quinta-feira, abril 04, 2019

Embaixada do Brasil no Cairo fazendo velha diplomacia por Anthony Rasib




          Embaixada do Brasil no Cairo fazendo velha diplomacia


           No último dia 28 de março a página da Embaixada do Brasil no Cairo postou um vídeo em língua inglesa demonstrando inovações no país, mas o conteúdo gerou polêmica também.
          Postagens repetitivas em língua inglesa na página oficial no Facebook daquela representação brasileira no Cairo realmente são necessárias? 
         O Brasil recentemente entrou em uma nova política, seu povo começou estudar melhor estes assuntos e também conectar-se diariamente em grupos de discussão do país. 
        Aquelas antigas políticas feitas em algumas representações diplomáticas já não possuem espaço na vida do "novo brasileiro". 
       Como parte de um trabalho límpido e transparente nossas embaixadas e consulados nos países estrangeiros devem ter cerca de noventa por cento de seu conteúdo em língua portuguesa. 
          Seria um desrespeito o uso repetitivo de língua estrangeira nestas representações?
        O brasileiro deseja saber como os nossos representantes diplomáticos estão trabalhando, o uso constante de uma língua estrangeira de certo modo divide informações que precisam estar em língua nativa. 
      Alguns seguidores da página questionaram tal situação e não foram respondidos por um responsável. 
Uma grande parcela de missões diplomáticas do Brasil necessita melhorar seu atendimento ao povo do país e devemos estar de olho nestas representações.

          A Embaixada

    Informações encontradas no sítio do Ministério das Relações Exteriores apresentam Sua Excelência Ruy Pacheco de Azevedo Amaral como representante da missão brasileira no Cairo, paulistano e divorciado, com experiências diplomáticas em território libanês. De qualquer modo os meios de comunicação em redes sociais na embaixada estão com falha no momento de interação com os brasileiros, não sabemos quem são os responsáveis por este departamento, mas notamos que precisam urgentemente de maior visibilidade em seus trabalhos e consideração quando se trata de atendimento ao próximo. 
    Este problema não é particularidade da embaixada no Cairo, outros consulados e missões brasileiras no exterior também estão trabalhando uma "velha diplomacia", apenas estando como embaixada no entendimento teórico e burocrático, porém deixando de lado sua organização funcional. 
         O Brasil vive um momento especial, não só na política, mas também em sua sociedade e devemos estar atentos aos trabalhos de embaixadas e consulados que devem representar nosso país com qualidade no exterior.

     O Conteúdo editado 

         Podemos constatar que no dia 31 de março ocorreu uma edição no conteúdo que antes estava somente em inglês e agora em três idiomas. 
Parabenizamos por um lado os administradores da página, porém isso não poderia ser feito antes que fosse cobrado? 
        O diplomata precisa lembrar que é um direito do brasileiro receber informações em seu idioma. 
        Não seria o momento das embaixadas e consulados estarem mais próximos de seus cidadãos? 
        O brasileiro deve buscar mais informações destas representações? 
        Vamos buscar respostas e sempre trazer conteúdo relevante. 
         Dear Ruy Pacheco é hora de respeitar nossa riquíssima língua! 


Anthony Rasib 
Fundador do Gazeta de Beirute – Analista Político para o Oriente Médio (IPAME)

segunda-feira, abril 01, 2019

RODRIGO POETA TOMA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE CABO FRIO

*Rodrigo Poeta toma posse na ALACAF.



*No dia 20 de março na Semana Teixeira e Sousa no Charitas em Cabo Frio/RJ, o escritor Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta) tomou posse como Membro Fundador da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio/RJ, entidade que tem como Presidente, a escritora e professora Jaqueline Brum. O Patrono da cadeira 35 é o escritor e seu tataravô Virgílio Aurélio Gomes, que foi escolhido por Rodrigo Poeta. Na ocasião aconteceu uma brilhante palestra da pesquisadora e professora Rose Fernandes sobre Teixeira e Sousa, que é Patrono da ALACAF. 

*Na foto: Rodrigo Poeta e a pesquisadora Rose Fernandes.

*Na foto: Acadêmicos da ALACAF e Rodrigo Poeta.

*Na foto: Jaqueline Brum (Presidente da ALACAF),
Rodrigo Poeta e seu amigo, o escritor Israel Albuquerque.

*Na foto: Rodrigo Poeta e sua musa Fabiana Batista.

sexta-feira, janeiro 25, 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO “A FACE OCULTA DO AMOR” DE ISRAEL ALBUQUERQUE





LANÇAMENTO DO LIVRO “A FACE OCULTA DO AMOR”




           O amor esconde uma face sombria. É importante saber lidar com ela, caso necessite. De forma poética, o livro A face oculta do amor, trata-se de um alerta para os casos de Feminicídios ocorridos atualmente e nos remete a uma reflexão de duas épocas românticas; a primeira, onde tudo começou; a segunda, nossa época atual. Com o intuito de mostrar a evolução ( ou regressão) com que a humanidade vem vivenciando o romantismo nos relacionamentos. Tratando-se de face sombria, para quem gosta, o livro ainda contém poesias sombrias e melancólicas. Tentando agradar todos os gostos, o autor elaborou um livro diversificado que não poderia deixar de fora temas como: Natureza, fé, política, homenagem a cidades vizinhas e importantes escritores.
       O livro está a exposição nos dias 25 e 26 de janeiro na Feira do Livro da Praça das Águas, praça central da cidade de São Pedro da Aldeia (RJ).    

segunda-feira, novembro 19, 2018

Entrevista com a poeta árabe-israelita Dareen Tatour ‎por Rodrigo Poeta





Segue a abaixo uma entrevista inédita para o Brasil feita por Rodrigo Poeta com a poeta árabe-israelita Dareen Tatour em português e inglês:



Estou muito feliz por fazer esta entrevista. E com amor.


1-A poesia transforma pessoas?

Sim, na minha opinião, os poemas mudam o homem e afetam seus sentimentos e pensamentos. O poema dá às pessoas espaço para pensar sobre mudança ou esperança de mudança. A escrita de poemas é a única maneira pacífica de resistir a todas as manifestações de injustiça e ocupação e contribuir para a mudança. É o espaço que une as pessoas para transmitir sofrimento e defender o fim da injustiça.

2-Quais são os autores que influenciam você?

Fadwa Toukan, Nazek Al Malaika, Mahmoud Darwish, Jabran Khalil Gibran, Paulo Coelho, Ghassan Kanafani e Kafka.

3-Já publicou algum livro?

Sim, publiquei um livro de poesia em 2010 com o título de “A Recente Invasão”. Eu escrevi na prisão dois outros livros e os publicarei em breve.

4-Quais são os temas de seus poemas?

Escrevo sobre tudo que sinto. Sobre a terra natal, sobre mulheres, sobre crianças e infância, sobre amor, sobre política, sobre dor, sobre ocupação. Tudo o que sinto e vivo se torna assunto de um poema.

5-Como está o seu processo de produção poética?

A produção poética é uma reprodução dos sentimentos humanos no papel e transferida para o outro. É um documento de uma condição humana para sempre. E documentar sentimentos através dos cabelos dos seres humanos novamente, mesmo após a morte.

6-Em 2019 será homenageado no XII Concurso POESIARTE de Poesia no âmbito internacional. Como você se sente sendo homenageado no Brasil pelo escritor Rodrigo Poeta neste concurso literário?

Eu sou muito mais feliz quando qualquer poeta ou escritor é honrado no mundo, porque a poesia merece isso. Era um hábito homenagear o poeta após sua morte, mas estou feliz que o poeta hoje tenha se honrado ao escrever. Porque o poeta pode escrever uma nova história da humanidade.




I am very happy to do this interview. And with love.

1-Does poetry transform people? 

Yes, in my opinion, the poems change man and affect his feelings and thoughts. The poem gives people room to think about change or hope for change. The writing of poems is the only peaceful way to resist all manifestations of injustice and occupation and contribute to change. It is the space that binds peoples together to convey suffering and to advocate an end to injustice.

2-What are the authors that influence you?

Fadwa Toukan, Nazek Al-Malaika, Mahmoud Darwish, Jabran Khalil Gibran , Paolo Coelho, Ghassan Kanafani, Kafka.

3-Have you published any books yet?

Yes I published a poetry book in 2010 and its name was the recent invasion. I have written in prison two other books and I will publish them soon.

4-What are the themes of your poems? 

Write about everything I feel. About the homeland, about women, about children and childhood, about love, about politics, about pain, about occupation. Everything I feel and live becomes a subject for a poem.

5-How is your process of poetic production? 

Poetic production is a reproduction of human feelings on paper and transferred to the other. Is a document of a human condition forever. And documenting feelings through the hairs of human beings again even after death.

6-In 2019 will be honored in the XII Poetry Poetry Competition in international scope. How do you feel being honored in Brazil by writer Rodrigo Poeta in this literary contest?

I am much happier when any poet or writer is honored in the world because poetry deserves this. It was a habit to honor the poet after his death but I am happy that the poet today became honored as he writes. Because the poet can write a new history of humanity.



terça-feira, setembro 04, 2018

CINZAS DA OBSCURIDADE POR RODRIGO POETA

*Foto: O Dia.

Cinzas da Obscuridade

         Mais uma vez o descaso com o patrimônio cultural no Brasil vira cinzas. Anos atrás foi o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, que teve sua memória queimada, agora foi à vez do Museu Nacional no Rio de Janeiro a queimar nas chamas do abandono político a virar cinzas da obscuridade.
        Este é o legado de décadas de uma política corrupta a destruir a nossa cultura ao patamar mais sepulcral de todos os tempos.
       Não pode esquecer-se de como foi
à luta para permanecer de pé o Museu do Índio no Rio de Janeiro. A cada ano a cultura perde e os néscios afloram as mazelas construídas pela corrupção política do país.
        Casarios antigos, museus em todo o país, pesquisadores, cientistas estão a cada dia sofrendo nesta rota anticultura em pleno século XXI.
         Mesmo assim, ainda resistem os bravos da memória brasileira como os grandes da Semana de Arte Moderna de 1922, que iniciaram a luta pela verdadeira identidade nacional, pois entre as cinzas das horas nascem os sonhadores em prol da cultura brasileira.

Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta)
Escritor cabo-friense

quinta-feira, agosto 16, 2018

A INTOLERÂNCIA TEM MEDO DA POESIA! POR RODRIGO POETA



A INTOLERÂNCIA TEM MEDO DA POESIA!




             No dia 8 de agosto a intolerância a liberdade poética levou a poetisa árabe-israelita Dareen Tatour a cumprir cinco meses de reclusão. Tudo por causa de seus versos contra uma guerra sem fim, uma guerra que resiste pelo ódio e pela perseguição ao povo palestino. Onde granadas e balas das forças de Israel enfrentam pedras e versos palestinos numa corrente da poesia Palestina de Combate a ilustrar os confrontos da dor.
        “Resiste, meu povo, resiste” este é o verso de Darren, que luta contra a perseguição da sua cultura e história de seu povo. Em forma de poesia escreveu sua indignação contra sua prisão. Segue um trecho do poema traduzido por mim na versão em inglês traduzida pelo poeta Tariq al Hayadar:


“Eu escrevi sobre a injustiça atual,
Desejos em tinta,
Um poema que eu escrevi ...
A acusação usou meu corpo,
Dos dedos dos pés até o topo da minha cabeça,
Porque eu sou poeta na prisão
Uma poetisa na terra da arte.
Sou acusada de palavras,
Minha caneta o instrumento.
Tinta - sangue do coração – testemunha...”


         A intolerância tem medo da poesia, pois ela manipula as pessoas ao mal, pois a paz aos homens do poder não existe, por causa da ganância ilustrada pelas armas, por uma guerra sem fim patrocinada pelo ego, onde a democracia é camuflada até aos versos de quem escrever o horror sem lógica, vividos por ambas partes, com as bênçãos do Capitalismo.
     Quem lucra com esta guerra sem fim? Quem ganha por essa cultura do ódio? 
     Infelizmente não são os inocentes, as pessoas que comungam a paz em ambas as partes no território tão aclamado como santuário de Deus.
       Apesar de tudo, a poesia resiste em pleno século XXI num combate feito de versos a enfrentar a corruptela humana. 


Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta)
Escritor brasileiro


Segue abaixo a tradução do poema de Dareen Tatour em português que a levou a prisão:







Resista meu povo! Resista!


(traduzido e revisado para o português por Rodrigo Poeta na versão em inglês traduzida pelo poeta Tariq al Haydar)



Na minha Jerusalém, vesti minhas feridas
E respirei minhas tristezas para Deus,
Que carregou a alma na minha palma da mão
Para uma Palestina Árabe.


Eu não vou sucumbir à "solução pacífica"
Desde que o veneno se espalhou,
Matando flores da minha casa.


Nunca abaixei minhas bandeiras,
Até que eu os expulses da minha terra.
Eu gostaria que eles se ajoelhassem por um tempo.
Resista meu povo! Resista!


Resista ao roubo do colono.
Destruir a constituição é vergonha,
Que impõe a degradação e humilhação
E nos impede de restaurar a justiça.


Resista meu povo! Resista!
Siga a caravana dos mártires!
Eles queimaram crianças sem culpa,
Quanto a Hadil, eles a denunciaram em público.
Matou-a em plena luz do dia.
Quanto a Maomé, eles arrancaram os olhos,
Crucificaram ele, na dor de desenhada
Em um corpo.


Eles derramaram ódio em Ali!
Começaram os incêndios,
Esperanças queimadas no berço.
Resista ao ataque do colonialista.
Não ligue para seus agentes entre nós,
Que nos acorrentam com a ilusão pacífica.


Não tenha medo do Merkava!
A verdade em seu coração é mais forte,
Enquanto você resistir em uma terra!


Isso tem vivido incansavelmente através de invasões.
Então Ali chamou de seu túmulo:
Resista, meu povo rebelde.
Escreve-me como prosa no agarwood;
Meus restos têm você como resposta.


Resista meu povo! Resista!


    No dia 12 de agosto realizei com os meus alunos do sétimo ano do fundamental uma oficina de poesia em homenagem a poetisa Dareen Tatour com o tema: “Resista meu povo! Resista!” dentro da realidade brasileira e mundial e que será tema em 2019 no XIII CONCURSO POESIARTE em homenagem a poetisa Dareen Tatour com apoio do Portal Árabe.


Segue abaixo alguns poemas e trechos escritos:


Resistam! Precisamos resistir!
Não importa a tristeza,
O importante é sorrir!

(Isabela Schneider)


Você precisa resistir agora,
Mesmo que esteja difícil.
Sei que é forte o suficiente
E que vai conseguir superar.


Tudo que está complicado
Vai ter um fim
No qual você não imagina.
Tudo irá se ajeitar conforme o tempo.
Apenas resista,
Seja forte.
Resista,
Você é capaz disso.

(Maria Eduarda Bezerra)


Meu povo! Vamos resistir!
Sei que há muitas injustiças,
Mas temos que resistir.

(Ana Karoliny)


Ó meu amado povo
Não desista, resiste!
Resiste meu povo,
Aguente a dor da guerra!
Resiste, meu povo, resiste!


(Caíque Ferreira)



*Publicado também no Portal Árabe através do grande amigo e irmão de poesia Anthony Rasib. Segue o link abaixo:

sábado, agosto 11, 2018

NAZARETH DA CRUZ GOMES: A PRIMEIRA POETISA DA REGIÃO DOS LAGOS

NAZARETH DA CRUZ GOMES
(1877-1950)


      O Simbolismo surgiu na França no final do século XIX em oposição ao realismo e ao naturalismo. Resgatou a subjetividade romântica através da sensação e da musicalidade. O francês Charles Baudelaire com o livro Flores do Mal, deu origem ao Simbolismo. 
No Brasil o movimento simbolista se tornou notório com os poetas Cruz e Sousa (1861-1898) de Florianópolis/SC e com Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) de Ouro Preto/MG. Outros poetas também seguiram as tendências do movimento. 
         Nazareth da Cruz Gomes renasce na Literatura a figurar ao lado de outras poetisas simbolistas do século XIX como: Auta de Souza (1876-1901) de Macaíba/RN, Narcisa Amália (1852-1924) de São João da Barra/RJ, Francisca Júlia (1871-1920) de Eldorado Paulista/SP e Gilka Machado (1893-1980) do Rio de Janeiro/RJ.
       Em 2013 aproximadamente cinco anos atrás minha tia avó Nazareth Carvalho me enviou o poema O Coração da minha trisavó Nazareth da Cruz Gomes compilado pelas mãos de minha bisavó Noêmia, um poema escrito no século XIX. No ano de 2015, chega a mim uma cópia do original do seu poema O Coração escrito no século XIX, graças às pesquisas genealógicas feitas pelo meu primo Carlos Delano Carvalho. No ano de 2016 recitei o poema e comecei a fazer análises poéticas nele e descobri os traços simbolistas em seus versos. Já em 2017 apresentei o nome de Nazareth da Cruz Gomes como a única poetisa da Região dos Lagos em eventos das cidades de Cabo Frio/RJ, Iguaba Grande/RJ e Itaperuna/RJ. No mesmo ano chega a mim uma cópia do livro de Virgílio Aurélio Gomes, pai de Nazareth da Cruz Gomes. No livro além de textos em prosa e verso de Virgílio, encontrei outro poema de Nazareth. 
         Nazareth da Cruz Gomes foi homenageada no XII CONCURSO POESIARTE de POESIA de 2018 em âmbito internacional com o tema: O Coração, concurso de autoria de Rodrigo Poeta. Um marco a redescoberta tanto da poetisa Nazareth da Cruz Gomes como do seu pai o escritor Virgílio Aurélio Gomes. Nazareth da Cruz Gomes até o momento dentro das pesquisas feitas é a única poetisa da Região dos Lagos no século XIX do Estado do Rio de Janeiro a escrever poesia no estilo simbolista.
       Nazareth da Cruz Gomes nasceu em 30 de maio de 1877 na cidade de Saquarema/RJ filha do cronista e poeta Virgílio Aurélio Gomes de Villa Capivary (atual cidade de Silva Jardim) e de Maria Carolina da Cruz Gomes de Cabo Frio/RJ. Foi poetisa de estilo simbolista, pianista e professora. Teve cinco irmãos sendo eles: Aurora, Augusta, Adelaide, Manuel e Linho, ambos de Barra de São João/RJ. Foi batizada em 15 de agosto de 1878 na cidade de Araruama/RJ na Paróquia de São Sebastião, tendo como padrinhos Manuel Marinho Leão e Augusta (Manazinha).


*Na foto: Nazareth e Secundino.



         Casou em 5 de outubro de 1895 com   o lavrador Secundino Teixeira Pinto de São Paulo/SP, que residia em Laje do Muriaé/RJ, filho de Sebastião Pinto Monteiro e Maria Candida. Nazareth passa a usar o sobrenome Pinto. Seu esposo veio a falecer em 1941 em Laje do Muriaé/RJ. Nazareth da Cruz Gomes veio a falecer em 19 de novembro de 1950 na cidade do Rio de Janeiro/RJ e seu sepultamento foi realizado no Cemitério de Inhaúma. Ela teve 14 filhos. São três homens: Décio, Manoel e Sebastião. Onze mulheres: Adelaide, Clélia, Dulce, Diná, Guiomar, Irene, Izabel, Maria (Mariquinha), Maria José, Noêmia e Zélia.


*Nazareth da Cruz Pinto e Secundino Teixeira Pinto, 
família e alunos.


*Foto de Nazareth da Cruz Gomes já no século XX.



Segue abaixo os poemas de Nazareth da Cruz Gomes:



*Imagem do original referente ao poema O Coração escrito em 1894 por Nazareth da Cruz Gomes.



O CORAÇÃO


Põe minha amiga, põe teu peito
tua serena mão.
Ouves?Há dentro dele um carpinteiro
que trabalha de noite e o dia inteiro
pregando o meu caixão.


Vamos! Trabalha mestre! Sim trabalha
a obra sem cessar!
Não deixes a tarefa em abandono!
Vamos! Trabalha mestre eu tenho sono
e quero descansar!


Nazareth da Cruz Gomes
18 de janeiro de 1894

            No poema O Coração, possui duas estrofes de cinco versos (duas quintilhas), o eu lírico utiliza sinestesias na primeira estrofe como nos versos: “Põe minha amiga, põe teu peito/tua serena mão.” (sinestesia de sentido tátil) e “Ouves? Há dentro dele um carpinteiro...” (sinestesia de sentido auditivo). O eu lírico utiliza a subjetividade através de divagações entre uma conversa com a morte, onde o carpinteiro é o coração que trabalha o dia inteiro sem descansar, mesmo sabendo que um dia vai parar. No poema há uma linguagem vaga e fluída, que preza pela sugestão como no trecho do terceiro verso da primeira quintilha no vocábulo “Ouves?”. 
              O Coração além de título do poema é uma metáfora que subjetivamente compara o órgão da vida com o trabalho de um carpinteiro. O descanso é símbolo transcendental representado pela palavra “sono”, que determina a dor de existir.
             O ritmo do poema é traçado entre assonâncias, aliterações e rimas que afloram no segundo verso de cada quintilha. Assonância relacionada à vogal “a” nos vocábulos da segunda quintilha no primeiro e segundo versos: “trabalha a obra sem cessar!” Aliteração no primeiro verso da primeira quintilha das consoantes “p” e “t”: “Põe minha amiga, põe teu peito...”
           A rima é feita na seguinte forma: o segundo verso rima com o quinto e o terceiro verso com o quarto. Como segue:



1ª estrofe da quintilha:

Põe minha amiga, põe teu peito

tua serena mão. (segundo verso)
Ouves?Há dentro dele um carpinteiro (terceiro verso)
que trabalha de noite e o dia inteiro (quarto verso)
pregando o meu caixão. (quinto verso)


2ª estrofe da quintilha:

Vamos! Trabalha mestre! Sim trabalha

a obra sem cessar! (segundo verso)
Não deixes a tarefa em abandono! (terceiro verso)
Vamos! Trabalha mestre eu tenho sono (quarto verso)
e quero descansar! (quinto verso)



*Ensaio feito pelo acadêmico Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta)