ENTREVISTA EXCLUSIVA
Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)
Entrevistador e Tradutor: Anthony Rasib, Diretor de Marketing e Intercâmbio Internacional do GLIP
Convidado: Ashraf Al Bardisy País: Egito
Perfil: Criador de Conteúdo, Influenciador Cultural, Empresário com uma Agência de serviços turísticos no Egito.
É com imensa honra que o Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP) recebe hoje Ashraf Al Bardisy, uma das vozes mais autênticas na divulgação da cultura egípcia para o mundo. Empresário e influenciador, Ashraf rompe fronteiras digitais para levar a essência de sua terra natal ao público global.
1. Anthony Rasib: No cenário atual da globalização, qual é o papel de criadores de conteúdo e guias profissionais na preservação da imagem de uma nação? Como você enxerga a responsabilidade de ser a "voz" de um país com uma história tão vasta e significativa para a humanidade?
Ashraf Al Bardisy: Na condição de criador de conteúdo e guia, atuo como um embaixador da vasta história do Egito. Meu papel é estabelecer uma ponte entre nossa herança milenar e o mundo contemporâneo. Ao mesmo tempo em que exalto a beleza de nossos sítios icônicos, mantenho-me justo, realista e íntegro. A verdadeira credibilidade é construída ao apresentar o que nossa nação tem de melhor, sem abdicar de uma perspectiva autêntica. Dedico-me também a revelar as inúmeras preciosidades ocultas que, atualmente, são negligenciadas. A honestidade garante que os visitantes confiem em minha voz, respeitem nossa cultura e descobram nossa total profundidade.
2. Anthony Rasib: Por que a comunicação direta e o intercâmbio cultural digital são fundamentais para que a verdadeira história e a cultura egípcia cheguem ao público mundial com autenticidade, sem os filtros de narrativas externas ou estereótipos?
Ashraf Al Bardisy: Historicamente, a imagem do Egito foi moldada por filtros externos e estereótipos que limitam nossa identidade. Ao dialogar diretamente com um público global, ofereço uma narrativa autêntica e de primeira mão. Tenho a liberdade de evidenciar preciosidades ocultas, como a Pirâmide Vermelha, a Bayt Al-Suhaymi e a Cidade dos Mortos, que a mídia convencional frequentemente negligencia. Esta ponte digital garante que o mundo contemple a profundidade total de nossa herança através de um olhar local, permitindo que os visitantes respeitem nossa cultura viva e descobram a real magnitude histórica de nossa nação.
3. Anthony Rasib: Como um egípcio que comunica sua cultura para o exterior, como você percebe o fascínio global pelo Egito? Houve algum momento ou feedback específico em que você sentiu que seu conteúdo estava quebrando barreiras geográficas e unindo pessoas de diferentes continentes?
Ashraf Al Bardisy: Percebo o fascínio global pelo Egito como um elo universal; pessoas de todas as partes do mundo reconhecem nossa história como um legado compartilhado da humanidade. Em meu trabalho, observo que o conteúdo referente ao Egito Antigo gera o maior índice de engajamento, superando o alcance global das narrativas islâmicas, coptas ou da história moderna. Um momento emblemático em que senti o rompimento das barreiras geográficas foi ao compartilhar conteúdos sobre Tutancâmon. Este tema unificou pessoas de diferentes continentes, provando que a Egiptologia é, de fato, uma linguagem universal. Ao difundir sua trajetória, testemunhei como nossa herança pode verdadeiramente servir de ponte entre culturas e aproximar o mundo sob uma mesma identidade histórica.
4. Anthony Rasib: Você já guiou turistas brasileiros? Se sim, como foi essa experiência? Existe algo no jeito brasileiro de conhecer o Egito que te chame a atenção ou que facilite essa troca cultural e humana?
Ashraf Al Bardisy: Curiosamente, ainda não tive a oportunidade de guiar brasileiros em solo egípcio, mas tive encontros memoráveis com eles em outras partes do mundo, como durante a Copa do Mundo na Alemanha, e também em destinos como Tailândia e Indonésia. Notei que o público brasileiro possui um espírito explorador notável.
5. Anthony Rasib: Como especialista, você conhece algum local, templo ou experiência que poucos agentes turísticos divulgam em pacotes convencionais, mas que proporciona uma visita inesquecível ao turista? Qual seria esse "tesouro escondido" que você recomendaria para quem busca o Egito autêntico?
Ashraf Al Bardisy: Recomendo enfaticamente o Templo de Dendera. Embora frequentemente excluído dos pacotes convencionais, é um dos sítios mais bem preservados do Egito. Seus tetos ainda conservam cores vibrantes e originais, além de raros zodíacos astronômicos que trazem a história à vida. Os visitantes podem explorar criptas estreitas ou subir ao terraço onde ocorriam rituais ancestrais, desfrutando de uma atmosfera espiritual e serena, longe das multidões. Para quem busca o Egito autêntico, Dendera oferece uma ponte singular entre a ciência antiga e a arte, proporcionando uma experiência inesquecível que parece intocada pelo comercialismo moderno.
Para uma jornada verdadeiramente memorável, recomendo explorar os Desertos Branco e Preto; suas formações de calcário que lembram paisagens lunares e suas colinas vulcânicas oferecem uma experiência de acampamento surreal sob as estrelas. O Oásis de Siwa é outra joia essencial, famoso por seus lagos de sal e pela cultura berbere única. Já no Mar Vermelho, enquanto El Gouna oferece um estilo de vida moderno e sofisticado, Dahab proporciona uma vibração boêmia e relaxante, e Marsa Alam permanece um paraíso intocado para mergulhadores. Esses locais revelam o "Egito Real": uma fusão de tranquilidade ancestral, beleza natural bruta e uma vida moderna vibrante que as excursões convencionais muitas vezes deixam de notar. Para finalizar, também indico o Cruzeiro no Nilo entre Luxor e Aswan.
6. Anthony Rasib: Como foi crescer cercado por uma história que o mundo inteiro estuda nos livros? Conte-nos um pouco sobre a sua cidade natal e a sua infância: qual é a sua lembrança mais antiga de olhar para um monumento e perceber que aquilo não era apenas "pedra", mas parte viva de quem você é?
Ashraf Al Bardisy: Eu cresci na Rua Al Ahram (a rua das pirâmides), e as Grandes Pirâmides eram a minha paisagem cotidiana. Embora minha formação acadêmica tenha sido em Contabilidade, minha trajetória como Comissário de Bordo Chefe (Flight Purser) na Kuwait Airways permitiu-me contrastar diversas culturas globais com a minha própria. Essa perspectiva internacional inspirou-me a retornar e fundar minha própria agência de serviços turísticos em El Gouna. Ao estabelecer uma ponte entre minhas raízes locais e minha experiência global, hoje compartilho a história viva do Egito através das minhas lentes, garantindo que nossas narrativas alcancem o mundo com autenticidade e um rigoroso toque profissional.
7. Anthony Rasib: Qual o maior diferencial que você busca trazer para que o público mundial entenda a complexidade e a beleza da vida árabe moderna, transformando sua identidade local em uma narrativa que faça sentido para qualquer pessoa no mundo?
Ashraf Al Bardisy: Meu principal diferencial é demonstrar que o Egito é uma sociedade viva, e não apenas um museu de antiguidades. Eu estabeleço uma ponte entre nossas raízes históricas e a vida árabe moderna ao focar em conexões humanas universais. Seja ao destacar o esmero de um artesão local ou a hospitalidade encontrada em El Gouna, apresento valores como a generosidade e a resiliência, que ecoam globalmente. Ao compartilhar nossa música contemporânea, nossa gastronomia e nossas tradições ao lado de nossos monumentos, supero estereótipos limitantes. Transformo minha identidade local em uma narrativa que permite ao mundo enxergar o Egito como uma nação vibrante, complexa e profundamente conectada com a realidade de qualquer pessoa.
8. Anthony Rasib: Qual é a missão essencial que te move ao mostrar o "Egito real"? O que você mais gosta de revelar sobre o cotidiano do seu povo que as câmeras de cinema e os grandes documentários de história raramente mostram?
Ashraf Al Bardisy: Minha missão essencial é reivindicar nossa narrativa, demonstrando que o Egito é uma nação viva, e não apenas um museu. Enquanto os documentários focam em pedras silenciosas, sinto prazer em revelar o calor e o humor do nosso cotidiano. Amo mostrar a hospitalidade "oculta" — o chá compartilhado com um estranho, a energia pulsante de um mercado local ou o espírito moderno e criativo em lugares como El Gouna. Esses momentos humanos, que as câmeras de cinema frequentemente ignoram, provam que nosso maior tesouro não é apenas o nosso passado ancestral, mas a alma resiliente e acolhedora do povo egípcio de hoje.
9. Anthony Rasib: Como você percebe o movimento atual da juventude egípcia em relação à manutenção de suas raízes e tradições?
Ashraf Al Bardisy: Percebo um poderoso "Despertar Digital" entre a juventude egípcia. Hoje, os jovens não são apenas consumidores passivos da história; eles são seus protetores ativos. Estamos testemunhando uma mudança massiva, onde a Geração Z e a Geração Y utilizam plataformas como TikTok e Instagram para reivindicar nossa narrativa — distanciando-se das "pedras silenciosas" dos antigos documentários em direção a uma celebração vibrante e viva de nossas raízes.
Ashraf Al Bardisy agradece o espaço ao público do Brasil e países da lusofonia, via Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP).
Seus trabalhos estão acessíveis neste link:
👉 TikTok - @red.sea.guide2
Ashraf também é muito ativo no Facebook, participando de grupos da cultura libanesa e egípcia.

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