ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A ESCRITORA TERESA NOGUEIRA, MEMBRO TITULAR DO GLIP
Organização: Grêmio Literário Internacional Poesiarte (GLIP)
Entrevistador: Anthony Rasib, Secretário Executivo do GLIP
1. Como você, sendo Membro Titular do GLIP, define a missão essencial do Grêmio no cenário literário atual, e qual é o maior diferencial que a instituição traz para novos poetas e escritores?
Teresa Nogueira: Eu creio que a missão essencial de um grêmio literário seja fomentar novos escritores e dar chance a talentos que vivem escondidos de se mostrarem. Sabemos que não é fácil para quem escreve entrar no mundo literário; vejo como um grupo fechado em que poucos sobrevivem, até porque é um meio caro. Creio que o diferencial de um grêmio seja o de dar visão e vez a quem tem potencial, mas não sabe como chegar lá. Eu acredito que sem emoção não há poesia; penso que palavra e emoção andam juntas. Eu digo que quem escreve, escreve para o outro, e isso precisa tocar em sua emoção. Meu coração e mente são uma confusão só. Às vezes quero falar aquilo de que o coração está cheio, mas a mente pondera e diz: "vai devagar"... e aí acende a luz da razão e o texto flui leve (risos). Gosto de escrever algo que deixe sempre uma mensagem, uma reflexão. Às vezes deixo o coração e a mente fluírem juntos... aí é lágrima na certa.
2. Toda trajetória literária costuma ter um despertar. No seu caso, houve a influência de algum familiar, professor ou conhecido que a incentivou a dar os primeiros passos na escrita? Como essas figuras foram decisivas para que você se tornasse a escritora que é hoje?
Teresa Nogueira: Eu venho de uma família pobre e de pouco estudo. Meus pais nem tinham o primário completo, mas sabiam ler. Sempre via meu pai lendo jornal; acho que livro nunca vi. Minha mãe gostava de revistas e fotonovelas. Quando aprendi a ler, pedia os livros da escola emprestados para eles lerem. No 4º ano primário, ganhei da minha professora um livro lindo que contava a história de um peixinho... eu, que já amava, virei fã. Meu pai um dia chegou em casa todo contente e disse que tinha comprado um livro para mim. Quando abri, o livro era preto, muito grosso e não tinha leitura, só palavras: era um dicionário. O sonho dele era me dar uma Enciclopédia Barsa, mas era muito caro; então ele apareceu com outra que me ajudou muito nos estudos. Meu tio, irmão da minha mãe (hoje falecido), foi outro grande incentivador. Ele era caseiro em uma casa de turistas em Cabo Frio e me mostrava a biblioteca deles. Fiquei apaixonada por José Lins do Rego (Menino de Engenho, Bangüê), por O Morro dos Ventos Uivantes e Éramos Seis. No Ginásio, as professoras de Português eram excelentes e eu amava as aulas de Redação. Fiz meu discurso de formatura, fui aplaudida e ali comecei a escrever em diários e cadernos de versos.
3. Olhando para a sua própria infância em Itaperuna, quais são as suas memórias mais remotas com os livros? Houve algum momento específico na sua meninice em que você percebeu que a palavra escrita seria o seu caminho de vida?
Teresa Nogueira: Na minha infância não tive muito contato com livros em casa, minha família não tinha recursos. Mas eu me lembro de quando entrei para a escola, aos três anos de idade. No primeiro dia de aula, meu pai mandou eu escrever meu nome todo... como eu não soube, ele me bateu. E eu, aos três anos, disse para mim mesma que ninguém nunca ia me bater e nem me humilhar por não saber ler e nem escrever. Ao final deste mesmo ano, eu recebi meu primeiro livro e fui aprovada para uma classe acima da minha. Foi ali que percebi que a escrita seria minha força.
4. Como a menina Teresa, que cresceu no interior do Rio de Janeiro, enxergava o mundo ao seu redor, e de que maneira essa pureza do olhar infantil ainda sobrevive hoje em sua escrita e em sua atuação como professora?
Teresa Nogueira: Minha infância pode não ter tido muitos livros, mas sempre teve muita história oral, muita música... Os livros eram só os escolares e os extraclasse que éramos obrigados a ler; meus colegas odiavam e eu amava. Eu sempre tive uma criança interior que me acompanha até hoje. Comecei a dar aulas aos treze anos e, por gostar de ler e escrever, sempre tive bons alunos leitores. Sobre o meu relacionamento com as palavras, elas só vão fluindo e às vezes eu nem sei como estou escrevendo... vou juntando uma frase com a outra e, quando vejo, o texto está pronto. As palavras fazem cócegas na minha mente e, enquanto não ganham vida, não sossegam. Não gosto de usar palavras difíceis ou uma retórica forte; quanto mais simples o texto, mais ele toca e convence quem lê. Creio que não sou eu quem escolhe as palavras, mas sou escolhida por elas. Elas me ajudam a exorcizar os fantasmas da minha mente.
5. Seus livros, A Menina e o Passarinho e A Menina e o Mar, trazem uma proposta ilustrada e interativa. Como foi o processo de resgatar o lúdico para essas obras e qual o significado emocional de ver sua filha, Sylvia, dar cor e forma ao universo que você idealizou?
Teresa Nogueira: Foi uma coisa bem louca. Eu estava sentada tomando café na pandemia, ouvindo a correria da criançada fora da escola, e um passarinho na árvore do meu quintal cantava alto. Me imaginei numa conversa com ele e saiu a poesia. Mostrei para minha filha, Sylvia Braz, que é autodidata e formada em Publicidade; ela ilustrou e o editor da Focus comprou a ideia na hora. Vendi 100 exemplares em dois dias! Eu sempre amei as ilustrações da minha filha, ela nunca teve aula de desenho e sempre fez todo tipo de arte. É um orgulho. Quando falo que a ilustração é dela, só ganho parabéns. Escrever é uma forma de me manter viva. Eu digo que as palavras me seduzem e me conquistam de um jeito que, enquanto não as faço ter vida, elas não me deixam sossegada.
6. Na sua opinião, qual é o valor e a importância de projetos de comunicação como esta entrevista para o GLIP? De que forma você acredita que este tipo de divulgação beneficia e incentiva outros Membros Titulares e novos talentos do Grêmio?
Teresa Nogueira: Um valor imenso. Você, através de suas perguntas e questionamentos, me fez pensar em coisas sobre mim e sobre a arte de escrever em que eu nunca tinha pensado a respeito. Creio que ajuda a despertar mais ainda o dom da escrita e da leitura. Nem todo bom leitor escreve e nem todo bom escritor lê; parece contraditório, mas é verdade. Creio que escrever é um dom. Outros membros, lendo a nossa entrevista, podem se sentir levados a pensar sobre tudo o que foi dito e também se autoavaliarem. Para mim, sua entrevista está sendo uma autoavaliação.
7. Com sua vasta experiência no Ensino Fundamental, como você acredita que a literatura pode transformar a infância de uma criança? O que mais a encanta no contato direto entre o pequeno leitor e a poesia?
Teresa Nogueira: O que me encanta são os olhinhos brilhando quando pegam um livro na mão. Quando você faz a roda de leitura, as crianças se encantam, querem mais... Meus alunos tinham amor e respeito pelos livros porque me viam cuidar dos meus. Na minha sala de aula, havia o cantinho da leitura; quem terminasse a tarefa podia ir se sentar lá e escolher um livro. Eles amavam! Muitos pediam para levar para a mãe ou para a avó lerem. Era uma troca muito linda. Às vezes eu criava um texto na hora e eles perguntavam: "tia, de onde você tira isso?". Eu apontava para a cabeça e dizia: "daqui ó...". Eles riam e falavam: "nossa tia, cabe tudo isso aí?". E assim eles também pegavam o gosto pela escrita.
8. Você participou de dezenas de antologias importantes, como o Tributo a Pelé e os 500 anos de Camões. Como é para você, que dedicou a vida a ensinar literatura, ver seu nome hoje ao lado de grandes nomes da nossa língua em obras que atravessam fronteiras?
Teresa Nogueira: Menino... estas Antologias me pegaram de surpresa. O responsável por elas leu um texto meu numa Academia virtual de que fazíamos parte, gostou e me convidou. Eu fiquei emocionada. Sempre amei os grandes autores (apesar de não saber textos de cor, apenas um ou outro do Drummond e da Cecília). Sempre sonhei um dia, mesmo sem escrever nada até então, em entrar para a ABL... Então, ver meus textos aprovados para participações em homenagens tão importantes me dá muita alegria. Engraçado que, às vezes, a gente ensina a Literatura de uma forma tão pedagógica e limitada que não percebe o impacto que ela pode causar na vida dos alunos.
9. Tendo homenageado ícones como Carlos Drummond de Andrade, como você busca equilibrar a tradição dos grandes clássicos com a "escrevivência" — essa escrita que nasce da experiência de vida — em suas próprias poesias?
Teresa Nogueira: Minha forma de escrever é livre. Rabisco umas "bobagens" que insistem em arranhar meus pensamentos. Não escrevo baseada em nenhum autor. Gosto de escrever sobre o que sinto, o que vejo. Quase sempre escrevo na primeira pessoa (não que seja necessariamente sobre mim), mas acho que nada seja parecido com os autores citados. Talvez eu tenha um pouco do sofrimento dos clássicos (Castro Alves, José de Alencar), porque gosto de escrever coisas fortes, às vezes uma dor vivida. Mas me identifico mais com Rubem Alves, Drummond e Cecília Meireles. Gosto da "Escrevivência da Experiência" e escrevo dentro desta linha: textos que levem uma mensagem e toquem o leitor.
10. Qual é o papel do Estado ou do setor público na promoção e no fomento a uma educação que priorize o acesso ao livro desde a primeira infância, garantindo que as futuras gerações tenham o direito de sonhar através da arte e da literatura?
Teresa Nogueira: Creio que os municípios e os governos estadual e federal não estão muito preocupados em tornar os alunos leitores, porque quem lê sabe, entende e cobra. Deveria ser deles a responsabilidade de doação de livros e formação de leitores, mas não vejo o poder público preocupado com isso. Aqui na minha cidade, caminhamos com nossas próprias pernas; às vezes sai um edital, mas é tanta burocracia que a gente desiste. Já vi chegarem às escolas muitos livros bons vindos do FNDE, mas alguns diretores os trancavam a sete chaves e ninguém tinha acesso.
11. Como professora de Língua Portuguesa e Literatura, qual você considera ter sido a sua melhor e mais marcante experiência em sala de aula? Além disso, quais foram os maiores desafios que enfrentou ao longo da carreira?
Teresa Nogueira: Minha experiência boa é que, como sempre fui boa leitora, tive bons alunos leitores. Os desafios no Magistério são sempre as turmas grandes, com 35 alunos, o que dificulta um trabalho melhor, e a dupla jornada. Mas o bom professor não espera pela ajuda governamental; quando ele quer, faz acontecer. Lembro-me de uma experiência marcante na faculdade: o professor pediu para lermos O Crime do Padre Amaro. A patroa da minha mãe disse que eu estava lendo um livro proibido e minha mãe o escondeu! Foi uma luta para eu terminar o trabalho. Até hoje não me lembro qual foi o crime do padre (acho que fiquei com medo!). Gosto de leituras que tocam a emoção: Rubem Alves, Fernão Capelo Gaivota, Terra dos Homens, A Moça Tecelã.
12. Para encerrarmos, qual conselho você daria para o escritor que deseja publicar sua obra hoje? O que ele deve levar em conta ao contratar uma editora para livros físicos ou ebooks para garantir que seu trabalho seja respeitado?
Teresa Nogueira: Procure saber da idoneidade de quem vai publicar. Eu já fui vítima de golpes (risos); acreditei em promessas de uma editora, perdi dinheiro e o livro nunca saiu. Já se vão três anos e nada. Então, colegas, não entreguem sua obra em quaisquer mãos. Pesquise, peça informações, tente conhecer alguém que já trabalhou com a editora. Quanto aos ebooks, eu não sei dizer, até porque não gosto; meu negócio é o livro físico. Valorize seu texto e sua trajetória.
Quem é Teresa Nogueira?
Teresa Nogueira Escritora, mãe e poetisa. Acadêmica de várias Academias de Letras. Locutora na Rádio Ave Maria, onde faz orações e leva a fé para os corações, além de recitar seus belos poemas.
Programa na Rádio
: https://www.youtube.com/live/2igWKWrKnfQ
Canal Oficial no YouTube: https://youtube.com/@radioavemariafm87.9

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