quinta-feira, outubro 08, 2026

BALA PERDIDA POR RODRIGO POETA & RICARDO FRANÇA

 



Bala Perdida


Voa na direção 

Do inocente 

Em meio ao caos

Da estatística carioca


Voa na direção 

A entorpecer o coração 

Num instante vital

Para morte numa guerra


Voa Bala Perdida

Voa graças a um fuzil

Contrabandeado além mar

Para o caos e o medo prevalecer


Quem, nesse instante, apertou

O gatilho dos tiros intermitentes?

Projéteis sem GPS que matam indiferentes?

O voo das balas perdidas

Balas de chumbo, as bandidas,

Já levaram tanta gente da gente

Trabalhadores, crianças, inocentes


Sonhos interrompidos após

O metralhar dos estampidos

As vidas que sobram desse vazio

Territórios de violência no cio

Sangram traumas em hemorragia,

Talvez retornar às cavernas

Seja a liberdade escondida?


O gatilho foi apertado

Pela desigualdade nos olhos

Fixos de um transeunte 

A escrever na calçada 

Versos aleatórios 

Numa gravata perdida

Na Candelária...


Ponto final do 397,

Que saiu da Zona Oeste

A registrar a pandemia 

Do Silêncio na Avenida Brasil.


Avenida do vai e vem,

Onde banqueiro faz festa

E político faz Carnaval

Para alienar a massa.


Lá, bala perdida não passa

Nem pelo céu, nem pela fresta

A bala bruta e vil doentia

A bala que fere e mata

A bala patológica do sujeito mau

De covarde valentia

Filha do fuzil do mal

E da covardia.


(Rodrigo Poeta & Ricardo França)

23.9.2026