sábado, agosto 02, 2008

POESIARTE EM FOCO DE LUIZA MOREIRA


A poesiarte apresenta: Luiza Beatriz Moreira. Natural de São Paulo-SP. Nascida em 11 de janeiro de 1962. É promotora de eventos culturais, professora, bailarina, coreógrafa formada pela Escola Municipal de Bailado de São Paulo, amante da literatura. Possui participações em antologias: Letras e Tons I, Letras e Tons II. Promoveu alguns projetos artísticos da Associação Cecina Moreira: Incentivo à Leitura, Projeto Teatro Em Cena, Projeto Dançarte, formando bailarinos, coreógrafos e profissionais da área. e atualmente dedica-se ao Projeto Delicatta visando a publicação, divulgação e valorização do autor brasileiro.

- Vejamos uma poesia de sua autoria:






Quimera


Fico encantada com o vento de outono.
Passa ligeiro, arrepia e vai embora.
Sequer instala o gosto amargo do abandono
pois jura a volta como brisa em outra hora.

Às vezes chega, sem aviso de mansinho,
aragem leve que desliza e faz sonhar.
Na ventania conduzindo em torvelinho,
sem nenhum medo assim que deixo-me entregar.

A emoção que pouco a pouco experimento,
seja verão, outono, inverno ou primavera,
faz-me cativa, apaixonada pelo vento.

Guardo em mim doce segredo, uma quimera:
Se eu pudesse tê-lo aqui todo momento,
Se eu pudesse, meu amor. Ai quem me dera!

(Poeta Luiza Moreira)

*Site do Projeto Delicatta:
http://www.antologia-delicatta.com/

sexta-feira, julho 25, 2008

POESIARTE EM FOCO DE EMANUEL CARVALHO


A poesiarte apresenta: Emanuel Carvalho. Poeta nascido em Pau dos Ferros-RN.

Folhas do Sertão


Faço com folhas
bromélias e com
elas espalho em
poemas e versos
no meu sertão.

Faço versos com
folhas simples e
compostas que com
a chuva cai em
letras de forma
no chão.

Faço acordes mas
desatino em canto
prefiro o sabiá que
com seu encanto em um
galho faz a folha chorar.


(Poeta Emanuel Carvalho)



sábado, julho 19, 2008

POESIARTE EM FOCO DE CLÁUDIO LEAL


A poesiarte apresenta: Cláudio D. C. Leal, também conhecido como Cacau Leal, é poeta, letrista, dramaturgo e projetista. Natural do Rio de Janeiro-RJ. Seu livros de poesia mais recentes são: "Além das Muralhas" e "Cabo Frio: o vento fala". Em 2006 foi eleito para a Academia Cabo-friense de Letras.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

O sal da terra

O que é o sal no corpo das salinas?
O sal é a noite vestida de branco
Cheia de encantos
O sal é lágrima desta viagem em mim
Através de outros prantos
Poço da alma
Fundo de só se chegar despido e só...


O que é o sal na alma?
O sal é o fundo e a superfície de estar não estando
Cor e luz e corte e planos
O sal é chama invisível
Como a palavra
O sal não engana: mata e conserva
Sim, o sal é também ausência de objeto
Quando vem diluído nos temperos
De só se sentir
Mas não se ver
Mas o sal, nas salinas, é mais:
Obra de arte geométrica
Concebida pela ação dos homens
Obra viva, inacabada, faminta...

Porém, o sal fora das salinas é mais ainda:
Viaja refinado em pequenos sacos
Entra no sangue de todas as classes
Retém a água, aumenta a pressão e mata.


O sal tem um lado bom?
Lágrimas do coração!

O sal tem muitos lados:
O lado de fora e o lado de dentro
O lado que está atrás e o lado que vem à frente...
Eu passarei, tu passarás -
Nos tornaremos o sal da Terra.


(Poeta Cacau Leal)

quarta-feira, junho 18, 2008

POESIARTE EM FOCO DE KÊNIA BASTOS


A poesiarte apresenta: Kênia Bastos. Natural de Campos dos Goytacazes-RJ. Nascida em 23 de março de 1973. É membro correspondente da Academia Brasileira de Poesia. Poeta e ativista cultural pelo mundo virtual.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

Fonte de inspiração


É teu
É minha
Nossa história
Que em capítulos se faz
Feito pétalas da vida

É toque
É energia
É mistério
É química
O sentimento do amor
Transposto feito rimas

É luz
É sedução
É calor
É inexplicável paixão
Sua alma vestida
De desejos e sonhos
Com olhar sedento de amor

É noite
É dia
É primavera florida
Que emana intenso frescor

É sol na escuridão
É temporal divino
É dilúvio do instinto
É delírio das limitações

É a suprema delicadeza
Que move o horizonte
Da minha total visão

É lua brilhante
É estrela cadente
É presença terna
Envolvente
Que absorve todos os segundos
Da minha memória
E dela faz força imanente
Da minha fonte de inspiração...

(Poeta Kênia Bastos)

*Seu site: http://kenyabastos.blogspot.com/

domingo, junho 01, 2008

POESIARTE EM FOCO DE DANIELA BARBOSA


A poesiarte apresenta: Daniela Barbosa. Natural de Cabo Frio-RJ. Nascida em 08 de junho de 1974. Auxiliar de biblioteca da Biblioteca Municipal Walter Nogueira de Cabo Frio-RJ. É amante das artes e aprendiz da poesia. Uma revelação na poesia cabo-friense.

Vejamos um poema de sua autoria:




POESIA NO BECO


Poesia no beco eu faço bem
Não penso no ritmo, na rima ou na estética
Eu faço por fazer, por desejo, por prazer
Ando nos becos por andar, vagando à procura das trevas

Poesia no beco eu faço sempre
Depois de um dia normal, o beco é meu refúgio
Onde eu me escondo dos brilhos, da pressa, do rush
Guardo nele minha vida, meus pensamentos sujos

Poesia no beco eu faço de graça
Sento na lixeira e brinco com sombras macabras
Pouca luz, pouca vida, poucos sons chamados humanos
Aqui reina a paz, entre meios-fios fétidos e paredes desbotadas

Poesia no beco eu faço cantando
Desafinadamente livre, numa dança desenfreada
Girando nos pés descalços, lama, lixo e fumaça
Num êxtase de versos e falsas rimas descompassadas

Poesia no beco eu devoro com ardor
Mergulho no colo úmido dos atores da noite arredia
Deito-me nos olhos perdidos dos viciados
Deleito-me nos seios tristes das mulheres vazias

(Daniela Barbosa)

sábado, maio 10, 2008

POESIARTE EM FOCO DE ARTUR DA TÁVOLA


A poesiarte apresenta: Artur da Távola. Poeta, escritor, político, jornalista e apresentador do programa "Quem tem medo de música clássica?" da TV Senado.

- Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Monteiro de Barros. Nasceu no Rio de Janeiro dia 03 de janeiro de 1936 e morreu no dia 09 de maio de 2008.


"A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos."

(Artur da Távola)

- Vejamos uma poesia de sua autoria:

Retrato


A dolorosa
e lenta
refeição do velho.
Sopas e papas insepultas
voracidade morta
lassa obrigação de alimentar.

Saliva é cuspe
o cuspe é baba
na dócil refeição do velho.

A lentidão exasperante
de quem come para não morrer
e morrerá porém. Só

A dolorosa
e benta
refeição do velho.

A carne insulta-lhe
a indecisão do dente,
dor e cansaço no deglutir.

Tudo é torpor ou gole
na fome sem sabor

(Artur da Távola)

sábado, abril 12, 2008

POESIARTE EM FOCO DE PAULO DA SILVEIRA


A poesiarte apresenta: Paulo da Silveira Rodrigues. Poeta, membro da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências e membro da Academia de Artes de Cabo Frio.

Vejamos um poema de sua autoria:

Figueira da Índia

Tu, que de tão viestes
Com intenções verdadeiras
E aportastes em nossas terras
Cabo-frienses brasileiras!

Tu, que sentiste a energia
Que nosso solo irradia,
Tivestes a plena resposta
Ao que te preocupou certo dia:

Será boa a seiva da terra,
Onde irão eles me plantar?
Me darão galhos e folhas
Para eu poder sombrear?
Só ao tempo posso indagar...
E meus anseios acalmar!
Só num recanto de paz
Eu me permito plantar!

Hoje me vejo imponente
Ante olhares de aprovação
O vento canta em minhas folhas
O que me vai no coração.

Bendita sejas figueira!
Muito obrigada estrangeira,
Nós te ungimos nesta festa
Como árvore brasileira!

És majestosa e mui bela
E nossa homenagem singela,
Não consegue traduzir,
O tanto que nos faz sentir!

Vida eterna, ex-indiana,
Que tanto encantas na verdade,
Que voe longe tua fama
De beleza e longevidade!!!

(Poeta Paulo da Silveira Rodrigues - 08-12-00)


sábado, março 22, 2008

ARTIGO DE CARLOS ALBERTO


A poesiarte apresenta: Carlos Alberto Lopes de Sousa. Escritor cabo-friense, membro da Academia Cabo-friense de Letras, da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências e presidente da Academia de Artes de Cabo Frio.

Vejamos um texto de sua autoria:


A VIDA DA PALAVRA
 
Interessante conjecturar sobre a vida da palavra, quando na escrita, há de se desenvolver esta temática através da própria palavra como meio comunicativo e persuasivo desta tese.
A vida da palavra se apresenta como o artista plástico que emoldura sua arte através de seus sinais na tela e dá-lhe a vida traçando seus riscos, aguardando que ela venha sussurrar toda sua emoção para aquele que a vê.
A palavra, porém, está acima de um sinal gráfico, a sua vida está contida nos variáveis empregos de sua etimologia. Ela pode ter vida própria quando empregada só e, lexicamente correta quando nos sobressalta sobremaneira como socorro, guerra e morte. Nos alivia ao ler paz, saúde e prosperidade; quando nos modifica e eleva a nossa alma como Deus, saudade e amor.
A palavra vive em colisão etimológica quando é mascarada através de expressões metafóricas, o que lhe desnuda de sua significação e de sua construção sintáxica na oração.
A vida da palavra está diretamente atribuída à sua construção, ao seu direcionamento ou, alvo de público ou leitor, na sua abrangência de mensagem que se propõe no tempo e no espaço. A palavra nos leva a vivenciá-la diretamente proporcional ao nosso estado de espírito, assim a evidenciamos quando contida no universo de nossa emoção, e incontinenti a expurgamos, quando não nos desperta sentimento.
A palavra tem sua vez, seu glamour, quando escrita irradiando desejo coletivo ao ser grafada na imprensa ou nos murais, ou excitando de per si aquele que a decifra ao ler o resultado de um exame médico, uma sentença ou um telegrama. Muitos vêem na palavra o direcionamento para suas decisões, suas tendências e de seus arroubos de escritor ou de orador, que ora inflama, ora apazigua.
Em literatura menos conceituada, vê-se a palavra de baixo nível, obscena, despertar controvérsias, mesmo assim, a sua vida está no enfoque que ela se propõe e nos seus estímulos.
Em literatura infantil o estilo onomatopaico dá vida sonora a cada sílaba num fonema harmônico de entendimento didático que perpetua em nossa mente, desde a tenra idade.
Na literatura sagrada a palavra é a vida; a vida, é a palavra nos tons proféticos, nos mandamentos e nas parábolas, tão convincentes como que as escritas nos pergaminhos santos.
A palavra é instrumento de transcodificação dos dizeres “emanados” dos espíritos na mão submissa do médium psicografando ditames de vidas de outrora.
Celebramos a palavra nas inscrições e dizeres dos sepulcros, na palavra de ordem das faixas políticas ou de protestos e nas pichações dos grafiteiros.
Garimpamos a palavra segundo sua beleza para uso na dialética dos tribunais e nos foros das argumentações, para enobrecer a rima dos poetas, e no elo laborioso de uma redação como esta que explica a vida da palavra com a palavra viva, empregada para surtir os efeitos vitais nas lucubrações.
A palavra pode ser engalanada para constar nos diplomas, animadas para roteiros visuais, diminutas ou gigantesca para driblar os incautos com seus fins sutis. A palavra é escrita e direcionada a alguém, portanto vivencia e aguça todos os alfabetizados tanto por leitura ótica como pela sensibilidade do Braille.
A palavra é viva. Viva, a palavra nos modifica, clareia nossas emoções, atende aos nossos anseios, apaga a nossa voz, ressuscita a nossa memória, interage com nossos sentidos, e, ao fazer simbiose com nossa vida, é eterna enquanto ortográfica no jazigo, e efêmera enquanto fonética no adeus.

(Escritor Carlos Alberto Lopes de Sousa)

domingo, março 09, 2008

POESIARTE EM FOCO DE WILLIAM BRENUVIDA



A poesiarte apresenta: William Wollinger Brenuvida. Poeta, advogado e escritor paulista nascido em São Bernardo do Campo, radicado em Santa Catarina.

Vejamos um poema de sua autoria:

Sentimento

O sentimento é
atemporal.
O corpo não.
O sentimento é
subjetivo,
maldito,
a qualquer interpretação.
O corpo é,
senão matéria
dispersa.
Conjunto de
átomos
perdidos
no universo.

A alma é
para alguns,
cognição,
para outros,
confirmação,
de fraqueza.

Mas sua leveza desperta,
os olhos num
distante lembrar,
o de transpassar
o tempo,
as paredes,
a linha telefônica.
O hábito,
que nos impomos.


(Poeta William Wollinger Brenuvida)

Link do autor:

http://acangatu.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

POESIARTE EM FOCO DE LUIZA CAETANO


A poesiarte apresenta: Luiza Caetano. Poeta e artista plástica portuguesa.


Vejamos uma poesia de sua autoria:




Alfama (Lisboa) - Quadro de Luiza Caetano.



ALFAMA DE LISBOA

Hoje, me perdi em Alfama
com o poeta Fernando Pessoa.

Andei de viela em viela
bebendo cheiro de mangericos
em ébrias taças-lembranças.

Escrevi um fado pintado
e o pregão duma varina
numa das sete colinas.

Enquanto a chuva molhava
memórias e marinheiros
num eléctrico amarelo
que ía prá Rua das Trinas.

Hoje passeei com Pessoa
no bairro da cidade branca

Casario de Lisboa
de pranto-saudade pintado

no trinado duma guitarra
o desenho da calçada
Lisboa saudade fado

(Poeta Luiza Caetano)

Site da autora:
http://www.luizacaetano.com

sábado, fevereiro 09, 2008

POESIARTE EM FOCO DE RODRIGO POETA


A poesiarte apresente: Rodrigo Octavio Pereira de Andrade (Rodrigo Poeta). Poeta, pesquisador, professor e ativista cultural cabo-friense.


Vejamos uma poesia de sua autoria publicada no site Crônicas Cariocas:


“Lágrimas Secas”

 

Nos versos de Patativa do Assaré,
Caminho pelo chão rachado da seca
Entre mandacarus e urubus do Sertão.
Os olhos do horizonte não enxergam
O Velho Chico,
Diante de um acorde de Luiz Gonzaga,
A relembrar as histórias de Lamarca e Lampião
Pelo Sertão.

A poesia é poeira na veia
De João Cabral de Melo Neto,
Mas incendeia nas mãos de Graciliano
E Guimarães Rosa ao som de um repente
Feito numa roda em Arcoverde.

A caatinga me fere com os seus espinhos,
Com o seu olhar de morte em desalinho.
Os retirantes fogem, clamam e pedem
Para Padre Cícero pelas bênçãos das chuvas de São Pedro
Aos olhos de um São João num foguetório dos infernos
Entre os braços de Suassuna e de João Grilo, O Amarelo,
Que representam o Sertão.

As mulheres ficam num olhar triste,
Enquanto os homens buscam alimento
E salvação em terras alheias do Sertão.
Deixam família, casa e coração,
Para um dia voltar
E verem com outro olhar o Sertão.

Os retirantes fogem da fome,
Da seca, da morte em busca da salvação!
Os sertanejos são fortes,
Mas a seca do Nordeste
É fera e os engole...

Anjinhos nascem e morrem...
...para serem sepultados num chão pobre.
As rachaduras são rios de lágrimas secas
Ao olhar dos versos de um menino a lamentar
Entre a poeira ao lado de uma carcaça de boi
Nas mãos do Sertão brasileiro.

(Rodrigo Poeta de Cabo Frio-RJ. – 15/10/07)

Link do site Crônicas Cariocas, onde estão vários poemas do autor:

http://www.cronicascariocas.com/poesias_rod_poeta.html




quarta-feira, fevereiro 06, 2008

POESIARTE EM FOCO DE ELÍDIA ALMEIDA


A poesiarte apresenta: Elídia Almeida. Poeta de Jacobina-BA.

Vejamos uma poesia de sua autoria:



ECLIPSE!


Fenômeno de alta grandeza
Que faz a junção do rei sol
E da rainha lua!

Um brilha de dia o outro
Brilha de noite!
Queriam muito
Se encontrar, mas
Não sabia como...

Deus o criador da,
Imensa galáxia, deu
A oportunidade aos dois,

Se abraçarem, se fixarem
Por apenas um dia e em
Determinado tempo marcado.

O sol e a lua, o rei e a rainha
Do reino da galáxia!
Grandes astros que se amam,
Que se entrelaçam...

Então o espetáculo
Do casamento do sol e
Da lua é contemplado
Por todos aqueles que,

Podem ver e sentir
A maravilha do grande fenômeno
do criador do Universo...!


 (Poeta Elídia Almeida)

domingo, janeiro 27, 2008

POESIARTE EM FOCO DE LUIZ LEMOS


A poesiarte apresenta: Luiz C. Lemos. Poeta cordelista, pesquisador de Cultura Popular e conhecido como Compadre Lemos. Nascido em 14 de janeiro de 1954 em Teófilo Otoni- MG, mas morando atualmente em Juiz de Fora-MG.

-Vejamos uma poesia de sua autoria:


Literatura de Cordel - Os Folhetos que contam o Nordeste...

Se nos roubam por prazer,
Por inveja ou por maldade,
Usemos de Caridade,
Na beleza do esquecer!
O nosso perdão vai ser
Lição que vamos mostrar!
Pra frenrte se deve olhar,
Pois a vingança é mesquinha...
Lembrando bem Gonzaguinha:
"Outra vez recomeçar"!

O Cordel é nossa meta
Nosso campo e nossa vida!
Ou seja, pois , esquecida,
A maldade, rude seta!
Tracemos a linha reta,
O bom caminho a trilhar,
Pois quem ousou nos roubar
Não tem mais nem o que tinha...
Lembrando bem Go9nzaguinha:
"Outra vez recomeçar"!

(Compadre Lemos)



Link do autor:

segunda-feira, janeiro 21, 2008

POESIARTE EM FOCO DE YVE LYSY


A poesiarte apresenta: Yve Lysy. Poeta de Volta Redonda-RJ.

-Vejamos uma poesia de sua autoria:


LAMENTO

Enclausurada
A mulher amada
Na torre do coração
As trancas enferrujadas
depois de trancadas
não abre mais não.

Não tem direito de escolha
Faz só o que ele quer
Foi transformada em robô
Não é mais uma mulher.

Ele bem que sabe disso
Mas finge não saber
Põe desculpa no ciúme
E diz que a sua mulher
Ele não quer perder.

Que foi difícil encontrar
Um amor tão grande assim
Que ela lhe devolveu a vida
E hoje ele sabe viver
Que esse amor tão bonito
Não pode ter fim.

De repente ele não sabe
Que o corpo ele pode ter
Mas que os pensamentos
São ocultos
Esse ele não pode ver.

O canto do rouxinol
Se fez ouvir por todo o tempo
É o lamento da mulher amada
Ali deixada no esquecimento.

Ela chora sentada no chão
Olhos fixos sem expressão
Ela desenha com seus dedinhos
As lágrimas que caem no chão.

E o homem desesperado
De ver a mulher infeliz
Ele a toma em seus braços
E com ela sai dali
Sem perceber
Que foi tarde demais
E em seus braços
A mulher amada, jaz.


(Poeta Yve Lysy)

sábado, janeiro 19, 2008

POESIARTE EM FOCO DE RAQUEL FADEL




A poesiarte apresenta: Raquel Ap. Fadel. Poeta que nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, mas atualmente vive em São Carlos-SP.

-Vejamos uma poesia de sua autoria:


INFÂNCIA


Pés descalços
Corriam pelos pastos
Nariz escorrendo,
Limpavam com os braços
Subiam em goiabeiras, jabuticabeiras,
Derrubavam mangas das mangueiras
Bonecas eram sabugos.

Pneus, bolinhas de gude e
Pião eram brinquedos
Soltavam pipas o dia inteiro
Passo a passo
O sapato matou o pasto:
I
magens, controles dominam

Parte da vida, obra prima...
Rolimãs não mais existem
Esqueceram o esconde-esconde
O consumo insiste, persiste...
Grades protegem o bronze.
Goiabas, jabuticabas e mangas,
Pela feira vem conhecer.
Acabaram as brincadeiras
É nossa infância a fenecer...
E pelas crianças um grito:
Não tirem delas esse capítulo!

(Poeta Raquel Ap. Fadel)

quinta-feira, janeiro 10, 2008

POESIARTE EM FOCO DE GLÓRIA ANCHIETA


A poesiarte apresenta: Glória Anchieta. Poeta nascida em Belo Horizonte-MG, que vive atualmente no Rio de Janeiro-RJ. Glória Anchieta é conhecida entre o meio literário por Glorinha Gaivota.

-Vejamos uma poesia de sua autoria:


"UM GRITO DE LIBERDADE"


Liberdade... Liberdade!
Pra você, pra mim e pra ele.
Liberdade para nós!
Presos nas lembranças do passado,
Na pobreza do espírito e
No medo de se entregar!...

Liberdade!... Liberdade!...
Pra nós prisioneiros!
Presos à comodidade da vida,
Presos a falsas ideologias,
Presos a hipocrisias!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para libertar os sonhos!
Para exteriorizar a beleza escondida em aparências!
Para nos libertar das prisões interiores,
Do vicio, do medo e da solidão!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para as prisões de segurança máxima,
Criada por nós contra nós.
Com proteção mentirosa,
Que nos afasta de tudo.
Que nos faz desconhecer os verdadeiros valores!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para as mentiras cravadas no coração,
Perpetuadas de geração a geração e
Que nos dá luz mentirosa.
Que nos prende a falsos valores e
Tantos falsos amores!...

Liberdade!... Liberdade!...
Tirem as correntes de nós!...
Abra a porta, coração!
Lava a alma da opressão!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para que possamos caminhar
Com a alma iluminada!
O coração purificado!
Os ideais modificados e
Os caminhos destravados!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para todos nós viventes,
Para que possamos caminhar!
Mais com o amor resplandecido em nós e
No caminho do verdadeiro bem!...

Liberdade!... Liberdade!...
Abaixo os falsos valores!
Abaixo os falsos pudores!
Abaixo as falsas crenças!
Abaixo a escuridão!...

Liberdade!... Liberdade!...
Para aprendermos a cada dia,
Conhecer e amar mais o irmão!
Sem crenças, sem burocracias,
Sem racismo e sem cobranças!...

Liberdade!... Liberdade!...
Libertação para todos nós,
Tolos de conhecimentos!
Aprendizes de defesas, cobranças e
Professores de intolerâncias!...

Liberdade!... Liberdade!...
A verdadeira crença Nasce, Cresce e Perpetua no coração,
Exterioriza-se na arte de estender a mão!
O caminho é livre!...
O bem é imprescindível.

Liberdade!... Liberdade!...

(Poeta Glória Anchieta)

terça-feira, janeiro 08, 2008

PERFIL DE WASHINGTON BENAVIDES


A poesiarte apresenta: Washington Benavides. Poeta e músico uruguaio nascido em Tacuarembó em 03 de março de 1930.Colaborou com a revista Asir na década de 1950. Foi professor de literatura de Educação Secundária. Mais tarde na Faculdade de Humanidades e Ciências de Educação pelo Departamento de Letras Modernas e Contemporâne. Depois na UdelaR. Também trabalhou em rádio.
Seu primeiro livro foi publicado em 1955 é chamado “Tata Vizcacha”. Ele é uma sátira de alguns personagens de sua cidade natal.
Outras obras de sua autorias:
  • Tata Vizcacha (1955)
  • El Poeta (1959)
  • A un hermano (1962)
  • Poesía (1963)
  • Las Milongas -la obra más difundida- (1966)
  • Poemas de la ciega (1968)
  • Los Sueños de la Razón (1968)
  • Historias (1971)
  • Hokusai (1975)
  • Fontefrida (1979)
  • Murciélagos (1981)
  • Finisterre (1985)
  • Fotos (1986)
  • Tía Cloniche (1990)
  • Lección de exorcista (1991)
  • El molino del agua -Premio Nacional y Municipal- (1993)
  • La luna negra y el profesor (1994)
  • Los restos del mamut (1995)
  • Canciones de Doña Veus (1998)
  • El mirlo y la misa (2000)
  • Los pies clavados (2000)
  • Biografía de Caín: (2001)
  • Un viejo trovador (2004)
  • Diarios del Iporá (2006)
- Vejamos alguns poemas de sua autoria em espanhol e português:


Los pies clavados

Aqui y en guardia a tu probable signo,
aquí me encontrarás, si acaso quieres.
Has de mirarte en simulacro indigno
de la fatal belleza co
n que hieres.
Tu nombre,al que Fray Luis en glosa santa
fray-mentara,e
s un ave de ala trunca,
es un silbo de oro en la garganta
que empieza siemp
re y que no acaba nunca.
Ojos de barro para t
i deseara;
no la mitra ni el halo q
ue decae
no entenderte,beberte en fuente clara-.

Pero nombro la cuerda del ahorcado:
que mé
dula de nieve te retrae
"si estás par
a esperar los pies clavados"?

Os pé cravados

Aqui de guarda a teu provável signo,
aqui me encontrarás, se acaso queres.
Irás olhar-te em
simulacro indigno
desta fatal beleza com que feres.
Teu nome , que Frei Luiz em glosa santa
frag-mentara,
é uma ave de asa trunca,
um assovio de ouro na garganta
que se alça se
mpre e não acaba nunca.
Olhos de barro para ti pensara;
sem a mitra nem o halo que decai
não entender,
beber-te em fonte clara.
Mas eu
nomeio a corda do enforcado:
que medula de n
eve te retrai,
"se estás para esperar de pés cravados"?

Sabiduría

No es un elefante asiático
que se te viene encima
haciendo retemblar la tierra
de los sueños.
El tiempo c
alza zapatillas de tenis
y es una enérgica muchacha
a la que no podrás disputarle
un solo game.


 
sabedoria

não é um elefante asiático
que te vem em cima
fazendo
retumbar a terra
de teus sonhos
o tempo calç
a sapatilhas de tênis
e é uma enérgica senhorita
com qu
em não podes disputar
nem mesmo um game

Un tango

Un tango que venía más solo que la muerte
tanteó mi
corazón con mano ciega
el silbo se
me fue de entre los labios
y la deshabitada boca entró en la tierra.

Um tango

Um tango vinha mais sozinho do que a morte.
Tateou meu cor
ação com mão de cego,
desfez-me de meus lábios o assovio
e já desabitada a boca entrou na terra.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

POESIARTE EM FOCO DE LUCIA GOMES


A poesiarte apresenta: Lucia de Souza Gomes. Poeta nascida 10/10/1974 em Iguaba Grande-RJ. A poeta é autora do livro "Espelho da Alma".

Vejamos uma poesia de sua autoria:

"Poeta em extinção"


Sou um poeta em extinção
um dos poucos que ainda
ouve a voz do coração
como eu não há ninguém
que sente a doçura dos sentimentos,
das palavras,
nos momentos de amor,
de dor ou de aflição

Que vê a transparência da alma
numa palavra suave e calma
que ainda canta o amor...

Sou um poeta que está morrendo
pouco a pouco a minha força se esvai,
pouco a pouco as palavras fogem
e o amor não existe mais

Não deixe o poeta morrer
não deixe as palavras sumirem
não deixe o sonho acabar
o sonho que ainda resta
se perder na imensidão...
escute seu coração ...
não deixe morrer o poeta!

(Poeta Lucia de Souza Gomes)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

POESIARTE EM FOCO DE MARILENE TEUBNER


A poesiarte apresenta: Marilene Pacheco Teubner. Poeta de Urânia-SP.

Vejamos uma poesia de autoria:


"Chuva de esperança"


Cai entre lágrimas
A angustia.
No solo seco
Do amor.

Bate a saudade
Da inocência.
Só existente
Na infância.

No presente
Nada e tudo
Na ausência
Da felicidade.

Chove no rosto
Perguntas sem respostas.
Da ilusão
Plantada sem razão.

Chove amargura
Chove tristeza
Mas também
Chove esperança.

(Poeta Marilene Teubner)
08/10/07

terça-feira, janeiro 01, 2008

PERFIL DE CHICO SCIENCE


A poesiarte apresenta: Chico Science.

- Vejamos um pouco da vida deste poeta do MANGUE BEAT e uma composição de sua autoria:

*Francisco de Assis França, mais conhecido pela alcunha de Chico Science (Olinda, 13 de março de 1966 - Recife, 2 de fevereiro de 1997) foi um cantor e compositor recifense, um dos principais colaboradores do movimento Manguebeat em meados da década de 1990. Líder da banda Chico Science & Nação Zumbi, deixou dois discos gravados: Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, tendo sua carreira precocemente abortada por um acidente de carro na rodovia entre as cidades de Olinda e Recife.

*Chico Science participava de grupos de dança e hip hop em Pernambuco no início dos anos 80. No final da década integrou algumas bandas de música como Orla Orbe e Loustal, inspiradas na música soul, no funk e no hip hop. A fusão com os ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, veio em 1991, quando Science entrou em contato com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, subúrbio de Olinda. Misturou o ritmo da percussão com o som de sua antiga banda e formou o Nação Zumbi. A partir daí o grupo começou a se apresentar em Recife e Olinda e iniciou o "movimento" mangue beat, com direito a manifesto ("Caranguejos com Cérebro", de Fred 04, da Mundo Livre S/A). Em 1993 uma rápida turnê por São Paulo e Belo Horizonte chamou a atenção da mídia. O primeiro disco, "Da Lama ao Caos", projetou a banda nacionalmente. O segundo, "Afrociberdelia", mais pop e eletrônico, confirmou a tendência inovadora de Chico Science e Nação Zumbi, que excursionaram pela Europa e Estados Unidos, onde fizeram sucesso de público e crítica. O Nação Zumbi lançou um CD duplo em 1998, depois da morte do líder, com músicas novas e versões ao vivo remixadas por DJs.

*
Podemos citar, como bandas relacionadas a Chico Science, as conterrâneas Mundo Livre S/A, Bonsucesso Samba Clube, as mais recentes Cordel do Fogo Encantado, Mombojó e Otto, passando por Sepultura (mais especificamente o álbum Roots), Cássia Eller (intérprete de músicas como Corpo de Lama e Quando a Maré Encher), Fernanda Abreu (álbum "Raio X") e Arnaldo Antunes (álbum "O Silêncio"), além da antiga parceira e ainda em atividade: Nação Zumbi.
Em 2007, recebeu homenagem do prêmio Multishow, do canal da Globosat de mesmo nome.

A Cidade
Chico Science

Composição: Indisponível

O sol nasce e ilumina
as pedras evoluídas
que cresceram com a força
de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam
vigiando as pessoas
Não importa se são ruins
nem importa se são boas

A cidade se apresenta
centro das ambições
para mendigos ou ricos
e outras armações
Coletivos, automóveis,
motos e mêtros
Trabalhadores, patrões,
policiais, camêlos

A cidade não pára
a cidade só cresce
O de cima sobe
e o de baixo desce
A cidade não pára
a cidade só cresce
O de cima sobe
e o de baixo desce

A cidade se encontra
prostituída
por aqueles que a usaram
em busca de saída
Ilusora de pessoas
de outros lugares,
a cidade e sua fama
Vai além dos mares

No meio da esperteza
internacional
a cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos

A cidade não pára
a cidade só cresce
O de cima sobe
e o de baixo desce
A cidade não pára
a cidade só cresce
O de cima sobe
e o de baixo desce

Eu vou fazer uma embolada,
um samba, um maracatu
tudo bem envenenado
bom pra mim e bom pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus
Num dia de sol
Recife acordou com a mesma fedentina do dia anterior.