terça-feira, abril 03, 2007

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade(Rodrigo Poeta). Poeta, pesquisador, professor e cabo-friense.

Vejamos um texto de sua autoria publicado no livro "Se eu pudesse" do Colégio Municipal Rui Barbosa de Cabo Frio-RJ em 1997:

"Clonagem poética"


Foi um clone poético

De linguagem que saiu através de um eco.

Foi um clone poético
Da filosofia do pensamento.


Clonaram as poesias...

Clonaram os sonetos...
Clonaram os versos...

Clonaram as estrofes...


Quem foi ?

Foi o poeta daquele FOI.

Foi de poesias encontradas em um OI.


Oi, clonado

Ou arranjado

De outro OI de uma poesia do poeta clonado.


(Rodrigo Poeta -18/06/97)

__________
O poema “Clonagem poética” integra-se ao livro de poesias do Colégio Municipal Rui Barbosa, livro de nome “Se eu pudesse” lançado em 24/10/97.

quinta-feira, março 15, 2007

ARTIGO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade(Rodrigo Poeta). Poeta, pesquisador e professor cabo-friense.

Vejamos um texto de sua autoria publicado no site Portal Lagos.net:



“O pluralismo lingüístico do início do século XXI”

Aprender um língua (idioma) de outra nacionalidade é muito importante, mas devemos antes é aprender a nossa língua e suas variantes.
Variantes regionais, coloquiais e codificadas no âmbito da nova onda, que é o pluralismo da internet.
Um pluralismo feito de códigos reduzidos, abreviados e modificados para facilitar a comunicação dinâmica e impulsiva, criada por uma massa de internautas, através de bate-papos, imails, orkuts e msns.
Conclui-se, que uma língua raiz hoje além de ser inovada com novos códigos neologistas, também é inovada ou melhor pressionada pela tecnologia, que é a matriz do novo momento.
Matriz essa criada pelo homem a adaptar-se ao meio do pluralismo comunicativo sócio-econômico e cultural.
Não devemos esquecer a raiz de todos os códigos, que é mãe desse pluralismo, a nossa língua culta e normativa.
Mãe, que está a evoluir ao lado da tecnologia, mas não se esquecendo de suas virtudes e morais lingüísticas de diacronia e sincronia da norma culta, tão castigada pelos estrangeirismos do sistema global em vigência.

(Rodrigo Octavio Pereira de Andrade – poeta, professor, pesquisador e
cabo-friense)

Publicada no site: www.portallagos.net

quinta-feira, março 01, 2007

POESIARTE EM FOCO DE JOSAFÁ JOÃO


A poesiarte apresenta: Josafá João de Oliveira. Escultor, poeta e um grande defensor da natureza. Nasceu no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1949 e morreu na cidade em que escolheu viver sua vida(Cabo Frio-RJ) em 25 de julho de 2007.

"POESIA DE ESCULTOR"

Poeta esculpe palavras
O sonho é seu instrumento,
Se poeta eu for, com trovas,
Esculpirei este momento.

Depois das palavras prontas
É feito o acabamento,
O poeta pega a pena
E dá forma ao pensamento.

Se fossem apenas de tinta
As palavras no papel,
Alguém que as escreve ou pinta,
Já seria um menestrel.

(Josafá João de Oliveira)
05/11/1949 - 25/07/07.

sábado, fevereiro 03, 2007

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta). Poeta, professor, pesquisador e cabo-friense.


Vejamos um texto de sua autoria, que foi publicado no site "Crônicas Cariocas":


"Apartheid Camuflado"

Vivemos em um apartheid camuflado,
Diferente do sanguinário apartheid da África do Sul.
Um apartheid, que não vemos,
Mas existe aos olhos apocalípticos
Dos que enxergam longe ou até perto demais,
O preconceito racial bem apostolicamente
Frio e decidido.
Somos uma nação,
Que nasceu escrava na colonização.
Somos uma mistura de negro, nativos desta terra (os índios)
E ‘brancos’ devastadores do Ocidente.
Demarcaram a nossa pele,
Criaram rótulos mesquinhos
Entre o passado das chibatas ao presente
Das balas de fuzis.
O quilombo virou favela,
A favela quilombo dos pobres e excluídos
Desta nação mestiça.
Não temos Martin Luther King,
Malcolm X, Gandhi e nem Dalai Lama.
Temos Zumbi, João Cândido, Ganga Zumba,
Anastácia e os nativos da língua tupi-guarani.
Somos uma nação multicultural,
Que carrega nos braços o preconceito multiracial.
Castro Alves, Teixeira e Souza, Lima Barreto,
Machado de Assis são só nomes que figuram na luta
Contra o pré-conceito do conceito do preconceito.
Versos testemunham
Ainda as origens dos atabaques,
Dos orixás, dos arcos e flechas dos índios
Tamoios, que viveram um dia aqui.
As oferendas são versos,
Mas o Apartheid Camuflado,

Continuará aos olhos perplexos
De uma criança dentro de nós

Ao vento da vida e de nossa luta incansável

Pela liberdade dentro desta pseudo-democracia.



(Rodrigo Poeta)



http://www.cronicascariocas.com.br/poesias_rod_poeta.html

terça-feira, janeiro 30, 2007

POESIARTE EM FOCO DE SANDOVAL FAGUNDES


A poesiarte apresenta: Sandoval Fagundes. Poeta e artista plástico de João Pessoa-PB.

Vejamos um poema de sua autoria:


"Céus das florestas pintadas"

Segunda não há feira feita
e nem floresta resta.

Não há céu de brigadeiro
nem se conhece a face imunda da festa.

Segunda há, um segundo não!
De um céu de mato pintado nas paredes
e nenhum peixe pescado nas redes.

Nesse mar de mato e cal
não há alimento guardado
nos vazios congelados
dos fastios de mim mesmo.

(Sandoval Fagundes - 18/12/06)

domingo, janeiro 14, 2007

POESIARTE EM FOCO DE LENISE MARQUES


A poesiarte apresenta: Lenise Marques. Poeta de Quaraí-RS.

Vejamos uma poesia de sua autoria:


"Borboletas de letras"

Abri o livro...cuidadosamente, mas qual..
tarde demais, os poemas escaparam,
nacarados: azuis, vermelhos amarelos,
as asas batendo numa profusão de cores

Rimas, versos brancos, sonetos, trovas
Delicadas asas, turbilhão de sensações,
palavras em belíssimas evoluções aladas!

E me quedei absorta e deslumbrada
Pela infinita cor, movimento e paixão,
Da letra preta, imóvel sobre o papel branco!

(Poeta Lenise Marques)

sexta-feira, janeiro 05, 2007

POESIARTE EM FOCO DE REGINA ROCHA


A poesiarte apresenta: Regina Rocha. Poeta nascida em São Paulo.


Vejamos uma poesia de sua autoria:


"Palavra"

Uma procura plena de palavras
singela sintonia alcançada
mais que a busca do alimento
saciedade da fome somente do pão
repleto de pensamentos

Que amor ao sobrepor
desejos secretos
nos grãos de areia do deserto
estão presentes teu universo

As lágrimas rolam em sua face
a sede que perdura
acentuam o perfume das flores
os sorrisos de sua boca
revelam a magia das cores

Grande poder das palavras
razão dos pensamentos
faz unir as memórias brilhantes
montanhas silenciosas
desejam felicidade e paz


(Poeta Regina Rocha)



terça-feira, janeiro 02, 2007

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresenta: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta). Poeta, pesquisador, professor e cabo-friense.

Vejamos uma poesia de sua autoria:


"O pescador ou o último caiçara de Cabo Frio"

Pesca...pescador
Entre no mar para pescar.

Pesca...pescador
Entre o mar e a luz do luar.
Pesca...pescador

O peixe ao embarcar
Para se alimentar.

Peca...pescador
Entre sereias no sul a evermelhar-se.
Pesca...pescador

Entre profissionais e amadores.
Pesca...pescador
Entre a areia e o mar.
Pesca Jacy Pimenta, o pescador
Para seu filho ganhar entendimentos
Da pescaria ao luar.

Pesca...pescador
Com a linha, com a tarrafa...
Na praia, no barco ao mar entre amigos

Para a vida continuar.

(Rodrigo Poeta)

*Poesia publicada no Jornal de Sábado de Cabo Frio-RJ. (11/11/03)

sábado, dezembro 30, 2006

POESIARTE DE JOÃO PEDRO RORIZ


A poesiarte apresenta: João Pedro Roriz. Poeta e ator carioca.

Vejamos um poe
ma de sua autoria:
 

"A DIVINA COMÉDIA"

Nossos olhos repousam após a divina tormenta do tempo;
Nossos sonhos dançam constrangidos sob a chancela de acordes viscerais;
Os quebrantos colossais se abraçam sofridos...
E despertamos num sórdido momento de ilusão.

Nos amamos, escondidos...
Com os olhos lançados no abismo que separa o inferno do paraíso;
E nesse furto solitário das emoções tempestivas, nos consumimos,
Pois o mistério contradiz o tempo quando somos bandidos.

_________________________________________
Poema integrante do livro "A Poesia Teatral" (João Pedro Roriz, Editora Ibis Libris)

sábado, dezembro 23, 2006

POESIARTE EM FOCO DE MEG FONSANT


A poesiarte apresenta: Meg Fonsant. Poeta de Porto Alegre-RS.

Vejamos uma poesia de sua autoria:


"DESEJOS &  BEIJOS SEM LAPIDAÇÕES"

Com os mesmos dedos que cavam,
revolvem a terra e fertilizam
Quero cravar-te os dedos.
Afundar-me em ti,
até encontrar tua Alma.


Lamberei meus dedos lambuzados
de ti, felizes por ti...
Sorvendo e lentamente degustando
tudo o que é teu.

Terei por fim alcançado
o que te manteve enclausurado,
triste e febril.

Tenho faro de Bloodhound, e agilidades
de felinos Heiters
para cravar em teus instintos...
Para alcançar-te com camaleônicas e suaves mãos.

E nos beijos volverás aos delírios.
Sugando a língua,
arrancando de teu corpo
outros sentidos...
Alcançando-te a alma
do passado em que sofrias.

Farei ao teu presente a poesia
Na duração, que desejares, desse beijo.


(Poeta Meg Fonsant - 20/12/2006)

terça-feira, dezembro 05, 2006

POESIARTE EM FOCO DE JOAQUIM MONCKS



A poesiarte apresenta: Joaquim Moncks. Poeta nascido em Pelotas-RS.

Vejamos uma poesia de sua autoria:


"BAÚ DOS AMORES"
 
E o poeta perde a bússola
de todos os caminhos
o destino marcado por andar
sem nunca fazer morada.
Mergulha na insolente emoção,
indormido milagre de estar junto
flama permanente de tudo
e com este archote ardido
empalma o facho da Poesia.

Débil réstia, luz pros olhos antigos
o coração cantando alegorias
na permanente ilusão.

Por fim, depois de tantas estripulias
– da estrela d'alva ao poente –
luzes coroam aqueles outros
que tanto como os escribas
são pura poesia
eternos motivos para o canto.
São estas almas simples
que perpassam a permanente inocência
aos seus olhos roxos de esperanças.

– Do livro, em preparo, BULA DE REMÉDIO, 2004 / 06.

(Poeta Joaquim Moncks)

sexta-feira, dezembro 01, 2006

POESIARTE EM FOCO DE ANTONIO KLEBER MATHIAS NETO


A poesiarte apresenta: Antonio Kleber Mathias Neto. Poeta de Macaé-RJ.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"SONEGAÇÃO"

Participo das buscas ao teu lado,
procura indefinida, precipícios,
sob as manhãs incertas dos meus vícios,
aprendiz no teu corpo aventurado.

Se tanto eu desconheça desde o início
as razões do teu gosto inconformado
- tanto que ele é o escopo procurado -,
em ti não desconheço os artifícios!

A nudeza, tesouro que me entregas,
filha da intrepidez concupiscente,
transforma a lucidez em obsessão!

Perdido na refrega da emoção,
sinto a tua lascívia tão presente!
Mas noto que tua alma me sonegas!

(Poeta Antonio Kleber Mathias)

domingo, novembro 19, 2006

POESIARTE EM FOCO DE ELTON MALAQUIAS


A poesiarte apresenta: O primeiro colocado no I CONCURSO CONSCIÊNCIA NEGRA DE POESIA 2006 do Colégio Municipal Professora Elza Maria Santa Rosa Bernardo.

*Nome da aluno: Elton N. Malaquias - Turma: 2001/Ensino Médio.



“Consciência Negra”

Nesta terra de riquezas, 
Que foi palco de maldades,
Onde se fez ecoar, o grito de ‘liberdade’.
Mãos calejadas, pés inchados,
Marcas de sofrimento,
Que são escondidas pelo tempo,
Que sopesam, por estar vigentes
Nos corações dos inocentes.
O martírio terminou, os açoites
Se findaram e o sangue não jorra mais,
Esvaído pelas chagas,causadas pelo azorrague,
Que foi forjado, no sentimento de superioridade
Dos homens poderosos e da dura servil.
Depois de um decreto, estimado por poucos,
O coração desejoso, pode então aspirar um futuro
De igualdade.
Depois deste lapso, a consciência negra,
Nos faz refletir sobre o que ainda subsiste
Nos corações dos filhos desta terra.
Ainda está em vigência,
O bater do azorrague,
Não concreto, mas um sentimento
Abstrato, que se tornou
Um instrumento de conceito errôneo
E causa o martírio na dignidade,
E no sentimento de amor próprio.
Esta consciência, tem que
Se tornar em pugnação
Contra a mão que bate
E gera a inferioridade e a superioridade
Do potencial humano e extinguindo a igualdade.


(Elton N. Malaquias)

sábado, novembro 18, 2006

POESIARTE EM FOCO DE PRISCILLA RAMOS


A poesiarte apresenta: O segundo colocado no I CONCURSO CONSCIÊNCIA NEGRA DE POESIA 2006 do Colégio Municipal Professora Elza Maria Santa Rosa Bernardo.

*Nome da aluna: Priscilla Ramos da Cruz - Turma: 2001/Ensino Médio.

Vejamos a sua poesia:

“Nossa canção”


Ouçam o canto de lamento
Daqueles que em tormento cantam,
Para a tristeza espantar.
Muitos que ouvem esse som
Não se agradam do tom
E querem nos calar.
A chibata do capitão-do-mato,
Hoje é a arma do soldado
Que vem nos revistar.
Fomos reprimidos, fomos escravizados...
Tentaram nos manter calados,
Porém agora, vão nos ouvir cantar.
Nosso canto é de tristeza
Apesar de tal beleza
Não querem nos deixar cantar.
Nosso canto é de protesto
Uma orquestra sem maestro,
Que canta sem desafinar.
Fomos vozes do deserto,
Que num futuro bem perto,
Sonhamos a todos cantar.
Cantamos de coração!
Essa é a nossa canção
E nunca conseguirão nos calar.


(Priscilla Ramos da Cruz )

POESIARTE EM FOCO DE MIDIÃ DA SILVA


A poesiarte apresenta: O terceiro colocado no I CONCURSO CONSCIÊNCIA NEGRA DE POESIA 2006 do Colégio Municipal Professora Elza Maria Santa Rosa Bernardo.

*Nome da aluna: Midiã da Silva Soares - Turma:3000/Ensino Médio.

Vejamos a sua poesia:


“Decisão dolorosa”


Dorme meu filho em meu ventre.
Não quero que este mundo lhe conheça.
Por fora é puro e belo,
Por dentro as raízes são negras.
Não quero que meu filho seja culpado,
Por tudo que tem a sofrer.
Perdoa-me a decisão amarga.
Não precisa vir a nascer.
Espero que o céu mantenha teu riso,
Nas mais belas estrelas a brilhar.
Em meu peito terei a certeza,
Que um dia iremos nos encontrar.

(Midiã da Silva Soares)

domingo, novembro 05, 2006

POESIARTE EM FOCO DE PAULO NEUMAN

A poesiarte apresenta: Paulo Neuman. Poeta nascido em Boa Nova-BA.

Vejamos um poema de sua autoria:

ELEMENTOS

Somos elementos de diferentes conjuntos
Juntos, não chegaremos ao canto determinado
Divórcio é tudo o que podemos ser amanhã
Canto aquela canção e me despeço de você.

Gosto da poesia de Manoel Bandeira
Porque conheço minhas perdas e fracassos
Trago na manga a carta definitiva de ontem
Não dou bandeira - não estou apaixonado!

Nadei para não morrer na praia deserta
Volto para a metrópole com angústias urbanas
Sábado haverá sarau no bar de Rosa Maria
Contudo, trancar-me-ei naquela retrospectiva!

Enquanto lá em Trindade ninguém dorme nem hoje nem nunca...

Ontem eu era o cineasta em busca do panorâmico
A musa disse-me não mais uma vez e nada é novo
Os atores sentem fome e eu ofereço "nada" a todos
Eu não quis fazer-me de vítima - dancei forró!

Encomendei Rosas Vermelhas ao ontem-insano!
Agora já não amo mais ninguém - enganado fui!

Paguei pelas Rosas Vermelhas e nada recebi!

Numa perfeita desconstrução de mim mesmo estilizado
Em sonhos, mudo de endereço e viajo feliz outra vez!

Nesta altura do drama, eu quero apenas desfalecer
Numa perfeita desconstrução de mim mesmo estlizado
Em sonhos, mudo de endereço e viajo feliz outra vez!

Bem que eu quis beber apenas o passado remoto
Mas a taça já estava sobre a mesa arrumada e definitiva!

Garçons circulam pela sala suspeita...
Já é madrugada e nada de concreto acontece...

Apenas um baile à fantasia:
Todos descaradamente mascarados!

(Poeta Paulo Neuman)


sábado, outubro 21, 2006

POESIARTE EM FOCO DE JIDDU SALDANHA


A poesiarte apresenta: Jiddu Saldanha. Poeta nascido em Curitiba-PR e residente de Cabo Frio-RJ.

Vejamos alguns haicais de sua autoria:


HAICAIS

na hora de partir
lembranças de tudo
a vida se reescreve

***
perdido no meio do mundo
o sol procura o mistério
para torná-lo mais quente

***
passou por aqui
uma formiga afoita
cigarras no jardim

***
vento soprando frio
a pontinha dos dedos
foge das meias de lã

***
a cada manhã
um colibri pousa em mim
é o néctar do teu corpo

***
louco pra te amar
a noite parece não vir
o cantador adormece

***
meu coração assim aceso
com flechadas sangrentas
verte poesia ensolarada

***
leva-me para longe
com tua língua molhada
faça-me emboscadas

***
a caminho de casa
uma valsa toca e meu coração
só pensa em descanso

***
por mais que o instante
seja breve
a caneta escreve


(Poeta Jiddu Saldanha - 2006)

quinta-feira, outubro 12, 2006

POESIARTE EM FOCO DE SERGINA MELLO


A poesiarte apresenta: Sergina Mello. Poeta e responsável pelo jornal cabo-friense "Milenium".

Vejamos uma poesia de sua autoria:

A Graça da Palavra Simples

Deus,
Dai-me o dom de escrever poemas
E a graça da palavra bela.
Dai-me a virtude de fazer poesia,
Para que eu possa, 
Com meus verbos simples,
Relatar a vida, o amor e a morte.
E possa, em frases bem cuidadas,
Descrever os sons e as cores
O céu e o deserto.
Deus,
Fazei de mim poeta
Trovadora errante, musa e santuário,
Harpa e firmamento.
E, eu, poeta, possa Deus onipotente,
Em cânticos suaves e
Palavras bem serenas,
Contar a ele o quanto
O amor é belo
E meu amor é grande.

(Sergina Mello - Cabo Frio, 1976)

*Foto de Sebastião Salgado - Primeira comunhão em Juazeiro do Norte - Brasil ,1981.

sábado, outubro 07, 2006

POESIARTE EM FOCO DE FLÁVIO OTÁVIO


A poesiarte apresenta: Flávio Otávio. Poeta de Bela Vista-MG. Autor do livro de poesias "Cata-Ventos".

Vejamos uma poesia de sua autoria:


"Contradições"

Traze-me as respostas,
Todas à ponta da língua,
Como uma íngua
A ferir-me a virilha...
As tuas mãos são pesadas,
E meu ombro calejado
Não suporta o abraço
Em que me envolves...
Teu olhar inveja-me...
Teu cheiro causa-me ânsia...
E, você insiste em dizer-me
As definições da vida.
Já viveste o bastante
Para se tornar meu guia?
O espírito levita só;
O corpo esfacela ante o pórtico,
Você se aniquila,
Evapora na fumaça de enxofre
E cálidas formas.
Eu sigo meu caminho de penas...
Prisioneiro de minhas próprias
Limitações...
Consumido em minhas dores
E angustiosas indagações...
Meu caminho se torna longo
E a chegada cada dia mais distante...
Nenhum anjo me carrega,
Tenho que caminhar
Com minhas próprias pernas...
Tenho que escrever
Minha própria história...
Mas como?
Se minhas pernas já não andam,
E meu corpo não responde
Aos meus comandos?
Marionetizei-me
Segundo os teus desejos,
Tirei minhas conclusões
Das conclusões alheias;
E, hoje estou mais imperfeito ainda!
Sorrio o mesmo sorriso forçado,
Minhas frases são todas ensaiadas
Em músicas que já não tocam em rádios...
O mundo me acha o máximo
Mas sou a mínima das verdades...
Sou alto e forte
Embora pequeno e fraco...
Sou tudo
Ante o absurdo do nada...
E, assim, me tornei um sujo
De corpo e alma alva!

(Flávio Otávio) Bela Vista-MG

quarta-feira, outubro 04, 2006

POESIARTE EM FOCO DE TORRES DO CABO



A poesiarte apresenta: Torres do Cabo. Poeta, artista plástico e claro cabo-friense.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"O Bom Lusitano"

Eu nasci no São Bento.
Na terra dos fortes ventos
Do peixe e do camarão
Do namorico na praça
Do camboim com cachaça
Nas noites de procissão.

Do refresco vendido no pote
Do carapicu na capote
Ou camarão com chuchu
Carne seca, feijão e toucinho
Kasquinó com pimenta e vinho
E água fresca do Itajuru.

As famosas caldeiradas
Tainhas de ovas salgadas
E o pega-pato no Canal...
Futebol com bola de meia
Sopa de siri candeia
E as velhas barcas de sal.

Bordejando ao jeitinho delas
Com suas enormes velas
Transportando nosso sal
Nosso famoso tempero
Foi-nos trazido do Aveiro
Das terras de Portugal.

(Torres do Cabo)