terça-feira, junho 16, 2026

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A POETISA FABIANA BATISTA COELHO POR ANTHONY RASIB

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A POETISA FABIANA BATISTA COELHO

Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)

Entrevistada: Fabiana Batista Coelho, Membro Titular e Tesoureira do GLIP

Entrevistador: Anthony Rasib, Secretário Executivo do GLIP


1. Como você, na qualidade de Tesoureira e Membro Titular do GLIP, define a missão essencial do Grêmio no cenário literário atual, e qual é o maior diferencial que a instituição traz para novos poetas e escritores?


Resposta: É muito importante e desperta o interesse na literatura, permitindo que as pessoas passem a conhecer mais a história de nosso povo. É uma missão essencial, pois agrega oportunidade de aprendizado e conhecimento.


2. Toda trajetória literária costuma ter um despertar. Olhando para a sua infância, quais são as suas memórias mais remotas em relação aos livros? Como era o cotidiano em casa com seus pais, Antônia e Severino, e de que forma o acesso à leitura — ou a falta dele — moldou a sua sensibilidade para se tornar a poetisa que é hoje?


Resposta: Lembro muito do "Menino Maluquinho" do Ziraldo, "Marcelo, Marmelo, Martelo" de Ruth Rocha e "A Ilha Perdida" de Maria José Dupré, livros da minha infância. Minha mãe era analfabeta, a qual instruí para a leitura, mas me influenciou muito com sua voz, pois amava cantar. E quando a instruí a ler, foi muito emocionante para mim vê-la lendo e cantando a cantata de Natal na Igreja. Meu pai, paraibano, quando me colocava de castigo, no local eu via a paisagem do morro e da estrada, que me inspirava e que eu registrava no diário que minha professora de Língua Portuguesa, Miriam, me deu.


3. Você nasceu no Rio de Janeiro e carrega em suas raízes a influência de Campina Grande, por parte de seus pais. Como essa mescla cultural reflete na sua forma de construir os seus versos e o que você ainda carrega da essência da Paraíba dentro de si?


Resposta: A dança e o canto são a forma de me expressar, como sempre me dizia minha mãe no ditado popular: "quem canta e dança os seus males espanta". Das músicas, eu viajo nas letras acompanhando as danças.


4. A vida muitas vezes nos leva a caminhos diversos. Como a sua interação com personalidades de mundos tão distintos — do Papa Francisco a astros do rock como Steven Tyler — influencia a sua percepção humana e a sua produção poética? Nesse vasto mosaico de figuras que cruzaram o seu caminho, qual é a verdadeira importância desses encontros para a sua trajetória e qual deles, entre tantos, foi o mais emocionante de vivenciar?


Resposta: O momento do Papa, ao apertar a sua mão, e o show onde estive no palco com Steven Tyler, além do primeiro show do cantor Pablo, onde recebi dele um CD autografado, foram marcantes. "Não tenho tudo, mas posso todas as coisas" é a frase que me resume. A saudade é viver o momento; é um sentimento que consegui distinguir de diversas formas. Mesmo a pessoa não sendo do seu convívio, a saudade se resume em um único momento. Não precisa de convívio para ter saudade.


5. Como você definiria o seu próprio estilo poético? Quais elementos, temas ou formas você elege como a "assinatura" da sua poesia?


Resposta: Intensidade em de tudo um pouco. Todos os momentos inspiram.


6. Muito se debate sobre a origem da criação literária. Na sua opinião, a poesia é um dom de nascença, algo que já nasce com o indivíduo, ou é uma habilidade que pode ser aprendida e cultivada por qualquer pessoa através do estudo e da prática?


Resposta: É um dom, mas que pode ser aperfeiçoada depois.


7. Na sua opinião, qual é o valor e a importância de projetos de comunicação como esta entrevista para o GLIP? De que forma você acredita que este tipo de divulgação beneficia e incentiva outros Membros Titulares e novos talentos do Grêmio?


Resposta: O valor é estabilizar a literatura e buscar conhecimento de outras. Tem muita importância, pois em mim incentivou e sou prova disso. Desperta e incentiva.


8. Você é mãe e avó de três netos. Como o amor pela família e o papel de matriarca se entrelaçam com a sua vocação de poetisa?


Resposta: É a minha maior inspiração.


9. Além da sua atuação profissional e familiar, o seu lar é compartilhado com o nosso presidente, o poeta Rodrigo Octavio. Como é o dia a dia em uma casa habitada por dois poetas? De que forma essa convivência diária influencia o processo criativo de ambos?


Resposta: Rsrs. Às vezes a poesia nasce. Uma poesia no nosso dia a dia é bem legal. Sempre tem uma intensidade, onde a poesia nasce no cotidiano. Ver o trabalho literário dentro de casa é bem legal. Como diz o ditado, "ninguém é perfeito". Eu procuro não deixar o nosso dia cair na rotina e procuro fazer do nosso dia uma poesia.


10. Qual é a sua visão sobre o cenário atual para os autores brasileiros? Na sua opinião, quais são as principais carências de incentivo que impedem o escritor de se profissionalizar e ocupar o seu devido lugar na sociedade?


Resposta: Quem não tem o dom, mas tem poder aquisitivo, tem espaço. Estamos numa decadência literária; o dinheiro fala mais alto. Falta oportunidade para quem tem o dom, mas não tem condições financeiras.


11. Como Tesoureira do GLIP e alguém que transita pelo meio literário, qual é a sua opinião sobre a forma como certas Academias de Letras e organizações de escritores priorizam aspectos financeiros em detrimento da qualidade literária de seus membros e do apoio genuíno ao desenvolvimento dos poetas e escritores?


Resposta: Total desrespeito e falta de oportunidade para os que merecem.


12. Vivemos um momento de transição tecnológica, onde surgem empresas que oferecem a criação de livros inteiros através de Inteligência Artificial. Para uma poetisa, você encara esse fenômeno como um avanço na democratização da escrita ou como um retrocesso para a autenticidade e a essência da alma humana na literatura?


Resposta: Com certeza, um retrocesso para a criatividade humana. Não apoio a IA em substituir nossa verdadeira criatividade.

Um comentário:

Sylvia Maria Ribeiro - Li e apreciei o informativo! Parabéns aos novos e ilustres membros do GLIP, currículos marcantes !!! disse...

Como as demais entrevistas do GLIP, esta contribuiu com clareza e objetividade para definir os rumos atuais da literatura brasileira, com ênfase na vertente poética. Palmas, com louvor, para entrevistador Anthony Rasib e entrevistada Fabiana Batista Coelho !!!