Bala Perdida
Voa na direção
Do inocente
Em meio ao caos
Da estatística carioca
Voa na direção
A entorpecer o coração
Num instante vital
Para morte numa guerra
Voa Bala Perdida
Voa graças a um fuzil
Contrabandeado além mar
Para o caos e o medo prevalecer
Quem, nesse instante, apertou
O gatilho dos tiros intermitentes?
Projéteis sem GPS que matam indiferentes?
O voo das balas perdidas
Balas de chumbo, as bandidas,
Já levaram tanta gente da gente
Trabalhadores, crianças, inocentes
Sonhos interrompidos após
O metralhar dos estampidos
As vidas que sobram desse vazio
Territórios de violência no cio
Sangram traumas em hemorragia,
Talvez retornar às cavernas
Seja a liberdade escondida?
O gatilho foi apertado
Pela desigualdade nos olhos
Fixos de um transeunte
A escrever na calçada
Versos aleatórios
Numa gravata perdida
Na Candelária...
Ponto final do 397,
Que saiu da Zona Oeste
A registrar a pandemia
Do Silêncio na Avenida Brasil.
Avenida do vai e vem,
Onde banqueiro faz festa
E político faz Carnaval
Para alienar a massa.
Lá, bala perdida não passa
Nem pelo céu, nem pela fresta
A bala bruta e vil doentia
A bala que fere e mata
A bala patológica do sujeito mau
De covarde valentia
Filha do fuzil do mal
E da covardia.
(Rodrigo Poeta & Ricardo França)
23.9.2026
