quinta-feira, junho 29, 2006

POESIARTE EM FOCO DE JANDEILSON GALVÃO


A poesiarte apresenta: Jandeilson Galvão. Poeta carioca.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"Há minha São Paulo tua dor é minha dor"


Há minha São Paulo,
De Santos, e Campinas,
Estas doente?

As lágrimas me correm aos olhos,
A dor é grande e vil,
O ódio se confunde com amor,
Há São Paulo, que horror.

Que tanto doe em ti,
Que acontece, quando assim te mostras?

Sois tão fraca,
Sem remédios?

Minha linda São Paulo,
Que desatre,
Teu nome no mundo,
A violência matando teus filhos,
Teus protetores morrendo as dezenas,
Os bandidos que de certo não são teus,
Te ti querem tomar conta.

Expulsa São Paulo este carma,
Aborta estes,
Que te destruir quer.

Minhas lágrimas são lagrimas patriotas,
Não por ser um Paulistano, pois não sou,
Sou um brasileiro, com grande dor,
De ver a linda São Paulo
Gritando seus horrores.

Se assustam teus filhos o São Paulo,
Tua dor posso sentir,
Teu desanimo posso ver,
Teus governantes arrogantes,
Por toda parte, a grande dor.

Guarda-te São Paulo,
Guarda-te deste mal,
Seja forte,
Aborte este carma
Que nasceu em teu ceio.

Seja forte minha linda São Paulo,
Te guardo no coração,
Pena, te mostra insegura,
Te ver tão cedo não irei,
Mas minha linda São Paulo,
Certamente te acompanharei.


(Poeta Jandeilson Galvão Bezerra)
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2006

sábado, junho 24, 2006

POESIARTE EM FOCO DE NATHAN DE CASTRO


A poesiarte apresenta: Nathan de Castro. Poeta de Uberlândia-MG.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

Soneto Desafinado

O meu poema é música sem partituras,
Rabeca troncha e sonsa de uma nota só.
Paixão que bebe a doce clave das loucuras
Nas batutas do amor, poeiram pedra e pó.

O meu poema é mote de enganar agruras,
Jazz que envolve em tela azul rococó.
Pincel, paleta e marcas de velhas censuras
No corpo de sonetos que amarro e dou nó.

Silêncio de relâmpagos e luas desertas,
Luares e palavras de aluar pateta,
Para cumprir a sina: poeta ou poeta!?

Sigo pelos caminhos de portas abertas,
Rasgando a solidão da palavra concreta,
Desafinando a orquestra e a ponta da caneta.

(Poeta Nathan de Castro)

terça-feira, junho 20, 2006

POESIARTE EM FOCO DE PAULINO VERGETTI


A poesiarte apresenta: Paulino Vergetti.Poeta alagoano.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"Da morte..."

 
A morte parece-me um louco vácuo
que das lágrimas bebe insatisfeita
tirando-nos um ar.
E vamos..., quietos e frios,
na escuridão do desconhecido.
Há quem morra todos os dias;
eu não.
Tenho-na como ingrata e certa.
Quando a tolero, morre um pouco de mim
num fraco vazio
que possuo escondido
onde a vida me esconde.
Sua voz é o silêncio triste
dos sons que se perdem
entre os sonhos da voz.
Deus me livre morrer um dia.
Para isso dei meu corpo poeirento
para ficar; ele é o féretro
enchendo o vazio de minha sepultura.


(Poeta Paulino Vergetti)

sábado, junho 17, 2006

POESIARTE EM FOCO DE DEISE FORMENTIN


A poesiarte apresenta: Deise Formentin. Poeta catarinense.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"A BUSCA"


Fecho meus olhos,
Ouço vozes distantes.

Uma música surge, sinos tocam.

O vento sopra lentamente

As folhas das árvores ao longo da rua.

Sentada estou...

O mundo a girar e eu imóvel,

Sobretudo pensante.

Sorrir seria pedir muito,
O que acontece comigo?
Pessoas passam,

E eu perdida no tempo e no espaço,
Buscando encontrar,
No âmago de minha alma,
Um lugar só meu.

Qual o sentido desta incessante busca?

(Poeta Deise Formentin)

sexta-feira, junho 16, 2006

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Poeta, professor e pesquisador cabo-friense.

Vejamos uma poesia de sua autoria publicada no Jornal de Sábado de Cabo Frio-RJ:

"Manel: o barbeiro do Itajuru"


A que saudades de Manel,
O barbeiro de grande coração,

Que pulava e desfilava no carnaval
Pela nação imperiana do bairro do Itajuru com maior emoção.


A sinuca era sua maior diversão,

Quando tinha tempo dava uma escapadinha da barbearia.
Manel um mestre para o seu filho e a todos em sua profissão.
A tesoura, o secador, o creme, o talco, a água, a navalha, o pente

E toalha eram os seus instrumentos de sua simplicidade.

Flamenguista de primeira,

Não fugia de nenhum corte,

Pois sempre tinha uma carta na mesa.


Tinha um defeito, que era fumar

Quase o dia inteiro,

Sempre ou às vezes acompanhado por um cafezinho

O seu ato libertino de fumar.


Na barbearia causos do Itajuru são contados
Por pessoas folclóricas do bairro ou não,

Sempre aos ouvidos e aos olhos atentos

Dos fregueses e claro do saudoso Manel, o barbeiro.


Quando eu ia na barbearia
Ele cumprimentava

Me chamando de flamenguista

E o mesmo eu fazia.


Lá quando minha vez chegava, Sasá passava pela barbearia
E dizia: -Manel raspa todo o cabelo de Cocada!
E eu ria de alegria na barbearia.


Assim ficam os versos, as estrofes e o momento

Desse poeta cabo-friense e brasileiro

Em forma de homenagem a esse grande barbeiro,

Que nos deixou pela imprudência de outro barbeiro.


A que saudades de Manel,

O barbeiro de grande coração,
Que pulava e desfilava no carnaval
Pela nação imperiana do bairro do Itajuru
com maior emoção.


(Rodrigo Poeta)

Poesia publicada no Jornal de Sábado de Cabo Frio-RJ.


terça-feira, junho 13, 2006

POESIARTE EM FOCO DE CLÁUDIA GONÇALVES


A poesiarte apresenta: Cláudia Gonçalves. Poeta gaúcha.


Vejamos uma de suas poesias:

"Chama"

Queima...Ativa
De corpos,
Fagulha de medo
Boca,saliva solar
Em fuzão veloz...
Num forte pulsar
Ao som do póro aberto,
Sol ao longe a
Burrifar luz,
Paixão e desejo
Em pele crua
Cala noite vermelha
Volúpia em sonho...
Sentir...voltar...
Acordar.

(Poeta Cláudia Gonçalves)

domingo, junho 11, 2006

POESIARTE EM FOCO DE GEISA GONZAGA


A poesiarte apresenta: Geisa Gonzaga. Poeta.

Vejamos uma de suas poesias do livro "Devaneando":



"CASTELO DE AREIA"

Mais uma vez, tento um poema escrever...
Não consigo... estou a me perder...
A musa se foi, desapareceu...
E minh'alma, que nunca a esqueceu,
Vaga esquecida, triste e dolorida,
Sem rumo, à procura de guarida.
Olho à minha volta... não mais o vejo!
Foi um sonho, uma quimera aquele beijo
Doce... macio... inebriante...
Recordo sempre, a cada instante,
Aqueles lábios que um dia me beijaram,
Mas também, sem clemência, me enganaram.
Pensei haver, enfim, encontrado o amor,
Sentimento a que aspirei com tanto ardor.
Por isso, quantas vezes edifiquei
Um castelo dourado que julguei,
Seria o ninho que abrigaria a nós dois...
Foi mais um sonho que ficou para depois...

(Poeta Geisa Gonzaga -19.04.2001)

sexta-feira, junho 09, 2006

POESIARTE EM FOCO DE LUCIANA PESSANHA PIRES


A poesiarte apresenta: Luciana Pessanha Pires. Poeta e integrante da Academia Itaperunense de Letras.

Vejamos uma de suas poesias:

"Palavra comunista"


Em frente ao espelho
Menina

Eu me perguntava
Por que tanto silêncio?
Nas vendas andavam

Homens de fartos bigodes

Com segredos

Entre os dentes

Medo da polícia

Da palavra comunista
'Mancharam a Bandeira Nacional'
Um aviltamento!
No rádio

As canções encurralando

E preso o berro

As mãos nas madrugadas

Semeavam folhetos

Nas portas fechadas.


(Poeta Luciana Pessanha Pires)

domingo, junho 04, 2006

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Poeta, professor, pesquisador cabo-friense.

Vejamos uma poesia de sua autoria, que se encontra no livro "Se eu pudesse..." de 1997 do Colégio Municipal Rui Barbosa de Cabo Frio-RJ e que foi publicada no jornal "Littera" da Ferlagos em 2002:

"A um verme"

A Augusto dos Anjos dos cosmos
Aos átomos das poesias,
Feitas através de versos íntimos
De um Pré-Modernismo de palavras.

Palavras antipoéticas do profundo abismo
Como do escarro
Ao vômito engajados no corpo humano,
Do verme que fora procurado.

Anjo de nada,
Pois até Drummond fez uma piada
Depois da quarta dose dada.

Segue-se assim o anjo
Que cai no jeito
Dos podres poderes interpretados por Caetano.

(Rodrigo Poeta, poeta,pesquisador e professor cabo-friense)

POESIARTE EM FOCO DE KATHLEEN BOECHAT


A poesiarte apresenta: Kathleen Boechat Correia. Um novo talento para poesia.

Vejamos uma poesia de sua autoria:


“Confissões da alma”

Amores inacabados
Pensamentos conturbados
Confusa
Num carrossel de emoções
Duvidas entre o presente e o passado
Continuo a espera de alguém
Ou de alguma coisa
Que nem eu mesma sei o que é
Que não tenho a certeza de que virá
Uma disputa entre a razão e o coração
Entre o dever e o querer...
De tudo o que prezo
De tudo o que aprendi...
Sei que ainda tenho muito o que aprender
Busco minhas realizações
Minha felicidade
Cada coisa na vida tem um preço
E eu ainda não descobri o que valerá a minha
Desejos, tentações, mentiras
Erros, medos, inseguranças
Conflitos da minha própria alma
Sentimentos que estão presentes na minha vida
Onde tento me esconder dentro de uma concha
Pra fugir da realidade
Sozinha com as minhas dores e ilusões
Numa caminhada com vírgulas, “mas” e “porquês”
Onde não sou eu que vou escrever o fim.

(Kathleen Boechat Correia)

quinta-feira, junho 01, 2006

POESIARTE EM FOCO DE VINICIUS SILVA



A poesiarte apresenta: Vinicius Silva Rodrigues. Ganhador do concurso CULTURARTESPERANÇA de 2005, realizado no Colégio Municipal Elza Maria Santa Rosa Bernardo.

Vejamos a poesia:

"Meu esgoto, meu mundo"

Meu esgoto, meu mundo
Minha vida, meu tudo.
Que vida horrível!
Que droga!

Quero sair...
Quero extravasar
Essa fúria, que por dentro mata
E aos poucos me maltrata.

Ratoeira com um
Queijo de primeira
Me pegou pelo nariz,
Tirem ela de mim, quero sair.

Me dão uma gaiola como casa,
Amarram minhas asas,
Me prendem
E dizem: - Seja feliz!

Mas como posso?
Se só quero sair.
Me deixem sair,
Me tirem daqui.

Quero sair do subúrbio,
Quero sair do lixo,
Quero passear pelo esgoto
Sem ratoeiras.

Mas eles me prendem,
Me torturam,
Me castigam
Por quê?

Por favor 
Me libertem,
Deixem me sair,
Quero sair, quero sair...

(Vinicius Silva Rodrigues)

sábado, maio 20, 2006

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA



A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Poeta, professor, pesquisador cabo-friense.

Vejamos uma poesia de sua autoria que homenage
ia o Colégio Municipal Rui Barbosa de Cabo Frio-RJ e que foi musicada pelo maestro Ângelo Budega e que faz parte também do livro do colégio Arquitetos do Verso(1998):

"Escola para a vida"

Oh, escola querida,
Que agora vira poesia,
Diante da mão do poeta,
Que te homenageia.

Oh, escola da vida
Que trouxe harmonia
Para minha poesia,
Diante de tua energia.

Oh, escola de bravura,
De cultura,
Que se resplandece em filosofia.

Oh, Rui Barbosa,
Grande figura,
Que virou escola para a vida.

(Rodrigo Poeta)



Homenagem feita ao Colégio Municipal Rui Barbosa.

sexta-feira, maio 19, 2006

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Poeta, professor e pesquisador cabo-friense.

Vejamos uma de suas poesias que foi publicada no jornal O Popular da Costa do Sol de Iguaba-RJ:

“Ao Mar e a Pesca de Arraial do Cabo”

Ó vigia do Morro do Atalaia
Que observa o mar e a praia
Todos os dias, diante de um clima
Feito entre o prazer e o da sobrevivência.

Prazer de ver os peixes ao amanhecer
Chegaram perto da praia
E de avisar aos que se encontram no mar
Entre a praia, que a pesca vai ser boa.

Sobrevivência feita entre o mar,
Onde a pesca é o alimentar
Dos pescadores homens do mar,
Que trabalham para o sustentar;

Sustentar da vida,
Diante do sol e da neblina,
Onde só a luz do farol é o seu guia,
Até ao final da boa pesca bem-vinda.

Oh! Arraial,
Que antes era uma simples vila,
Hoje graças ao mar e a pesca triunfal
É uma cidade bem divina.

Não se pode esquecer dos bravos
Pescadores da Praia Grande cheia dos amores
E também dos grandes lutadores do mar dos Anjos,
Diante do Arraial dos poetas pescadores de palavras.

(Poeta Rodrigo Octavio Pereira de Andrade)


Poesia publicada no jornal O Popular da Costa do Sol de Iguaba-RJ.

sábado, abril 22, 2006

POESIARTE EM FOCO DE SELMO VASCONCELLOS


A poesiarte apresenta:Selmo Vasconcellos.Poeta e ativista cultural.

Vejamos um poema de sua autoria:


"ENCONTROS"

No PRMEIRO encontro,
timidamente seu corpo
ostentava QUATRO PECINHAS,
BLUSA, SUTIÃ, SAIA e CALCINHA.

No SEGUNDO encontro,
apenas TRÊS PECINHAS,
BLUSA, SAIA e CALCINHA.

No TERCEIRO encontro,
apenas DUAS PECINHAS,
VESTIDO e CALCINHA.

No QUARTO encontro
num quarto,
apenas UMA PECINHA,
só de CALCINHA.

No QUINTO encontro,
NENHUMA PECINHA.

Adeus,
BLUSA,
SUTIÃ,
SAIA,
VESTIDO
e CALCINHA.


(Selmo Vasconcellos)

domingo, março 12, 2006

POESIARTE EM FOCO DE MARKO ANDRADE


A poesiarte apresenta: Marko Andrade. Poeta, cantor e compositor carioca.

Vejamos uma de suas poesias:

"Saber das noites"

Em meio ao sublime
Incêndio das formas,
Quadriculada lógica,
Sementes de ferro e fogo
Músculos e nervos de aço
Um animal metálico
Nasce aos berros
No centro de nossa
Racionalidade.
Alimentado fartamente
Cuidado disciplinarmente
Tem fome e desejo.
Estende fibras
Teias matemáticas
Veias óticas
Eletricidade e tensão.
Coração atômico
Aranha viúva
Gestão dos desejos
Vigiar e castigar.
Anestésica a navalha
Desenha nos pavimentos
Mordidas dos dentes de ferro.
A madrugada chega
Engenho da paixão
Atravessa o ventre do dia
Ancorar estrelas e vinhos,
Sons e poesia
E abre as asas noturnas
Do homem pássaro.

(Poeta Marko Andrade)

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

POESIARTE EM FOCO DE EDU PLANCHEZ


A poesiarte apresenta: Edu Planchez. Poeta, compositor e músico.

Vejamos uma de suas poesias:

"Construtores de cabeças"

A natureza se vinga,
Gesta o vento de cem mil pés,
Arrasta duas mil cidades por segundo
A onda gigante come as pernas e os braços dos continentes
E aquele que apodrece o céu, o mar e a terra
Clama inocência
Caixões feitos de dinheiro
Cobrem os vastos campos
Minhas lágrimas não irão secar
Junto com as nascentes
Tempo de desespero de planetas e homens,
O tiro saiu pela culatra,
Nada tem detido a avalanche,
Nem deuses, nem internautas
Sou poeta, homem de fé inquebrável,
Cavalheiro de infinita esperança
Como Bob Dylan e outros construtores de cabeças
Ergo taças de sangue
Atirando dardos de coragem
Aos que estão perdendo a batalha
O poeta príncipe de metal
Acorrenta os cães
Dos dentes de estricnina a sua cintura,
Arranca do pâncreas das águas o tumor
Ele, o Rei de marfim, sustenta congressos de sóis
Nos corredores do intenso
E espalha especiarias orgânicas
Dizendo aos seus irmãos que façam o mesmo
Orquídeas imensuráveis precipitam-se
Dos furos das pedras e das cavidades vermelhas
Alargando pétalas sobre os corpos
Das estrelas que esqueceram que são estrelas

(Poeta Edu Planchez)

domingo, janeiro 08, 2006

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Poeta, professor e pesquisador sobre literatura local.


Vejamos um de seus poemas publicados no Jornal de Sábado da cidade de Cabo Frio-RJ:


"Democracia e outras palavras..."

Ruídos, latidos, escuridão,
Assim é a imensidão do meu ser poético
Entre formigas no piso ao ver a imagem da torre de celular
A piscar no meu olhar.

Não há vento, mas sim, uma brisa a cantar
O meu pensamento.

Vozes pueris na rua, numa noite de domingo
Entre brincadeiras mil.

A imensidão me clama aos ecos
Do silêncio refletido na escuridão
Do corredor.

Parabólicas, caixas d´´aguas, luzes dos postes,
A temeridade à vista ao sombrio

Do tempo marcado pelo relógio da vida.

O frio entorpece a alma
Entre janelas e um céu sem estrelas,

Que marcam esta noite, em que a plenitude morcega
No pulsar do coração.

Escuto uma voz não brasileira

A gritar pela rua a palavra
Democracia com veemência
Em forte luta ou bebedeira de um frustado latino.

O funk de um carro mudou o tom
E o ritmo desta poesia, onde o poeta
Não olha para os fatos, pois só sente, escuta
E imagina através do seu olhar
O resplendor do ecoar do mar.


(Poeta cabo-friense Rodrigo Octavio)



Publicado no Jornal de Sábado em 01/10/05.

POESIARTE EM FOCO DE IVY MENON


A poesiarte apresenta: Ivy Menon. Poeta nascida em 31 de agosto de 1958 na cidade de Cornélio Procópio-PR.

Vejamos uma de suas poesias:

 
"caos"

overdose doce,
doce alteridade,
doce trova,
doce alcova,
caos que me seduz,
caos que me apavora...

amor doce,
doce sonho,
desregrada liberdade,
agridoce complexidade,
angústia que me torna louco,
doce infelicidade...

doce canto,
doido espanto,
anjo doce que me conduz,
luz tênue que me acalora,
marco que me parte ao meio,
grito seco de saudade...

(Poeta Ivy Menon)

domingo, dezembro 11, 2005

ARTIGO DE ELÍSIO GOMES


A poesiarte apresenta: Elisio Gomes. Membro da Academia Cabofriense de Letras e pesquisador sobre os naufrágios na costa brasileira.


Vejamos um artigo de sua autoria:


A morte de Manuel Antônio de Almeida, o autor do clássico da literatura
brasileira: “Memórias de um Sargento de Milícias”.

Na ocasião do desastre do vapor Hermes na madrugada do dia 28 de novembro de 1861, na costa de Macaé, o jornal Correio da Tarde, fez o seguinte necrológico: “Dentre as vítimas, que veio lançar o luto no seio de muitas famílias, não podemos deixar de mencionar especialmente o Sr. Dr. Manoel Antônio de Almeida, cuja morte prematura roubou à imprensa fluminense e às letras pátrias um dos seus representantes, que mais honra lhes dava”.
Sobre a morte do autor de “Memórias de um Sargento de Milícias”, José Veríssimo escreveu: “Com ele, pode dizer-se, naufragou a talvez mais promissora esperança do romance brasileiro”.
A companhia de navegação União Campista e Fidelista
Ao norte da província do Rio de Janeiro, o governo estava para inaugurar o mais longo canal do Império. A escoação da produção agrícola campista esteve sempre atravancada pela foz estrangulada do rio Paraíba. Havia necessidade de grandes navios. Mas estes só poderiam ancorar com segurança, bem mais ao sul, isto é, no porto de Imbetiba, em Macaé. E assim o canal Campos-Macaé, foi aberto a braço escravo, para escoar a riqueza campista. Seria um dia festivo, pois junto com a comemoração de abrir-se uma via de comunicação com o município de Campos, era o aniversário de Dom Pedro II. Nos jornais da Corte, a companhia de navegação União Campista e Fidelista, anunciava que a viagem do vapor Ceres substituiria a do contrato no mês próximo e era feita justamente com antecipação para levar os passageiros que quisessem ir assistir à abertura do colossal canal.
O município nortista vivia bons momentos. A produção de açúcar no ano de 1861 excedeu as esperanças, e muitos fazendeiros chegaram a perder muita cana, não por causa da seca, mas por faltar-lhe materialmente o tempo para moê-la. A safra de legumes também foi abundante.
Versões diferentes para o motivo que levaram o escritor a viajar para Campos
Escrevem alguns que Manuel Antônio de Almeida viajou para cobrir a reportagem da inauguração do canal, o que não é verdade, pois ele já estava fora do Mercantil por um bom tempo, outros escrevem que ele foi tratar de assuntos ligados a sua eleição, pois, aproximava-se o dia em que a província tinha de escolher os deputados à sua assembléia, o que também não parece ser verdadeiro, pelo fato de ele não fazer parte do colégio eleitoral de Campos. Em verdade, Almeida na ocasião exercia a posição de 2º conselheiro oficial da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, e acreditava-se até então que por força de sua posição naquela Secretaria, tivesse se deslocado para Campos, a fim de representá-la nas festividades da importante obra para a economia do Império escravocrata, mas Maneco, cuja pobreza, somada à necessidade de sustentar mãe e irmãs, levou-o a buscar “um dos lugares da inspetoria itinerante da escola na Província”, que lhe renderia alguns réis, conforme comunica a Quintino Bocaiúva, com quem mantinha correspondência regular.
A última viagem do Hermes
Muitos dos alegres hóspedes do pequeno vapor Hermes, certamente debruçados na amurada apreciavam magnífica da baía de Guanabara. A paisagem não seria mais encantadora. À medida que o casco rompia a superfície prateada da baía, mais se extasiavam com aquele cenário imponente das montanhas cobertas por uma vegetação de um verde refrescante. E pouco a pouco, distante avistava-se encimando os morros e em meio ao casario de telhado vermelho, as torres e pináculos, os campanários, as cúpulas das igrejas do Rio. As imagens tão íntimas das moradias e dos templos do anedótico e folclórico mundo carioca, abraçado por uma natureza exuberante, Manuel de Almeida as viu pela última vez, quando o vapor começou a guinar lentamente para o norte. O benquisto Maneco que havia no mês de outubro último, completado 30 anos, olhou para sua cidade e deu o seu último adeus.
Vidas enlutadas
Depois de uma viagem, no qual encontrara vento e correntes contrários, o Hermes chegou à enseada de Macaé por volta das 3 horas da madrugada do dia 28 de novembro de 1861, para desembarcar três passageiros, e após uma curta demora, o Hermes zarpou para logo em seguida naufragar. As cartas que chegaram as redações da corte após o sinistro, como as próprias notas da imprensa desabaram-se em acusações contra a gerência da companhia e contra o capitão.
“Devendo no dia 30 partir da corte o vapor Ceres para Cabo Frio e Macaé, por que razão o Hermes desviou-se de sua derrota contra o anúncio dados aos passageiros. Mas o que é verdade é que este capricho da gerência em favor dos três passageiros para Macaé...” (Correio Mercantil).
“Uma triste realidade veio ontem enlutar a muitas famílias e provar mais uma vez o desleixo e imprevidência com que se fazem geralmente entre nós, os serviços públicos”. (Diário do Rio de Janeiro).
“Esta catástrofe foi toda devida à imprudência do comandante. O Hermes nessa viagem não tinha que fazer escala pôr Macaé. Entrou nesse porto por interesse de alguns passageiros a que o comandante quis servir. Como, porém, o desvio da derrota marcado retardava a viagem, e o vapor não poderia chegar à barra de Campos com maré que desse entrada o comandante assentou de seguir em rumo direito, deixando de fazer a volta de costume, e deu com o vapor sobre as pedras. Ficará impune o homem que enlutou tantas vidas?” (A Atualidade).
Finalmente descanso
A imprensa recebeu a lista dos sobreviventes, e certificou que o nome de Manuel Antônio de Almeida ali não se encontrava. O Correio Mercantil, logo pranteou a sua morte, certamente por intermédio do punho de alguém que conheceu Almeida nos anos em que ele lá trabalhou:
“Na lista dos náufragos que escaparam do desastre, não encontramos o nome de um nosso irmão de letras, o Dr. Manoel Antônio de Almeida... Dotado de um talento extraordinário, Almeida adivinhava com alguns momentos de atenção tudo o que não estudava e escrevia sobre assuntos examinados de relance como se de longo espaço os tivesse aprofundado. Apesar de sua imaginação ardente, tinha um estilo rápido e conciso, de sorte que os seus artigos eram admiráveis pela sobriedade da frase, abundância da idéia e beleza da forma. Se a agitação de sua vida não o houvesse desviado da imprensa, Almeida podia ter sido o mais ilustre de nossos jornalistas. Mas esse infeliz mancebo, arcando com a pobreza e tendo de prover a subsistência e futuro de suas irmãs, viu-se obrigado a deixar a carreira de sua predileção, que poucos lucros oferece, roubando entretanto o melhor do tempo, o sossego de espírito e até mesmo as amizades irritadiças. Há um ano que ele vivia como que em desespero, e desanimado dos homens e de si próprio. A viagem que empreendeu era ainda um esforço contra o mau destino. Foi o último: parece que ele pode dizer como Alfieri: Finalmente descanso”.
Enterraram seu corpo desfigurado no cemitério de Barreto
À medida que o tempo passava, os corpos que davam nas praias apresentavam-se irreconhecíveis. Ao sul de Macaé, na praia de Itapebussus, veio dar um cadáver de homem, que beirava uns 25 anos. Também naquela praia apareceram caixões com livros, uma outra caixa contendo objetos de daguerreótipo, uma agulha de marear, alguns lavatórios, entre outros objetos. Consta que bem mais ao sul - na costa de Armação dos Búzios - apareceram dois corpos, um já sem cabeça, o qual foi sepultado no cemitério da capela local e outro de um menino que pelo estado adiantado de decomposição, foi sepultado na mesma praia. Ali também veio dar um baú, que continha roupas.
E o corpo de Almeida foi devolvido pelo mar? Uma carta de Macaé publicada no Correio Mercantil, datada de 4 de dezembro e assinada por um tal Dr. Portela, trás a seguinte informação:
“Depois da partida do Ceres, apareceram quatro cadáveres de brancos na praia do Norte, Eu e três companheiros fizemos enterrá-los no cemitério do Barreto; mal sabia eu então que mandava dar sepultura cristã a um amigo nosso. O Dr. Manoel Antônio de Almeida. Quando hoje disseram-me que ele tinha vindo no Hermes e perecido no naufrágio, combinando a marca da roupa (ceroulas e meias) com os traços um pouco desfigurados do seu rosto, que na ocasião me pareceram estranhos, nenhuma dúvida tenho de que era seu um dos corpos que mandamos enterrar no cemitério ...”
Morreu um grande talento, um grande caráter e um grande coração
Para finalizar, transcrevemos abaixo, o que escreveu o A Atualidade, quando, soube-se que Maneco, não havia sobrevivido na catástrofe do Hermes:
“Cada família que ali perdeu um membro chora hoje esse infortúnio sem remédio. A dor da literatura é das mais intensas e das mais legítimas; também a família dos escritores perdeu ali um de seus filhos que maior honra e mais firmes esperanças lhes dava. Morreu ali um grande talento, um grande caráter e um grande coração.”

(Escritor Elisio Gomes Filho)

sábado, dezembro 03, 2005

POESIARTE EM FOCO DE TEIXEIRA E SOUSA


A poesiarte apresenta: Antonio Gonçalves Teixeira e Sousa. Autor do primeiro romance brasileiro "O Filho do Pescador" em 1843. Filho de Cabo Frio, nome de avenida e escola.

Vejamos um poema de sua autoria:


"Soneto"


Como a noite sem astros tenebrosa;
Como sem sol um dia sem fulgores;
Como o prado já murcho, sem verdores;
Como em peste cidade lutuosa;


Como nau em tormenta desastrosa;
Como jardim plantado, mas sem flores;
Como gentil mancebo sem amores;
Como viúva rola, e tão saudosa;


Qual casa de família sem crianças;
Qual peito que não tem uma amizade;
Tal eu, meu doce bem, nestas mudanças.


Vou sofrer na mais triste soledade
A duvidosa vida d'esperança,
A dolorosa morte da saudade!


(Teixeira e Sousa)