sábado, maio 30, 2009

ARTIGO DE RODRIGO POETA



 NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA


A guerra só traz mais ódio. Na Palestina uma pedra é uma arma na mão de uma criança e no meio deles o ódio é repleto entre a dor da perda e da fome de identidade no mundo. O olhar é profundo, mas triste perante a ganância a um solo que dizem ser sagrado.
Chamas mostram o poder e o olhar no meio disso tudo que se torna vazio, triste no meio do caminho.
A esperança é ódio. O orgulho é a destruição. Este é o homem feito em imagem e semelhança a Deus? Quem é essa Pedra? Quem é esse Caminho? Qual é o Meio?
As respostas estão dentro de nós ao olhar o terror que cerca tanto aqui no Brasil como no Oriente Médio e em outras partes do Mundo Capital.
O Deus é o mesmo, mas as atitudes são diferentes...
A certeza é uma só...a pedra, o caminho e o meio estão dentro de nós!
O caos não tem volta, mas enquanto uma vela permanecer acesa, esta luz ainda nos trará a bonança...
O olhar triste continua entre as chamas do Inferno criado por nós, diante dos versos imortais de Drummond: "No meio do caminho tinha uma pedra".



*Rodrigo Octavio Pereira de Andrade.
-Membro da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo-RJ.
30/05/09

quinta-feira, maio 21, 2009

ENTREVISTA COM ROBERTA GONÇALVES




A poesiarte apresenta: Roberta Gonçalves. Professora e lutadora de kickboxing.

- Vejamos uma entrevista feita com Roberta Gonçalves por Rodrigo Poeta:








*Nome: Roberta Gonçalves.
*Cidade de origem: Cabo Frio-RJ.
*Data de nascimento: 21/08/1973.
*Cidade que representa: Cabo Frio-RJ.

1-Como começou sua carreira nas artes marciais?
Roberta: Sempre gostei muito de esportes, pratiquei vários,mas meu primeiro contato com as artes marciais foi com a capoeira. Com 13 anos, pratiquei por muitos anos, mas como não era um esporte de competição, não me dediquei, apenas pratiquei como um passatempo. O kickboxing, eu conheci através do meu professor de body combat Leandro Borges. Ele achou que eu tinha talento para a luta e me levou numa academia para fazer o teste, então o mestre daquela academia disse que eu levava jeito e iniciei as aulas. Com um mês eu fiz a minha primeira luta,a partir daí então me dediquei aos treinos e entrei na carreira de competidora, para dar continuidade a minha carreira tive que fazer uma escolha,foi ai então que, por vários motivos deixei a academia que havia iniciado e fui em busca de outras academias especializadas que pudessem me levar a competições internacionais.

2-Qual título que mais foi difícil e glorioso para você?
Roberta: O título mais importante para mim foi a disputa do cinturão do Campeonato Brasileiro de Artes Marciais em 2005. Foi inexplicável a minha determinação, dedicação e persistência diante das dificuldades que enfrentei para chegar lá. Fui para uma competição grande, importante, sem técnico, com outros amigos que lutaram também. Lembro-me que houve uma enorme torcida para minha adversária, faixas nas arquibancadas e até fogos soltaram na subida dela ao ringue. Era a favorita...e eu subi no ringue com um amigo que acabara de ser nocauteado,estava com o psicológico completamente abalado, portanto sem condições de me orientar no ringue,mas a minha vontade era superior e havia me preparado para aquele momento. DEUS estava no controle. Ainda no 1º round a luta foi da adversária,ela foi superior, mas ainda faltavam 2 rounds e eu sabia que a vitória era minha,não tive dúvidas. No segundo e o terceiro round foi meu,a arquibancada se calou e eu ouvi aquele homem falar em alto e bom som e me arrepio ate hoje quando lembro... “CAMPEÃ POR UNANIMIDADE... ROOBERTAAAA GONÇAAAAALVES!!!” Foi uma grande vitória, infelizmente os 3 amigos que foram comigo perderam, mas eu salvei a nossa equipe com um lindo cinturão e com a vaga para o meu 1º Mundial de Artes Marciais no Canadá.

3-Existe discriminação por ser mulher em praticar este estilo de arte marcial?
Roberta: Com certeza, sem dúvidas, infelizmente...no profissional fica inviável sustentar essa modalidade para mulher, pois os eventos são escassos e as bolsas (os prêmios) sempre menores que a dos homens. Bom, já no amador existem mais mulheres, mais eventos e tem mais apoio do Governo. Um bom exemplo é a bolsa atleta do Ministério dos Esportes. Os grandes eventos de lutas no Brasil e no Mundo não tem lutas femininas.

4-Sabe-se que no Brasil é difícil ter apoio em várias modalidades esportivas. Como você faz para participar de competições nacionais e internacionais?
Roberta: Bom, no inicio foi tudo mais difícil. Tenho livro de ouro que grandes amigas como Nica Bomfim e Luciana Santa Rosa, fizeram para mim e com ajuda de amigos e conhecidos para arrecadar fundos para ir competir, mas fui tendo reconhecimento a partir dos títulos que fui conquistando, sempre tive o apoio da Prefeitura Municipal da minha cidade. Sou muito grata por isso, também tive o apoio de algumas empresas que foi fundamental no processo de preparação e treinamento que não e nada fácil, pois eu entrei no rol dos melhores atletas do país, assim estava na carta que recebi do Ministério do Esporte e fiquei emocionada, contudo não consigo apoio suficiente para manter meus treinamentos. É uma busca constante...é uma luta fora dos ringues também. Sinto muito pela falta de reconhecimento do atleta de um modo geral e do esporte no nosso país. Fico muito feliz quando viajo para competir com a seleção, uniformizada e nos aeroportos as pessoas vem nos parabenizar, pedir até autógrafos como fizeram comigo em Miami, na Espanha fizeram um corredor na passagem dos portões para gente passar, quando eu vi aquele corredor no aeroporto de Madri disse para os amigos: - Acho que tem alguém famoso por aqui, vamos ver quem é? Fui vendo que era a gente que estava com o uniforme da seleção brasileira de artes marciais e isso chamou a atenção deles. Uma experiência única para mim. Fiz uma entrevista ano passado no mundial nos EUA, num jornal em Orlando, FL um jornal para brasileiros que moravam lá fora, foi muito bacana. E ai chego aqui,fiquei em 2º lugar no Mundial e não recebo nem parabéns Roberta! Mas o amor ao esporte fala mais alto, o amor pelo que faço e a experiência adquirida não tem preço...Então a todos eu digo: -Muito Obrigado!

5-Como é a sua rotina de treino?
Roberta: A minha rotina de treino depende do calendário de lutas que tenho a diante, em cada competição preciso manter um ritmo de treino intensivo por 2 meses pré-competição, porém o treinamento de rotina e mantido de forma regular, com treinos técnicos, treinos físicos, treinamento visual e uma busca de conhecimentos na área especifica que me ajude a estar sempre evoluindo. Procuro sempre buscar treinamentos nas melhores equipes do pais, em 2006 antes de ir para Espanha fiquei 3 meses em Curitiba treinado com uma das melhores equipes de muay thai do Brasil, estou sempre indo para o Rio de Janeiro para treinar na melhor academia de boxe do país,a Delfim,onde a seleção cubana de boxe ficou instalada para treinar no Panamericano. Sou muito bem acessorada lá e meus treinos evoluem bastante. Junto com o treinamento procuro cuidar da minha alimentação e faço uso constante de suplementos alimentares junto a uma nutricionista para ter melhorar desempenho nos treinos.

6-O que ou quem motivou você a praticar essa arte marcial?
Roberta: Como havia dito, foi meu professor de body combat Leandro Borges, quem me levou a conhecer o kickboxing, ele sempre dizia que eu levava muito jeito para luta e disse que se eu quisesse, ele me levava a uma academia que ele conhecia de artes marciais. Um dia aceitei o seu convite, e na primeira luta ele foi quem me entregou a medalha de campeã. Muito obrigado Leandro!

7-Tem algum projeto em mente para divulgar esta modalidade esportiva?
R: Sim, muitos, mas só em mente mesmo, nada no papel, até porque no momento estou em busca da minha medalha de ouro, pois já conquistei 3 de prata, este ano ela não me escapa.

8-Deixe uma mensagem para posterioridade?
Roberta: Teria muitas mensagens para deixar e muitos conselhos também, porém vou deixar apenas uma reflexão: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” (Fernando Pessoa)


segunda-feira, maio 18, 2009

ENTREVISTA COM BRUNO BARUDI



A poesiarte apresenta: Bruno Barudi Pauwels. DJ de Foz do Iguaçu-PR.

- Vejamos uma entrevista feita com Bruno Barudi por Rodrigo Poeta:

*Cidade: de origem: Foz do Iguaçu-PR.
*Nome artístico: Bruno Barudi.
*Idade: 23 anos.
*Contato: www.myspace.com/brunobarudi





1-Como começou a sua carreira na música eletrônica?

*Bruno Barudi: Começou frequentando festa com amigos e se identificando muito com o estilo musical que tinha nas festas, assim despertando uma vontade de saber como tudo isso era produzido e feito. Comecei a pesquisar em fóruns, internet e com muito estudo, hoje graças a Deus estamos ai.

2-Qual o seu estilo?

*Bruno Barudi: Electro House, Progressive House e House.

3-Além da música eletrônica, qual outro estilo você curti?

*Bruno Barudi: Vários outros estilos, desde Rock, Pop e Lounge.

4-Qual foi o melhor evento em que você participou e se sentiu recompensado com a agitação do público?

*Bruno Barudi: GOA em Juiz de Fora-MG. Foi em março desse ano se não me engano. Foi um sentimento único que até hoje me lembro. Me "arrepia" só de lembrar da galera tanto que tem uns vídeos meus no youtube, basta procurar por BRUNO BARUDI.

5-Por que existe tanta discriminação em relação a música eletrônica?


*Bruno Barudi: É uma questão muito complicada, mas um dos motivos que assimilam muito a música eletrônica com as drogas, mas não veem que em qualquer outro tipo de evento rola drogas, assim como um show de Reggea, um sertanejo, etc. Só que sem dúvida alguma a droga é algo que está presente nos eventos, porém em qualquer outro evento isso está, pois lhe proporciona uma segurança maior. Poderia ficar aqui dizendo va´rios prós e contras a respeito de tudo isso, mas acia de tudo é uma questão muito complexa. Mas antes as pessoas precisam conhecer antes de citar qualquer discriminação sobre as festas de música eletrônica. Achoque uma entrevista muito interessante pra esclarecer tudo isso seria essa do jornalista Zuenir Ventura (um jornalista muito respeitado nacionalmente), que está no yotube segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=inR2sTojTfQ (ASSISTAM VALE A PENA).

6-O que é preciso para ser um bom DJ?

*Bruno Barudi: Bom, acho que isso é muito estudo acima de tudo. Você deve pesquisar, correr atrás, só que ser dj não é apenas de um dia para outro pra você aprender o "Feeling" de uma pista demora muito tempo e requer muita experiência. Mas assim como qualquer outra profissão, muito estudo e prática!

7-Qual ícone da música eletrônica nacional e internacional que você mais admira?

*Bruno Barudi: Serrasqueiro, mais conhecido como Gabe. Acho que atualmente é sem dúvida alguma o melhor produtor nacional. Um dos maiores mundiais, bom internacional é o The Chemical Brothers sem dúvida.

8-Deixe uma mensagem para posterioridade?

*Bruno Barudi: Bom quem quiser produzir aí!

sexta-feira, maio 01, 2009

DESTAQUE POESIARTE DE ABRIL


A poesiarte apresenta: Diná Fernandes. Poeta de Cabedelo-PB. Diná foi a poeta destaque do mês de abril da COMUNIDADE POESIARTE.

-Vejamos uma poesia de sua autoria:


Aos poetas

Poeta é um ser que em versos lapida
Suas moções e fala todas as línguas
Aproxima amores dá brilho à vida
Derrama nos versos as suas mágoas

No pensamento as fantasias
Tecem imagens, criam personagens
Para uns os versos levam alegrias
Para outros, apenas miragens

Não importa! segue rabiscando
Histórias de vidas sofridas
Do tempo em que esteve amando
E das noites mal dormidas

Na solidão, um trago, um cigarro
Dedos nervosos, caneta em punho
Magia e sentimento bizarro
Parindo versos como testemunho


(Diná Fernandes
)

sábado, abril 18, 2009

ENTREVISTA COM ÉRIC MEIRELES DE ANDRADE


A poesiarte apresenta: Éric Meireles de Andrade. Poeta e ativista cultural. Nascido em 01 de outubro de 1973 na cidade de Caratinga-MG.

-Vejamos uma entrevista feita por Rodrigo Poeta ao poeta Éric Meireles:

1-Como você começou a gostar de poesia?

R.: Aos 9 anos (1983), recitando "Deus" de Casimiro de Abreu, no Colégio Machado Sobrinho (Juiz de Fora-MG). Fiquei tão emocionado que "declamei" um poema que fiz naquele momento. Foi massa!

2-Quem incentivou você?

R.: Indiretamente meu pai, devido ao gosto e incentivo que dava pela leitura. Diretamente foi a Literatura Brasileira (principalmente a contemporânea).

3-Que tipo de poesia você mais gosta e prefere fazer?

R.: Gosto de escrever tudo sobre presente (amores, luta, filosofia, volúpia, cotidiano, prazer, etc).

4-Qual o seu estilo de fazer poesia, ou seja, qual modo em que você faz a poesia?

R.: Escreve versos livres, diretos e simples, como catalisadores de metáforas.

5-O que representa ser poeta para você?

R.: Representa uma oportunidade de escrever em versos sobre o mundo e as coisas. Falar do que descubro e denunciar o que condeno. Representa também minha responsabilidade de estar mais próximo do povo e da cultura brasileira.

6-O que representa a poesia para você?

R.: Representa a expressão mais livre da literatura: subjetiva em construção e sentimento; contemplativa, reflexiva e anti-racionalista; inimiga mordaz do status quo e uma construção que não se obriga a temporalidades nem enredos.

7-Quais os grandes ícones da poesia brasileira e mundial, que agrada mais você?


R.: Mário de Andrade e Pablo Neruda.

8-Você já participou de recitais de poesia? Se participou cite alguns de grande importância?

R.: Sim. Sarau do Genestra (São Paulo/ abril de 2006). A Confraria dos Poetas entidade que faço parte, faz uns 4 saraus por ano.

9-Qual a sua visão sobre a cultura principalmente no campo da literatura?

R.: Cultura é o modo de se fazer e refazer, produzir e reproduzir, seja no plano material ou imaginário de um povo. A literatura é uma linguagem da cultura expressa especialmente pela escrita.

10-Você já publicou algum livro? Se já, cite o nome dele e o ano em foi publicado?

R.: Sim. "Fragmentos da Poesia Marginal" pela Ed. Libra Três em novembro de 2006 e "Confraria dos Poetas - Uma Antologia" - Lançada em São Paulo-SP na Casa das Rosas.

11-Você já fez algum projeto ou participou de algum em referência a poesia?

R.: Sim. Faço parte de uma organização nacional de poetas chamda "Confraria dos Poetas".

12-Qual a poesia sua em que você mais possui afeição?

R.: De todas, mas de lambuja deixo um poema epicureu.

A Natureza das Coisas

A natureza das coisas
Está na beleza do simples,
É a ousadia da comunhão entre os homens
E tem o doce sabor do amor e da amizade.

A natureza das coisas
Tem a união de pequenas partículas
Que se transformas em montanhas,
Está na inteligência decodificada da virtude
E é a coragem de lutar com ternura.

A natureza das coisas
Está também na importância do vazio
É a racionalidade cotemplativa vencendo os templos
E não temer a morte,
Que a vida traz sempre consigo no bolso.

A natureza das coisas
Está nos anseios do avaro e do humilde
É a contramão da bonança e da miséria
E tem lápides escritas com o sangue dos tolos e dos
Sábio...

...como dizia Demócrito antes de Cristo,
A natureza das coisas
Está na bondade dos homens que dormem tranquilos
E no caminho sujo daqueles que acompanham os porcos...

(Éric Meireleres de Andrade).





sexta-feira, abril 03, 2009

DESTAQUE POESIARTE DE MARÇO


A poesiarte apresenta: João Bosco. Poeta de São José dos Campos-SP. João Bosco foi o poeta destaque do mês de março da COMUNIDADE POESIARTE.

- Vejamos um poema de sua autoria:


Náufragos em Zanzibar

I
Amar-te de maneira tão tensa,
Como só o fazem os animais.
Em ti, minha paixão é intensa.
Sufoco em beijos, gemidos e ais.
Pedes-me; já quase não pensas.
Não pare, amor... não pare jamais.

II
Por desejo assim tão profundo, tenaz.
Navegar por mares estranhos me ponho.
Possuo-te - abro mão de tudo no mundo.
És tu cadela vadia; sou eu cão vagabundo
Em tua gruta sedenta, minhas armas deponho.
Exangue, sacio em ti, a minha fome voraz.

III

Um outro desejo, célere, ocupa.
O lugar do que ficou acabado.
Amar-te é bom - pois sem culpa.
Provo do fruto, no Paraíso negado.

IV

Teus beijos, amor; são doces, de sabor tão raro.
Que deles, o gosto, a mente, confusa, me olvida.
Recorro então ao Sentir; que me é muito mais caro.

V

Não pare, amor! Não pare! Diga-me por toda a vida.
Molhada em suor; trêmula, peito arfando, olhos sorrindo.
Abraço apertado; beijo-te a nuca - de repente, te vejo quieta - dormindo.

Poema relembrando os caminhos que levam de Marrakesh a Bagdad, passando pelo cabo da Boa Esperança, com escala em Zanzibar, que faz rima perfeita com amar.

Vale do Paraíba, Halloween de 2008.

(João Bosco).

sábado, março 07, 2009

ENTREVISTA COM SELMO VASCONCELLOS


A poesiarte apresenta: Selmo Vasconcellos. Nasceu em Bangu, Rio de Janeiro-RJ, e reside desde 1982 em Porto Velho-RO.

*Poeta, cronista, contista, antologista, divulgador cultural e editor da página literária impressa semanal “LÍTERO CULTURAL, jornal ALTO MADEIRA".

*Colaborador no
www.rondoniaovivo.com com a página "Momento Lítero Cultural" e www.jornalorebate.com.br no Caderno R como colunista da página http://jornalorebateselmovasconcellos.blogspot.com com colaboradores em todo o território nacional e mais em 35 países, sendo eles : França, Portugal, Espanha, Cuba, Estados Unidos da América,Poesias publicadas : www.selmovasconcellos.zip.net

*Obras publicadas (poesia e prosa): REVER VERSO INVERSO (1991), NICTÊMERO (1993), POMO DE DISCÓRDIA (1994), RESQUÍCIOS PONDERADOS (1996) e LEONARDO, MEU NETO (antologia,2004).Livretos independentes (poesia): MORDE & ASSOPRA e suas causas internas e externas (1999), DESABAFOS em memória de ROY ORBISON (2003), Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural” (2004).

-Vejamos uma entrevista feita por Rodrigo Poeta com o poeta Selmo Vasconcellos:


1-Como você começou a gostar de poesia?

SELMO – Nos anos 70 gostava e ainda gosto muito de rock, e toda vez que ouvia Led Zeppelin me dava vontade escrever poesias ( infelizmente não tenho nenhuma delas comigo ). Comecei mesmo a escrever em 1985 já residindo em Rondônia, mas prefiro citar o ano de 1991 quando publiquei o meu primeiro livro Rever Verso Inverso.

2-Quem incentivou você?

SELMO – Iniciativa própria quando declamei “Deus” de Casimiro de Abreu, no primeiro ano ginasial. E leitura de livros desde menino.

3-Que tipo de poesia você mais gosta e prefere fazer?

SELMO - Gosto daquelas poesias que não são melosas.

4-Qual o seu estilo de fazer poesia, ou seja, qual o modo em que você faz a poesia?

SELMO -Costumo rabiscar poesia quando ela vem vindo de mansinho e pode ser em qualquer lugar : ônibus, na praça, na rua... Não sento pra escrever e nem forço a barra, quando ela chega, às vezes leva tempo, mas aí já vem prontinha.

5-O que representa ser poeta para você?

SELMO – Falta muito para ser um poeta, preciso aprender muito. E muita leitura.

6-O que representa a poesia para você?

SELMO – Uma boa poesia representa reflexão.


7-Quais os grandes ícones da poesia brasileira e mundial, que agrada mais você?

J.Gê de Araújo Jorge e meus colaboradores de longas datas : Jean-Paul Mestas ( França ), Reynaldo Valinhos Alvarez, Anderson Braga Horta, Raquel Naveira, Márcio Catunda, Rogério Salgado, Irineu Volpato, Neusa Zanirato, Marisa Zanirato, Ives Gandra da Silva Martins e outros.

8-Você já participou de recitais de poesia? Se participou cite alguns de grande importância?

SELMO – Até nos finais dos anos 90 participava muito de recitais e saraus, depois fui me afastando, agora sou mais caseiro.

9-Qual a sua visão sobre a cultura principalmente no campo da literatura?

SELMO – Os escritores sempre fizeram a sua parte em prol do engrandecimento da literatura, infelizmente órgãos oficiais ligados às artes, políticos e a maioria dos empresários, optam em apoiar o futebol.

10-Você já publicou algum livro? Se já, cite o nome dele e o ano em que foi publicado?

SELMO – Rever Verso Inverso ( 1991 ), Nictêmero ( 1993 ), Pomo de Discórdia ( 1994 ), Resquícios Ponderados ( 1996 ), LEONARDO, MEU NETO (antologia,2004).

Livretos independentes (poesia): MORDE & ASSOPRA e suas causas internas e externas (1999), DESABAFOS em memória de ROY ORBISON (2003), Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural” (2004).


11-Você já fez algum projeto ou participou de algum em referência a poesia?

SELMO – Fiz muitos projetos em prol da literatura como também participei de alguns deles, trabalhei muitos anos no Departamento de Cultura da Secretaria de Estado da Cultura, Esportes e Lazer de Rondônia. Atualmente exerço minhas atividades na Biblioteca.

12-Qual a poesia sua em que você mais possui afeição?

SELMO – Tenho um carinho por esta poesia.

MATA

Hoje me matas
violentamente
com este machado.

Mas,
amanhã das minhas flores
te farão uma coroa,
do meu caule
tua urna mortuária.

Aí sim,
irás ao encontro
da minha raiz.

Eu te esperarei lá embaixo.

*CONTATO com autor: vasconcelloselmo@hotmail.com

terça-feira, março 03, 2009

DESTAQUE POESIARTE DE FEVEREIRO


A poesiarte apresenta: Milena. Conhecida na rede do Orkut por Amelinha. Poeta e funcionária pública do Estado de São Paulo. Milena foi o destaque do mês de fevereiro da COMUNIDADE POESIARTE.

Vejamos uma poesia de sua autoria:

QUANDO PASSAR



SEI
TU HÁS DE ME DIZER
QUE PRA SEMPRE
EM TI ME LEVARÁS


SEI
QUE LAMENTAS
TUDO O QUE SENTES
MAS PERDÃO NÃO PEDIRÁS.


SEI
QUE TALVEZ AMANHÃ
EU NÃO TE VEREI
E TU TAMBÉM NÃO ME VERÁS
QUE O FIM CHEGOU OUTRA VEZ


MAS
O TEMPO VAI DIZER
SE É AMOR
SE É PAIXÃO


E
QUE TU NÃO VERÁS
A DOR EM MIM
EM MEU CORAÇÃO


QUANDO
OS DIAS PASSAREM
A NOITE DE NOVO CHEGAR,
O SILÊNCIO FOR DEMAIS


RECORDARÁS
O PRANTO QUE
DEIXOU
O VAZIO QUE RESTOU


ENTÃO
NOTARÁS QUE ENFIM VALEU
A MINHA PRESENÇA EM TEUS DIAS
DE FRIO E CHUVA OUTRA VEZ


IRÁS CHORAR
TRISTE FICARÁS
E NÃO TERÁS
MINHAS MÃOS A TE AMPARAR.


MAS
EM ALGUM LUGAR
EU ESTAREI
POR TI
A CUIDAR


UM ANJO
NO CÉU ESCURO
DA NOITE FRIA
EU VOU ESTAR

(MILEN@ 09/11/08)

sábado, fevereiro 07, 2009

DESTAQUE POESIARTE DE JANEIRO

A poesiarte apresenta: Conceição Bentes. Poeta de Natal-RN. Ela foi a poeta destaque de janeiro da COMUNIDADE POESIARTE EM FOCO.

-Vejamos um poesia de sua autoria:

Versos em Aquarela

Visto-me de noite mansa
Reinvento versos
Desprendendo o coração
Do labirinto monocromático.

Venho com luzes
Clareando caminhos
Das rimas coloridas
Antes do poema final

Reescrevo minhas páginas
Em cenários multicores
Que diz quase tudo
Ou muito pouco
De maneira irreal
Difusa
Irrevelada!

(Conceição Bentes - 09/01/09)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

ENTREVISTA COM TEÓFILO TOSTES



A poesiarte apresenta: Teófilo Tostes Daniel. Poeta carioca. Autor do livro "Poemas para serem encenados" (2008).

-Vejamos uma entrevista feita com poeta:


1-Como você começou a gostar de poesia?


Comecei a escrever poesia em 1991, com mais ou menos onze ou doze anos. Alguns ‘acontecimentos’ fizeram com que isso acontecesse, embora seja difícil dimensionar a importância de cada um deles com exatidão.
Em primeiro lugar, um ano antes, cito a descoberta de que dos usos não pragmáticos da linguagem poderia ser extraído prazer (na leitura). Essa descoberta datada se deve ao fato de em 1990 eu ter começado a usar óculos (fato crucial para eu me aproximar da linguagem escrita, evidentemente) e, por conseqüência, tido as primeiras experiências de prazer com a leitura.
Em 1991, mudei-me pra Cabo Frio. Na Biblioteca Municipal dessa cidade, da qual logo me tornei um assíduo freqüentador por influência de meu avô materno, tomei de empréstimo livros de Drummond, Manuel Bandeira e Quintana, entre outros. Além disso, a chegada dos livros de minha mãe, que estiveram apartados de nós em 1990 e com os quais, pela primeira vez, estabeleci alguma relação (já que antes eu quase literalmente não os via) me serviu grande de estímulo.
Por fim, junto dos livros de minha mãe, chegaram escritos do meu pai (que também era poeta), os quais comecei a ler pela primeira vez naquele rico ano de 1991. Todos esses acontecimentos levaram-me a escrever meus primeiros (e ainda vacilantes e pueris) versos.

2-Quem incentivou você?

Todas as pessoas ao meu redor sempre me incentivaram. Acho que, pelo fato de meu pai ter sido poeta, as pessoas começaram a ver uma espécie de talento hereditário que se teria passado para mim. Eu mesmo, nos primeiros anos da descoberta dos meus (como já disse, ainda vacilantes e pueris) versos, desejava crer nisso, que era um forte incentivo para continuar escrevendo.

3-Que tipo de poesia você mais gosta e prefere fazer?

Eu confesso ter muita dificuldade pra responder esse tipo de questão. Em primeiro lugar, porque não sei o que exatamente significa ‘tipo de poesia’. Não sei se pela palavra ‘tipo’ se tem em mente filiação a algum tipo de escola literária (o que me parece uma coisa quase extinta atualmente, já que a arte perdeu muitos, quiçá todos seus paradigmas estéticos e os artistas hoje tateiam releituras ou reconstruções sem absolutos e padrões estabelecidos). Se ‘tipo de poesia’ significa algo como escola ou movimento literário, enquadro-me entre os poetas (e artistas) que tateiam entre o que foi e o que há hoje, sem ter consciência do que são. Talvez só no futuro um historiador da arte (ou da literatura) tenha, olhando em perspectiva, essa resposta. A única coisa de positiva que afirmo em relação a isso é que do modernismo, que tinha o objetivo de destruir estéticas e padrões, eu me afasto pela razão (quase óbvia) de não possuir padrões e estéticas pra destruir...
Se ‘tipo de poesia’, nessa pergunta, quer significar temática, ainda assim vejo-me incapaz de respondê-la com exatidão. Somente um estudo analítico consegue descortinar o universo temático de um autor, embora, claro, o autor tenha noções de que temas ele prefira ou trate. Assim, sem ser exato nem preciso, diria que metalinguagem e filosofia estão presentes em minha poesia. Gosto de enveredar pelas indagações sobre os limites do que pode ser dito, pelo espanto diante do fato inexorável de haver mundo, quando nada poderia haver (e do espanto, segundo uma definição socrática, nasce a filosofia) e pela experiência da própria finitude (do saber e do que sou), o que, segundo Heidegger, levaria o homem à filosofia. Além desses temas, o tema amoroso orbita meus poemas, como acontece com quase todos os poetas.

4-Qual o seu estilo de fazer poesia, ou seja, qual o modo em que você faz a poesia?

É difícil descrever o modo pelo qual se faz um poema. Aliás, é curioso o processo criativo! Ele surge sem ser esperado, vai-se tornando cada vez mais presente, mais freqüente, mais constante... Acho que para escrever, duas atividades são essenciais: observar e gerar. A observação nos dá a matéria-prima, o fundamento que o poeta orna de palavras. E a gestação é o trabalho pelo qual o poeta fecunda suas idéias – frutos da observação do mundo – e engendra seus poemas. Essa é a forma mais próxima de descrever o meu processo criativo, claro que um tanto superficialmente.

5-O que representa ser poeta para você?

Sentir junto, compartilhar o passional... Extrair o que há de belo no mundo e devolver ao mundo uma nova elaboração personalíssima dessa beleza. Ou, talvez, apenas uma forma de trabalhar as afecções e os perceptos.

6-O que representa a poesia para você?

Um dos inumeráveis veículos da beleza. Ou melhor, uma de suas incontáveis moradas.

7-Quais os grandes ícones da poesia brasileira e mundial que agradam mais você?

Dos que mais gosto de ler, enumero Quintana, Pessoa e Drummond. Mas há tantos outros que me tocaram, e creio que muitos outros que me tocarão.
Um prosador que faz pulsar poesia em seus escritos, e que não poderia de forma alguma omitir aqui, é Guimarães Rosa, autor das páginas mais tocantes que até hoje tive a oportunidade de ler.

8-Você já participou de recitais de poesia? Se participou cite alguns de grande importância?

Já participei de muitos recitais. Grande parte deles, na própria faculdade, sendo que num deles, recitei alguns poemas meus no Teatro de Arena do campus da Praia Vermelha, na UFRJ. Além desse, houve vários na própria Escola de Comunicação. Aliás, foi a partir da idéia de fazer um recital de poemas que escrevi um poema híbrido com a dramaturgia, o ‘Memorial dos Quatro Cantos’, concebido como um desafio entre poetas e duas vezes lido/encenado na própria Escola de Comunicação da UFRJ.
O último recital do qual participei foi num evento na Procuradoria da República em Minas Gerais, em que, além de recitar poemas de Vinícius de Moraes, também cantei algumas músicas, acompanhado por violões.

9-Qual a sua visão sobre a cultura principalmente no campo da literatura?


Para falar do campo da literatura, especificamente, é impossível não lamentar o fato de vivermos num país de tantos iletrados, de tantos analfabetos funcionais, frutos de um ensino (sobretudo ensino público) cheio de déficits e problemas estruturais. Além disso, a condição econômica de grande parte da população simplesmente alija boa parte das pessoas da remota possibilidade de comprar livros, que proporcionalmente a seus ganhos, são muito caros.
No entanto, mesmo no Brasil, julgo que a eclosão dos meios de comunicação de massa (jornais, revistas, entre outros) e a internet nos dão um panorama de leitores proporcionalmente muito maior do que em qualquer outra época de nossa história (no século XIX, a quantidade de analfabetos no Brasil era consideravelmente maior do que a de hoje, e no século XV, no mundo inteiro, os analfabetos eram muito mais numerosos do que os alfabetizados). Esses aspectos tão claros são freqüentemente esquecidos, quando se fala do hábito de leitura da população e se afirma, precipitadamente, que os meios de comunicação de massa audiovisuais (rádio e televisão) fazem com que as pessoas hoje não leiam como antigamente, como se houvesse neste hipotético antigamente uma massa leitora real maior do que há hoje.
No campo da produção literária em si, as mudanças sem precedentes na cultura dos povos, introduzidas por inovações tecnológicas que proliferaram informações no mundo (e trouxeram os problemas do excesso de informação e da dificuldade de se guiar num mundo com tanto ruído) fizeram com que a arte literária deixasse de ser predominantemente auto-referente, como até o século XX sempre fora. A literatura do século XX bebe de fontes não-literárias, como o cinema, o rádio e a música popular, a televisão, entre outras, além de, na última década, pelo menos, a internet.
Mesmo com o panorama positivo de crescimento (em números absolutos) de leitores que a alfabetização em massa suscitou, paradoxalmente, os homens de letras, hoje, não são figuras centrais da cultura. Desconfio que isso se deva, em primeiro lugar, pela pluralidade de vozes que a cultura de massa faz surgir e, em segundo lugar, à perda de referências que os homens de letras e de artes de um modo geral sofreram no decorrer do século passado (ou o nosso breve século XX, como o chama o historiador Eric Hobsbawm).
Assim, não obstante as inúmeras contradições desse campo, não sou daqueles que alimentam uma visão pessimista da cultura atual, nem uma visão romântica de um passado que nunca houvera sido. As construções culturais são inerentes ao ser humano e talvez só estejam ameaçadas de extinção porque o próprio homem se ameaça extinguir com os excessos da própria cultura ‘técno-lógica’ de produção (e destruição) em massa.

10-Você já publicou algum livro? Se já, cite o nome dele e o ano em que foi publicado?

Hoje (01° de maio de 2007), enquanto respondo essas questões, não tenho ainda nenhum livro publicado. No entanto, tenho um no prelo (cujas primeiras provas terminei de revisar esta semana), que deverá ser publicado entre junho e julho deste ano. O nome dele é “Poemas para serem encenados”.

11-Você já fez algum projeto ou participou de algum em referência a poesia?

Já participei da Sociedade dos Poetas Vivos, idealizada pelo poeta Maurício Cardozo no início da década de 1990 (ou seja, logo que eu comecei a escrever poemas). Foi uma participação pequena, de acordo com as minhas parcas possibilidades de então. E, mesmo distante e graças a você, Rodrigo, posso dizer também que participo do POESIARTE, movimento poético do qual você é o vértice. Na faculdade, fazia parte de um grupo que se reunia semanalmente para ler poesias. Mas jamais elaborei qualquer projeto sobre poesia, acabei tomando parte desses que já existiam.

12-Qual a poesia sua em que você mais possui afeição?

Não sei se entendi bem a pergunta. Parece-me que você quer saber de que poesia minha eu mais gosto, ou a qual poesia minha eu tenho mais me afeiçôo. Asseguro não haver resposta para essa pergunta, pois há muitas das quais eu gosto bastante. Neste período em que estive revisando as primeiras provas do meu livro, encontrei muitos versos que eu sequer lembrava ter escrito, encontrei poemas que me impressionaram positivamente... O poema abaixo, que constará no meu primeiro livro, é um que cito bastante, por conter uma espécie de apresentação minha por meio de elementos fantasiados, imaginados, mesclados a elementos reais e concretos, como os meus sobrenomes. Embora não valha como resposta para a sua pergunta, ela vale como exemplo de uma poesia minha da qual gosto bastante.

Genealógico

Sou filho dos burgos,
mas não sou burguês.
Meus cantos são lusos,
não sou português.
Meu povo me aponta
safaris no corpo,
contrastes, afrontas
e um velho índio morto.
Entre hóstias e hostes
cravaram-me um Tostes
de algum povo ao léu.
Fugindo com fome,
meu último nome
chamou Daniel.


"Poesia...prazer livre dos grilhões do preconceito; a cada verso, um gozo que dessemina o sêmen fecundo do pensamento." - Teófilo Tostes Daniel. (Trecho do livro "Poemas para serem encendados).

- Entrevista feita por Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. (Rodrigo Poeta)