domingo, janeiro 15, 2017

ENCONTRO CULTURAL!

*Na foto: José Luiz (Mestre ZEL) e Rodrigo Poeta.


*No dia 14 de janeiro aconteceu na casa do chargista e caricaturista José Luiz (Mestre Zel) o encontro com o escritor Rodrigo Poeta. Um momento de colocar o papo em dia e falar de cultura, política, educação e outras coisas mais acompanhados de uma boa cerveja artesanal. Um encontro muito bom. Atila Jorge filho do Mestre Zel, que também é grande artista na ocasião recitou trechos do poema de Manuel Bandeira, "Vou-me embora pra Pasárgada". Encontro cultural que Rodrigo Poeta leu uma crônica em que faz alusão ao Mestre Zel em seu livro.

*Mestre Zel recebeu em mãos o livro Crônicas do Silência
de seu amigo Rodrigo Poeta.


*Fotos: Cida.
*Bairro: Braga.
*Cidade: Cabo Frio-RJ.
*Data: 14-01-17.

INVISÍVEIS POR LORENA MOURA


INVISÍVEIS



        O sol já estava desaparecendo e eu estava de partida da cidade. Como sempre, por volta desse horário havia um ir e vir constante de pessoas na rodoviária e alguns invisíveis da sociedade sentados nos bancos, com olhares apáticos. 
          Eu fora mais cedo para acompanhar a roda de capoeira que iria se apresentar ali. Aos poucos iam chegando os capoeiristas com seus instrumentos...durante o aquecimento eles tocavam e entoavam canções sobre a resistência e a luta do negro. Era uma cena, por si só, muito bonita de se ver. De repente, ao observar um pouco mais atentamente, notei que os senhores que moravam ali, ao escutarem o som dos tambores e do berimbau entraram em um outro estado. Uns batucavam com os dedos nas próprias pernas, outros sorriam remexendo seus corpos e alguns até se levantaram e discretamente dançaram...
             Entre tantos, uma mulher em especial me chamou a atenção. Ela tinha o corpo franzino, os cabelos estavam sem pentear, vestia um vestido surrado e tragava um cigarro. A cada tragada que dava ao cigarro, ela fechava seus olhos e absorvia um pouco da música. 
                 Era perceptível, para quem quisesse ver, que a música estava entrando no corpo dela em doses graduais. Até que ela transcendeu. Ela deixou a música brincar com seu corpo e, entre os batuques, ora o corpo dela se expandia para trás, ora se curvava em direção ao seu ventre e ela foi dando ritmo a esse movimento. Ela rodopiava entre os transeuntes, fazia movimentos com seus braço...sua dança era uma mistura de balé e luta, de docilidade e força.
                    Ela fechava seus olhos e parecia que apenas o corpo dela estava ali, eu poderia ter visto a alma dela se elevar se isso fosse possível de ver, mas eu apenas pude sentir. E por fim ela retirou o lenço roxo que estava em seu cabelo e começou a fazer movimentos suaves no ar. Ela encontrara seu par e eles estavam dançando lindamente. Quando a música parou, eu ainda fiquei olhando pra ela por um tempo de tão admirada que eu estava e ela me notou, enquanto retornava em direção ao seu banco, mas eu não fiz questão de desviar meu olhar e sorri em agradecimento por aquele espetáculo de apresentação, ela sorriu de volta e piscou o olho para mim.
                  Seguimos nossas vidas e fui transformada. E me lembrei de Nietzsche dizendo: "Aqueles que foram vistos dançando foram julgados por aqueles que não podiam escutar a música."


*Lorena Moura.
- Estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense - UFF em Campos dos Goytacazes-RJ.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

DESCASO PÚBLICO!

*Rua do Sol no Sítio do Guriri 
em Cabo Frio-RJ.


DESCASO PÚBLICO!


*Rua do Sol e Rua Lino Ferreira no Sítio do Guriri.


                Para onde foram os 80 milhões para fazer a drenagem e pavimentação das ruas do Sítio do Guriri e bairros vizinhos?


*A turma dos 80 milhões!*
*Foto da internet.


        A empreiteira na época ainda fez os estudos nas localidades...A placa caiu com o descaso...Todos os políticos de "nome" tiraram foto ao lado do Pezão, vulgo destruidor do Estado do Rio.

*Uma garça na Rua do Sol.
A rua virou rio!



*Fotos: Rodrigo Poeta.
*Data: Sexta-feira 13 do descaso!

FRASES & PENSAMENTOS!


TURISMO DA DEPREDAÇÃO

*Repórter da INTERTV entrevistando 
o encarregado da limpeza na Praia do Forte.


TURISMO DA DEPREDAÇÃO

*POLUIÇÃO VISUAL!


              No dia 10 de janeiro presenciei a INTERTV fazendo uma matéria do lixo nas praias de Cabo Frio-RJ. Deprimente a visão e as desculpas do encarregado de colocar ordem na praia. 
              Os barraqueiros sujam, os moradores sujam e os turistas sujam...Isto ocorre há 30 anos não só em Cabo Frio, mas em toda Região dos Lagos. Se os governantes não fizerem o seu dever de casa, que é ter um turismo de qualidade, uma qualificação dos ambulantes, barraqueiros e claro levar a educação ambiental a sério. Em breve perderemos o pouco do que resta de nosso paraíso.


*Fotos: Imagens do caos do verão!
*Fotos: Rodrigo Poeta.
*Data: 10-01-17.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

TURISMO DA DEPREDAÇÃO



TURISMO DA DEPREDAÇÃO

           Este é o turismo de qualidade em Cabo Frio-RJ. Mais de 30 anos de depredação ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e as raízes cabo-frienses.
         Até hoje nenhum governante se preocupou em fazer um programa de turismo ecológico, patrimonial e educacional na cidade. Ter cidade cheia não é sinônimo de qualidade, se não tem infraestrutura para comportar tanta gente.
               A população também é culpada, reclama e não faz nada. Esta foto é o nosso cartão postal há 30 anos de descaso e falta de carinho com a cidade. Sou filho da terra...Amo Cabo Frio, mas o povo me desculpe boa parte ama isso.



*Fotos: Churrasco nas pedras ao lado do patrimônio cultural, o Forte São Mateus.
*Fotos: Rafael Andrade.
*Data: 07-01-17.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

FRASES & PENSAMENTOS!


O QUE HERDAMOS DO VERÃO POR MARTHA PESSOA CORTES

*Foto: Clave do Sol invertida para representar 
a não musicalidade do Funk.


O QUE HERDAMOS DO VERÃO



      Todo verão no Brasil sabemos que um hit qualquer irá embalá-lo. Houve uma época que era a vez do Axé, já teve do Sertanejo Universitário e há algum tempo o Funk vem dominando as paradas.
      O Funk do ponto de vista artístico deveria ser banido da classificação como música, uma porque ele funciona quase exclusivamente com uma única batida, outra porque a dança seu maior chamariz de adeptos, limita-se a mulheres seminuas rebolando sempre da mesma forma, e ainda porque a letra em geral é de uma pornografia promíscua, infantil e machista.
       No Funk a mulher é retratada como objeto de prazer masculino a revelia dos desejos e anseios delas. Como se o objetivo final do ser feminino fosse o de dar prazer ao homem e como se todo homem, apenas por carregar um pênis, fosse capaz de realizar todas as mulheres do mundo.
        O hit do momento é um exemplo disso, embora inicialmente a música chamava-se: "Dando onda", e não havia apelo sexual na letra, antes um romance água com açúcar, onde o "compositor" ressalta a alegria de estar com sua amada. Para estar no Top 10 do verão precisa de dos apelos sexuais, todos, com isso a letra da música sofre duas alterações básicas que definem todo o machismo enraizado nessa sociedade. Na parte onde se cantava que "saudade se você" ocorreu a substituição por "que vontade de fuder", a segunda alteração é: "meu pau te ama". Ou seja, o clássico órgão dos sentimentos, coração, fora substituído pelo pênis.
              Não se pode esperar muito dessa sociedade que de modo geral crítica roupas das mulheres e a classificam por "não casáveis" (e aí entram várias palavras de baixo calão, que talvez não caibam nesse texto), no entanto faz com que uma música como essa vire um fenômeno estatual, talvez nacional.


*Martha Pessoa Cortes.
- Professora em Armação dos Búzios-RJ.
- Estudante de Geografia pelo CEDERJ/UERJ.

segunda-feira, janeiro 02, 2017

O AR DA PALAVRA ARTE POR LORENA MOURA

*Tela de Conrad Roset.

O AR DA PALAVRA ARTE


            No meu ensino fundamental eu amava as aulas de Artes. As cores me encantavam, embora eu achasse que não levava o menor jeito com pinturas, desenhos e recortes. Eram nessas aulas que eu me sentia verdadeiramente livre.
          A começar pela organização da sala de aula, onde não haviam fileiras (uma cadeira atrás da outra), mas uma grande roda com um enorme vazio no meio. Nesse vazio que surgiam nossas produções.
            Eu gostava de me sujar com as tintas, de perguntar o significado dos desenhos tão singulares dos meus amigos e rir das minhas obras finalizadas. Gostava também de conhecer as histórias dos grandes artistas...Lembro-me quando conheci algumas obras de Van Gogh e me apaixonei por suas margaridas, assim como fiquei tentando entender o que Tarsila do Amaral quis dizer ao desenhar o corpo de Abaporu. Mais tarde pude conhecer as cores de Frida Khalo (a minha preferida) e foi quando eu descobri que a Arte vai muito além das pinturas. 
          Frida me despertou o interesse de conhecer a Arte existente dentro de mim, porque ela foi capaz de enxergar a Arte dentro dela mesma e mostrou isso ao mundo com muita intensidade e verdade. Com o tempo eu passei a ver a Arte em tudo, até na dor. É muito "louco" quando você percebe isso e eu queria falar um pouco sobre.
           A arte é dobra e ela opera essas dobras, por exemplo, ao perder um grande amor somos capazes de em meio a tamanho sofrimento produzir algo belo, significativo e que ficará eternos.
               Como algo que morre pode torna-se eterno se não for pela Arte? Quando eu descobri isso eu quis virar artista, porque eu queria eternizar as coisas, através de poesias, filmes, músicas, quadros, livros, fotografias e não caberia aqui as diversas conjunturas de arte que existem.
            É importante dizer que o artista não é só a pessoa que possui um talento específico, como tocar um instrumento. Artista é todo aquele que possui um corpo, ou seja, todos nós podemos fazer arte. As crianças talvez sejam os maiores artistas do mundo, por que elas estão o tempo todo experimentando. A arte é experimentação e ela nos eleva.


*Lorena Moura  é estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense - UFF em Campos dos Goytacazes-RJ.