosidade.
O que mais me encanta é justamente esse momento de descoberta — quando o aluno começa a perceber que consegue compreender, se expressar e, aos poucos, pertencer àquela nova realidade cultural. É um processo muito humano, de aproximação e de quebra de barreiras.
7.Você participou de momentos históricos na rádio e traduziu obras que atravessam fronteiras, mas também possui uma produção literária própria muito rica. Como é para você ver seu nome hoje como Acadêmica Honorária do GLIP e de que maneira suas vivências entre o Egito e o Brasil moldam a sua própria escrita e os temas que você escolhe eternizar em seus textos pessoais?
Amal: Ser reconhecida como Acadêmica Honorária do GLIP é, para mim, uma grande honra e tem um significado muito especial, por se tratar da única homenagem formal que recebi ao longo de toda a minha trajetória profissional na Rádio Cairo.
Depois de tantos anos dedicados à comunicação e ao intercâmbio cultural, receber esse reconhecimento me emociona profundamente, porque representa a valorização de um trabalho construído com dedicação, responsabilidade e compromisso com a aproximação entre culturas.
Minhas vivências entre o Egito e o Brasil tiveram um papel fundamental no meu trabalho como locutora no departamento brasileiro da Rádio Cairo, assim também na tradução de obras literárias brasileiras.
Viver entre duas culturas através das cartas, das mensagens e das entrevistas com os diplomatas no Cairo e com os meus queridos ouvintes à distância, me ensinou a olhar o mundo a partir de diferentes perspectivas, e isso naturalmente se reflete nos temas que escolhi abordar nos meus programas na Rádio Cairo.
Por isso, deixo aqui o meu sincero agradecimento ao GLIP por essa distinção tão significativa, que guardarei com muito respeito e carinho.
8.Embora existam grandes desafios na tradução literária, nomes universais da nossa literatura atuam como pontes culturais. No caso de Machado de Assis, cujas obras exigem uma sensibilidade quase cirúrgica por sua ironia extremamente sutil e profundidade psicológica, como você avalia a complexidade e a importância de recriar essa experiência literária para o público e o leitor árabe?
Amal: Machado de Assis é, sem dúvida, uma das maiores referências da literatura em língua portuguesa, e o contato com a sua obra foi fundamental na minha formação como profissional da linguagem. Embora eu não tenha traduzido diretamente suas obras, sempre acompanhei com muito interesse o desafio que ele representa para qualquer tradutor. Sua escrita é marcada por uma ironia extremamente sutil e por uma profundidade psicológica que exige uma leitura atenta e sensível. Isso nos mostra que a tradução literária vai muito além das palavras — envolve captar nuances, intenções e até silêncios do texto. Como professora e profissional que atua entre o árabe e o português, vejo em Machado um exemplo claro de como a literatura pode ser, ao mesmo tempo, profundamente local e universal. Ele nos ensina que traduzir não é apenas transferir conteúdo, mas recriar uma experiência para outro público, respeitando a complexidade da obra original.
9.Com base na sua vasta vivência entre as duas nações, o que você acredita que os brasileiros deveriam conhecer sobre o Egito que raramente é divulgado pela grande mídia? E, do outro lado, o que os egípcios ainda precisam descobrir sobre a profundidade e a diversidade do povo brasileiro para além dos estereótipos?
Amal: Essa é uma ótima pergunta. Acredito que, no caso do Egito, o que muitas vezes não chega ao público brasileiro é a riqueza da sua vida cultural contemporânea. Existe uma tendência de associar o país apenas à sua história milenar, aos monumentos e à antiguidade, o que é compreensível, mas acaba deixando em segundo plano uma sociedade dinâmica, com produção intelectual, artística e acadêmica muito ativa. O Egito de hoje é plural, com debates, criatividade e transformações constantes que merecem ser mais conhecidos. Por outro lado, em relação ao Brasil, ainda há muitos estereótipos que reduzem a sua imagem a elementos como o futebol, o carnaval ou aspectos superficiais da cultura. O que muitas vezes não é plenamente compreendido é a profundidade humana e cultural do povo brasileiro — sua diversidade regional, sua capacidade de adaptação, sua riqueza literária e sua forma muito particular de construir relações humanas. A minha experiência entre os dois países me mostrou que, em ambos os casos, há muito mais pontos de encontro do que se imagina. São sociedades calorosas, com forte valorização das relações pessoais, da cultura e da expressão. Por isso, acredito que o intercâmbio cultural tem justamente esse papel: ir além das imagens simplificadas e revelar a complexidade e a riqueza que existem em cada realidade.
10.Como diretora do Departamento Brasileiro da Rádio Cairo, você sempre manteve a causa palestina como uma pauta prioritária em suas transmissões. Na sua visão, qual foi a importância de utilizar o rádio para informar o mundo lusófono sobre a realidade em Gaza e no Oriente Médio? Além disso, quais foram os maiores desafios que enfrentou ao longo da carreira para manter esse compromisso com a verdade e com a difusão cultural?
Amal: Ao longo da minha atuação no Departamento Brasileiro da Rádio Cairo, sempre entendi o rádio como uma ferramenta de responsabilidade ética e compromisso com a verdade. Tratar da realidade em Gaza e no Oriente Médio não era apenas uma escolha editorial, mas uma necessidade diante da forma muitas vezes limitada ou distorcida com que esses temas chegam ao público internacional. Levar essas questões ao mundo lusófono significava oferecer informação com contexto, profundidade e humanidade. Na Rádio Cairo, temos vários analistas políticos e especialistas que escrevem comentários e análises políticas sobre tudo o que acontece no Oriente Médio, sobretudo sobre a questão palestina, além de um programa que narra a história de Jerusalém. Vale a pena mencionar que o departamento brasileiro teve uma grande oportunidade de apoiar a causa palestina através da transmissão das vozes palestinas residentes no Brasil, como: Dr. Ibrahim Alzeben (Ex-Embaixador do Estado da Palestina no Brasil), Sr. Ali El-Khatib (presidente do Instituto Jerusalém do Brasil), Sr. Ualid Rabah (o Presidente da FEPAL - Federação Palestina), Dra. Amyra El Khalili (professora e editora das redes Movimento Mulheres pela Paz! e Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras), Emir Murad (secretário-geral da COPLAC - Confederação Árabe Palestina da América Latina e Caribe), Rita de Cássia Halti (a representante palestina no CONSCRE - Conselho Estadual Parlamentar de Comunidades de Raízes e Culturas Estrangeiras, da ALESP – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Sr. Gabriel Sayegh (o presidente do CONSCRE), e o Infectologista Descendente de palestino Jamal Suleiman.
11.No Egito, a fé e a cultura unem cristãos e muçulmanos em um tecido social único. Como essa integração desmente os preconceitos de segregação religiosa que muitas vezes chegam ao Brasil?
Amal: A convivência entre cristãos e muçulmanos no Egito é parte de uma realidade histórica e social profundamente enraizada. Trata-se de um tecido social construído ao longo de séculos, no qual a fé, embora vivida de maneiras distintas, faz parte de uma experiência coletiva compartilhada. Essa convivência cotidiana — nas famílias, nas escolas, no trabalho e nas relações de vizinhança — muitas vezes não aparece nas narrativas que circulam fora da região. O que chega ao público internacional, inclusive no Brasil, tende a destacar conflitos e exceções, o que pode criar uma percepção incompleta ou distorcida. A minha experiência mostra que há um forte senso de pertencimento nacional que atravessa as diferenças religiosas. E é justamente essa vivência concreta que ajuda a desmentir estereótipos e a mostrar que a diversidade, vivida com respeito, pode ser um elemento de coesão, e não de separação.
12.Para encerrarmos, como você avalia o mercado literário atual entre Brasil e Egito? Com o fortalecimento de feiras internacionais e eventos culturais, quais as chances reais de um escritor brasileiro entrar nesse intercâmbio hoje e que conselho você daria para que suas obras alcancem o público árabe respeitando a essência da nossa literatura?
Amal: O mercado literário entre Brasil e Egito — e, de forma mais ampla, entre o Brasil e o mundo árabe — vive hoje um momento mais aberto e promissor do que em décadas anteriores. O crescimento de feiras internacionais, residências literárias e projetos de tradução tem criado pontes reais que antes eram muito mais limitadas. Ao mesmo tempo, ainda existe um caminho importante a ser percorrido. A circulação de obras depende não apenas da qualidade literária, mas também de investimento em tradução, de interesse editorial e de mediadores culturais capazes de construir essas conexões. A literatura brasileira, por sua riqueza e diversidade, tem um enorme potencial de diálogo com o leitor árabe, mas ainda precisa de mais presença estruturada nesse espaço. Hoje, as chances de um escritor brasileiro entrar nesse intercâmbio são concretas, especialmente quando há abertura para parcerias internacionais e atenção ao trabalho de tradução como parte essencial do processo, e não como etapa secundária. A literatura não atravessa fronteiras sozinha — ela precisa de pontes bem construídas. Quanto ao conselho para que essas obras alcancem o público árabe sem perder sua essência, eu diria que o ponto central é confiar na força da própria literatura. Não se trata de adaptar para “facilitar”, mas de traduzir com sensibilidade, preservando ritmo, imagens, vozes e identidade do texto original. O bom tradutor não suaviza a obra — ele a torna compreensível sem empobrecê-la. Acredito que o verdadeiro intercâmbio acontece quando há respeito mútuo: o autor preserva sua autenticidade e o tradutor atua como mediador atento, capaz de fazer essa literatura respirar em outra língua sem perder sua alma. Antes de finalizar, queria parabenizar a Rádio Egípcia, que comemora o nonagésimo segundo aniversário em 31 de maio de 2026.
Muito obrigada.










